[Resenha] A Garota Anônima - Greer Hendricks e Sarah Pekkanen!

Título: A Garota Anônima

Autores: Greer Hendricks e Sarah Pekkanen

Editora: Faro Editorial

Resenha: Jéssica é uma mulher independente, solteira, trabalha para uma empresa de maquiagem e no momento vive uma fase de crise financeira. Numa dessas visitas a trabalho para maquiar duas recém-formadas, ela ouve uma ligação de uma das garotas onde ela é intimada a comparecer a um estudo em que vai haver um questionário para que ela responda e como recompensa, isso vai lhe render muito dinheiro! Mas a garota está muito empolgada com a sua festa de formatura e Jéssica a ouve falar para sua amiga, que ela não irá a esse encontro. É aí que a nossa maquiadora, desesperada para ajudar os pais e sedenta por uma grana extra, decide - sem permissão - ir no lugar da garota no dia seguinte!


Jéssica não era a participante que eles esperavam, mas a dona do experimento, a Dra. Shields, alega que ela satisfaz os critérios demográficos do estudo - que consiste em responder pesquisas sobre ética e moralidade! Esses questionários são invasivos e ao passo que o estudo avança, mais a dona do experimento adentra nas intimidades da participante, fazendo perguntas diretas e intimistas. Depois de saber do que se trata e ter de responder se deseja continuar, Jessica decide prosseguir porque o valor que irá receber é tentador e só o que ela precisa fazer é bem simples: SER HONESTA!

Só que, o que a nossa protagonista não imaginava, era que ao passo que tudo vai se desenrolando, suas tarefas no estudo vão se tornando mais intensas e foge dos questionários que eram respondidos na frente de um computador. Ao passo que quanto mais a Dra. Shields lhe propõe tarefas cada vez mais complicadas e pagando valores cada vez mais altos, se torna cada vez mais tentador não recusar a proposta. Jessica fica cada vez mais envolvida no estudo e envolvida também na sua relação com a doutora, que além de fina, é extremamente misteriosa!

Curiosa para entender mais do porquê suas missões se tornam cada vez mais ousadas e perigosas, ela começa investigar a vida da Dra. Shields e a partir do que encontra, percebe que agora está, não só presa àquela situação, mas também vítima de um plano mirabolante em que ela terá que ir mais fundo para descobrir todas as motivações e conseguir escapar dessa teia!

O desenrolar e o final foram tão incríveis que quando você acha que não tem mais nada para acontecer, os autores surgem com novas surpresas. Quando estava faltando mais ou menos 50 páginas para finalizar achei que tudo que tinha para fechar já havia acontecido, mas para minha surpresa, a autora conseguiu pegar as ultimas páginas de uma história – aparentemente – concluída e terminar de colocar nosso queixo no chão (haha)! O final foi extremamente imprevisível e convenhamos, original e sagaz! Plausível ainda é pouco para definir!

O enredo no geral foi de uma perspicácia imensa! Tudo muito bem construído e embora seja uma trama bem intricada, não encontrei nenhuma ponta solta! Os autores conseguiram unir todas as pontas e o que resultou foi um desfecho muito bem elaborado!

A escrita é maravilhosa e os capítulos curtos nos conduzem a uma experiência de leitura rápida e prazerosa, além de sempre serem finalizados de uma forma instigante - o que ficava impossível não querer ler o próximo - numa história cheia de segredos, incertezas e de personagens que você não consegue saber até que ponto eles estão falando a verdade, deixando a trama curiosa e o leitor inquieto!

Super recomendo!

[Resenha] A Última Carta de Amor - Jojo Moyes!

Título: A Última Carta de Amor

Autora: Jojo Moyes

Editora: Intrínseca

Resenha: Depois de sofrer um acidente, Jennifer Stirling não se lembra de nada da sua vida, não sabe quem é sua família, seus amigos e nem onde mora! Não possui sequer lembranças se tem um emprego, filhos e marido!

No hospital, depois de receber alta, um homem aparece dizendo ser seu marido e a leva pra casa. É quando revirando seu quarto, tentando encontrar algo que a faça se lembrar de quem ela é e da vida que ela levava, começa encontrar cartas escondidas endereçadas a ela que revelam que ela estava vivendo um romance fora do casamento. Todas as cartas eram assinadas por B. e traziam mensagens de amor e esperança de que o casal finalmente ficasse junto!


Paralelo a isso, 4 décadas depois, a jornalista Ellie Haworth, encontra nos arquivos do jornal em que trabalha um compilado de cartas endereçadas à Jennifer e ao abrir uma carta e ver do que se tratava, ela fica mexida, curiosa e decidida a tentar entender o que aconteceu aos protagonistas daquela história de amor – aparentemente proibida. Ellen vive uma situação parecida com a de Jennifer e isso a motiva ainda mais a dar um final feliz para aquela história.

Por outro lado, cada vez que a narrativa volta para 40 anos atrás vemos a história se desdobrar em dois tempos diferentes. Antes do acidente, para que entendamos o começo de tudo, como Jennifer e B se conheceram e para onde ela estava indo quando o acidente aconteceu. E após o acidente, mostrando uma Jennifer confusa e lutando para se adaptar ao passo que tenta descobrir porque ela traia o marido e se B é alguém do seu ciclo de amigos!

Curiosa para desvendar o que agora para ela é um mistério, a mulher vai descobrindo que o seu casamento com o seu marido não era mais um mar de rosas e ela estava apaixonada por quem assinava as cartas como B.! Agora ela só precisava saber como juntar todas as pontas soltas para chegar em quem, já ficou claro, é o amor da sua vida!

O final é surpreendente! Jojo conseguiu unir presente e passado de forma incrível e o que para Ellen aparentava ser somente a busca por um casal que se amava e que possivelmente lutava para ficar juntos, revelou mais que isso: Deu a jornalista a chance de olhar melhor para dentro e encontrar nessa história também o melhor desfecho para a sua.

Diante dessa passagem de tempo a autora nos presenteia com a visão dessas duas personagens que vivem realidades diferentes, em épocas diferentes e isso foi genial de comparar!


A última carta de amor é uma história sobre idas e vindas, sobre independência feminina e os avanços pelos quais a mulher passou para ter, sozinha, seu lugar ao sol. Uma história muito além de ser só sobre traição, mas de paixão, decisões, coragem e ousadia e que nos estimula a refletir sobre temas importantes, desde preconceito social à recomeços!

Essa história mexeu numa ferida muito particular minha. E embora tenha doído um pouco, me fez enxergar as coisas por uma outra ótica. Aquela que diz que: Não importa o tempo que passe, ninguém é capaz de mudar o destino. Isso renova as esperanças!

Esse foi meu primeiro contato com a escrita da autora. Eu já imaginava que gostaria, por tudo que a gente já ouviu falar e conhecia dela internet afora, mas não imaginava que gostaria nesse nível! A escrita de Jojo é maravilhosa e te envolve demais. Enquanto você não começa entender o enredo, você não sossega... e daí quando de fato começa juntar o quebra-cabeças, fica impossível não aflorar seu lado investigador! Quando o News of the world disse que é impossível largar, eles não estavam brincando, haha!

Um livro que vai fazer você vai repensar o significado de casamento e acreditar em amor que transcende décadas e rompe barreiras. Além de acreditar naquela frase clichê quando diz que: tudo tem seu tempo!

E tem mesmo!

Ps. O livro foi adaptado e logo, logo poderemos conferir como ficou!

Até lá!

[Resenha] Um Lugar Bem Longe Daqui - Delia Owens!

Título: Um Lugar Bem Longe Daqui 

Autora: Delia Owens 

Editora: Intrínseca 

Resenha: Kya é uma criança de 6 anos que desde muito cedo teve de lidar com o abandono e a aprender a se virar. Primeiro abandonada pela mãe, que sem olhar para trás, sequer disse adeus aos filhos e depois abandonada pelos irmãos e pelo pai alcoólatra - que um a um -, foram seguindo seus rumos sem se importar se a caçula ficaria sozinha - no barracão -, em um brejo. 


A criança cresce sem qualquer companhia, sem tecnologia, sem escola, tendo que se adaptar àquela vida para sobreviver, indo em busca do seu próprio alimento, tornando o brejo o seu único lar. E é maravilhoso notar que a partir dali ela consegue crescer criando uma conexão imensa com a natureza e com tudo acerca dela. 

“A natureza tinha cuidado dela, protegera-a e fora sua professora 
quando ninguém mais quisera fazê-lo.” 

Como em meio a qualquer tempestade, a gente sempre consegue tirar algo bom, algumas - boas - pessoas cruzam seu caminho e dois personagens ganham destaque junto com ela: Tate, um garoto que conheceu enquanto dava uma volta de barco e com quem cultivou uma bonita amizade. Tate lhe ensina a ler e lhe ajuda muito com alimentação. E Pulinho, dono de um posto. É um bom homem, lhe ajuda com gasolina e compra os frutos do mar que ela pesca para vender. 

Paralelo a isso: alguns anos depois, com Kya já bem crescida, a história nos apresenta um mistério! O corpo de um rapaz fora encontrado no mesmo lugar em que Kya vive e há a existência de um colar nele, o que sugere que esse rapaz morto tinha - ou já teve -, algum vínculo com ela. E várias hipóteses são levantadas acerca desse fato que, as autoridades sequer conseguem definir como acidente ou homicídio. Não há provas sobre o porquê e como aquilo aconteceu e tampouco, provas concretas que liguem Kya ao caso. Porém, é pra cima dela que as autoridades vão, com o objetivo e pressa em concluir o caso - uma vez que trata-se da morte de uma pessoa influente no vilarejo. 

Diante disso, vamos de um lado acompanhando as investigações do caso, o infeliz julgamento que as pessoas tinham com Kya e que, diante desse preconceito, só ofereciam maldade para quem era para eles somente a Menina do Brejo. E do outro vamos vendo o crescimento da personagem, que cresce não só como pessoa, mas como artista. Ninguém melhor que ela conhecia cada criaturinha que no brejo nascia e crescia, então ninguém melhor que ela para colocar aquilo no papel. Ela só precisou de alguém que notasse isso e a fizesse reconhecer o dom que ela tinha... e assim nasceu a Kya escritora. 

É impossível não sentir empatia pela personagem, principalmente porque acompanhamos de forma tão minuciosa o sofrimento, carência e batalha dela pra tocar a vida sozinha. Você se envolve – inevitavelmente – com sua história de vida e num nível que é impossível também não torcer, sob quaisquer circunstâncias, por ela! 

As revelações perto do final trouxeram um plot twist inacreditável. O desfecho do assassinato, aliado ao desfecho de Kya criou uma atmosfera genial e inigualável que só se estendeu com maestria até a última linha. 

Kya foi uma personagem que, definitivamente, foi uma das melhores que já conheci. Guerreira, inteligente, sagaz, corajosa e ousada! A autora soube desenvolver perfeitamente bem o crescimento e amadurecimento dela e quanto mais lembrarmos dessa personagem e da vida que ela levou, mais iremos amar a menina que teve que lidar desde muito criança com a solidão e se tornar parte da natureza para sobreviver. 

Delia Owens soube equilibrar bem o mistério e o drama e sua escrita foi um dos elementos que mais gostei nesse livro. Que autora gigante e maravilhosa! Um enredo surpreendente em que o drama em nada ficou forçado ou cansativo e o mistério em nada ficou a desejar - numa trama interessante, criativa, movimentada e até poética. As cenas em que presenciamos essa pegada mais intimista e reflexiva, só acrescentou à história. As descrições acerca da ambientação foram de uma feição incontestavelmente perfeita! 

Essa resenha é de uma leitura de 2020 e que, inclusive, foi uma das melhores do ano. Kya é uma personagem que ficará marcada para sempre na vida de quem conhecê-la, numa história que vai te fazer refletir por muito tempo - principalmente sobre empatia, possibilidades e sobre como coisas tão pequenas podem fazer uma diferença enorme na vida de alguém! 

Livro de mensagem maravilhosa. Para quem soube apreciar.

[Resenha] Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll!

Título: Alice no País das Maravilhas 

Autor: Lewis Carroll 

Editora: Faro Editorial 


Resenha: Escrito em 1865 e considerado um dos grandes clássicos da literatura, “Alice no País das Maravilhas” é de um sucesso atemporal e segue atravessando gerações, conquistando desde crianças à adultos! 

Tudo começa quando, sentada à beira de um rio com a irmã e entediada por não ter o que fazer, Alice se levanta para procurar algo mais atrativo e vê um coelho passar apressado. Curiosa, a garotinha o segue até uma toca e ao ver o coelho entrar, ela também entra e é aí que a aventura de Alice está só começando. 

O poço não parece ter fim e quando ela acha que já viu tudo de mais estranho que poderia ver, percebe que lá no subterrâneo nada faz sentido, tudo escapa da sua compreensão, num mundo em que parece desafiar as leis da física e da lógica! É o verdadeiro País das Maravilhas! De início ela se sente desconfortável e assustada, mas conforme Alice anda - procurando entender a estranheza do lugar - e se encontra com outros seres, mais ela se vê fascinada com tudo! 

Comidas e bebidas que a faz mudar de tamanho, animais que falam, gato que ri sem parar, cartas que falam e se movimentam, roseiras que se mexem como gente e muito mais... tudo bem trabalhado em personagens atrativamente muito bem criados, que vão desde a Lagarta, o Chapeleiro Maluco à terrível Rainha de Copas. 


Não vou entrar em muitos detalhes, pois nada que eu diga parecerá estranho ou nunca conhecido/visto por você que está lendo. Até quem nunca leu, já deve ter assistido ou ouvido falar na garotinha loira e entediada que vai parar num mundo fantástico e novo, onde nada parece ser real, mas que é extremamente interessante e divertido ao mesmo tempo! 


Abordando as mais diversas temáticas e com diálogos improváveis, aparições surpreendentes e muito humor, o autor construiu uma narrativa extraordinária, num universo criado para nos distrair e despertar – com maestria – a nossa imaginação.

A edição da Faro, como sempre, de tirar o chapéu e pra ninguém botar defeito

[Resenha] O Corvo - Edgar Allan Poe!

Título: O Corvo 

Autor: Edgar Allan Poe 

Editora: Faro Editorial | Clássicos 

Sinopse: “Escrito há quase duzentos anos, esse poema atravessa gerações e continua sendo um marco da literatura mundial. Imprescindível para todos os apaixonados por literatura, O Corvo é considerada a obra-prima de Edgar Allan Poe. Mesmo tendo escrito diversos livros e contos, nenhuma outra história atraiu tantos leitores e tamanho respeito pela crítica especializada. Um homem atormentado pela morte da amada é despertado pelo barulho incessante de um corvo e a trama que se desenrola no poema demonstra tanto a genialidade do autor quanto os demônios que ele carregava. Dizem que a vida imita a arte, mas nesse caso, a arte imitou a vida. O Corvo foi publicado dois anos após a morte precoce da esposa de Poe. E, como muitas vezes acontece, o autor não teve tempo para ver o sucesso de sua obra. Morreu na miséria e sem saber que seu corvo atormentaria muitas outras almas mesmo anos depois de sua morte.”


Resenha: O corvo trata-se de um poema carregado de melancolia, onde o Eu Lírico demonstra as suas emoções e sofrimento pela morte da sua amada e onde se encontra mergulhado numa camada de dor causada pela perda insuperável. Paralelo a isso, ele recebe a visita de um corvo bem peculiar que entra subitamente em sua casa, dando batidas na porta e assim eles passam a conversar. O corvo sempre repetindo a mesma frase, numa construção ritmada, lhe dá uma ideia de que veio trazer-lhe uma mensagem e isso transforma toda a atmosfera num clima tenso, amargurado, denso, desesperador e instigante. 

Uma obra completa para quem quer conhecer o autor e seu estilo de escrita. Para quem se permite sentir e compreender a mensagem! 

Um livro rápido, de 108 versos, divididos em 18 estrofes, mas é incrível o quanto a gente vai lendo ele bem devagarzinho pra conseguir captar tudo que existe por trás das palavras do autor que foi um dos maiores nomes da literatura mundial e de sucesso atemporal! 

Sempre tive vontade de ler algo do Poe e encontrei em ‘O corvo’ uma belíssima oportunidade, gostei muito da experiência! A edição, como todas da Faro, está linda demais. Capa dura, bilíngue e com tradução de Thereza Christina Rocque da Motta, a editora trouxe um visual gótico, com ilustrações primorosas que vão te deixar alguns bons segundos olhando para elas e isso foi de uma riqueza tão incrível que quanto mais você olha, muito mais você vê, é incrível a singularidade! Indiscutivelmente uma das melhores edições da Editora!

Recomendo!

[Resenha] Rio Vermelho - Amy Lloyd!

Título: Rio Vermelho

Autora: Amy Lloyd

Editora: Faro Editorial

Resenha: Red River é uma cidade pacata da Flórida e que agora é marcada pela trágica história de uma onda de assassinatos de garotas cuja maioria dos corpos, nunca foram encontrados. Dentre os corpos desaparecidos, um em específico foi o motivo pelo qual conseguiram culpar Dennis Danson e prendê-lo por assassinato! 


Isso aconteceu quando o rapaz tinha 18 anos e agora, anos depois, o caso não fora esquecido, isso porque Dennis é hoje a principal peça de um documentário sobre crimes reais que têm por objetivo lutar para reabrir casos e dar novas chances para quem eles acreditam ser inocentes! Assim, ele se torna o alvo de uma multidão que acha que ele foi preso injustamente e precisa ser solto! 

Paralelo a isso, vamos conhecer Samantha, que descontente com a sua vida e profissão, acabara de sair de um relacionamento onde diz não ter terminado de uma forma muito boa. Conheceu Dennis e seu caso através de fóruns na internet e se viu muito envolvida com a situação e disposta a se juntar ao grupo para tentar provar a inocência dele! Assim, a moça passa a se corresponder com ele por cartas e por algum motivo, como que por sintonia, ele é despertado para uma vontade muito grande de manter aquele contato com ela. Assim, eles vão sustentando essa troca e quando percebem, já estão apaixonados e é aí que ela decide largar tudo e ir para os Estados Unidos viver de mais perto essa história, que depois da primeira visita, a relação se intensifica e decidem se casar na cadeira mesmo! 

Durante o desenrolar do livro, com o documentário a todo vapor e Sam mais certa do que nunca de que seu marido é inocente, uma novidade acrescenta consideravelmente novas peças ao caso, evidenciando um novo suspeito e um possível culpado e Dennis é finalmente inocentado! 

Tentando se adaptar a nova vida, o rapaz precisa voltar à cidade onde tudo aconteceu e é aí que toda a loucura começa! Ao passo que o ex-presidiário é cobiçado pela imprensa o tempo inteiro - e que o mesmo se aproveita disso -, Samantha vai descobrindo que a presença física dele, ali diante dela, não era do jeito que ela esperava e a história do casal vai ganhando novas facetas! Fora da cadeia, Dennis é distante, desinteressado e rude e o lugar onde ele cresceu esconde mais mistérios do que o que se pode imaginar, fazendo a moça se questionar se ele é realmente inocente e se realmente sente algo por ela! 

Quatro personagens secundários tem destaque na história, Carrie que é a responsável pela produção do documentário, Lindsay que vive na cola de Dennis e desperta muito ciúme em Samantha, mas a moça afirma que são só amigos e Howard e o seu pai, Harries, um policial que tentou de todas as formas tachar Dennis de péssima influência pro seu filho, que já era bem obcecado e lunático por si só! 


Com a presença mais marcante desses três últimos personagens e uma casa que guarda mais segredos do que Sam poderia imaginar, a história se desenrola mais freneticamente da metade pro final e a cada nova descoberta Dennis era afastado mais um pouquinho do pedestal de mocinho amoroso e inocente. Sam, por sua vez, parecia estar inerte a tudo que estava acontecendo, não conseguia enxergar um palmo a frente do nariz, vivia como uma submissa implorando para ser aceita, amada e se submetendo a todo tipo de situação que foi impossível criar algum tipo apego por ela. Vivia pedindo desculpas por coisas que não deveria e sempre achava que ela era o problema. A personagem acordou nos últimos momentos do livro e mesmo sabendo que a moça estava numa posição de vítima, ainda assim foi impossível – para mim – torcer por ela, pois, nem de longe foi admirável! 

O final surpreendeu demais, pudemos ver com clareza até onde vão diversas situações em que o amor doentio é o protagonista. Em cada personagem pudemos notar pelo menos um tipo de personalidade que muito explica os diferentes tipos de loucura que uma pessoa obcecada por outra ou por uma determinada situação, é capaz de fazer. 

Uma história que vai te fazer refletir, temer certos tipos de comportamentos e te fazer criar alguns questionamentos principalmente acerca da condenação e sobre quem as pessoas que amamos são de verdade... num livro sobre obsessão, escolhas, busca pela liberdade, confiança e segredos. 

Amy Lloyd traz uma história original, muito bem escrita e envolvente, além de recheada com uma gama de assuntos que não são muito vistos em outros thrillers e deu todo um diferencial à história. Os momentos mais perturbadores te envolvem tanto que é impossível você não querer saber o desfecho, a curiosidade te move em um ritmo frenético! Para quem gosta de livros que exploram as diferentes nuances e o lado mais sombrio que o ser humano pode ter, eu mega recomendo!

[Resenha] O Diário de Nisha - Veera Hiranandani!

Título: O Diário de Nisha 

Autora: Veera Hiranandani 

Editora: Darkside Books 

Resenha: O Diário de Nisha, como o próprio nome sugere, narra pela própria Nisha - em forma de diário -, sua jornada junto à sua família, na busca pelos seus lugares no mundo e em meio a uma guerra gerada por um conflito político-religioso que após a Índia se tornar independente do governo da Inglaterra, foi dividida em duas repúblicas: Índia e Paquistão, provocando uma guerra terrível entre Hindus e Muçulmanos


Nisha vive com seu pai, sua avó paterna e seu irmão gêmeo, Amir! Sua mãe morreu ao dar a luz a eles e assim, ela e seu irmão vivem aos cuidados destes desde sempre. A casa ainda conta também com a presença de Kazi, ajudante da família e a quem Nisha tem uma ligação muito forte ao ponto de sentir que é a pessoa que mais lhe entende na casa. Kazi foi quem deu para a garota o diário, como forma de ajudá-la a se comunicar mais, uma vez que Nisha sempre foi uma garota tímida, que tem dificuldade de se relacionar, de se expressar e pouquíssimo fala. É em seu diário que a garotinha de 12 anos consegue conforto e lidar melhor com a ausência da mãe, além de se sentir mais perto dela, já que o diário é escrito como se estivesse escrevendo-a. 

A ideia era narrar para “a mãe” tudo que acontece no seu dia - mostrando como se sente como forma de desabafo - e narrando o seu cotidiano sem grandes novidades. Com a narração dela vamos conhecendo mais da família e da cultura deles e o que ela não esperava era que tão logo começaria transcrever os registros de um enorme conflito que mudaria para sempre a vida da sua família! 

Em meio ao caos que a partição da índia gerou, a família decide – por instinto de sobrevivência – atravessar a fronteira rumo à nova índia, onde eles estariam num lugar que, diante das imposições daquela sociedade, estariam onde deveriam estar. E assim a família parte deixando tudo: a casa, os amigos, seus pertences, sua história. 

Nisha não entende os desdobramentos político-religiosos diante de um momento tão decisivo da história e essa carga que ela tem de lidar, mesmo sem saber o porquê de estar fazendo, deixa tudo ainda mais dramático. Sua história nos comove por inteiro, porque ao passo que ela luta contra seus conflitos internos, o exterior lhe apresenta um conflito ainda maior para suportar. 


A jornada é mais dramática do que se previa. Os dramas que a família de Nisha vai encontrando pelo caminho nos dão uma ideia do quão difícil é abandonar suas raízes e fugir para um futuro até então, incerto. E para completar, em uma travessia onde passa a faltar absolutamente tudo e só a coragem, força e união os manterão vivos! 

Um tipo de leitura que facilmente te transporta para outro tempo, país e cultura. Amei saber um pouco sobre a Partição da Índia que é um fato histórico que matou pelo menos um milhão de pessoas durante a travessia e que eu não tinha absolutamente conhecimento algum. O coração apertou quando parei para pensar nas milhares de famílias que tiveram de deixar suas histórias para trás em busca de um novo lar num país dividido pela guerra! 

A autora retratou a dura realidade da Partição de forma majestosa e a sua mensagem sempre vai ficar impregnada na cabeça de quem a ler. Através da história de Nisha aprimoramos a empatia e nos despertamos ainda mais para o desejo de um mundo mais pacífico e igualitário... num livro que é um verdadeiro tesouro e que além disso, nos mostra também que a vida pode ser realmente dura e em todos os níveis e nuances, mas se você tem com quem contar, o fardo se torna só mais um detalhe. 

[Resenha] Bom Dia, Verônica - Raphael Montes & Ilana Casoy!

Título: Bom Dia, Verônica

Autores: Raphael Montes & Ilana Casoy

Editora: Darkside Books

Resenha: Verônica Torres é escrivã da polícia civil de São Paulo e em um dia pacato como qualquer outro, ela presencia uma mulher sair transtornada da sala do delegado Wilson Carvana e se atirar pela janela - sem conseguir fazer nada pela moça. Mexida e indignada com o que acabara de ver, ela exige que o delegado dê uma maior atenção ao caso, mas sem sucesso. E é aí que, vendo que o seu chefe tratou a tragédia com indiferença e ainda pretende engavetar o caso, ela decide investigar por conta própria o que aconteceu a Marta Campos e o que motivou o seu suicídio!


Paralelo a isso, algum tempo após Verônica dar uma entrevista falando sobre caso Marta Campos, ela recebe a ligação de Janete, uma mulher ingênua, desesperada e pedindo por socorro. Janete alega que seu marido a maltrata, que pode matá-la e maltrata também outras mulheres. E é com essa premissa que a saga de Verônica em busca de justiça tem início! 

De um lado vamos acompanhando a investigação da escrivã para tentar descobrir quem é o homem que engana, atrai, droga e rouba mulheres, escondido através de um fake em um site de relacionamentos - ao qual Marta fora vítima. E do outro, começa a sondar a casa e investigar a vida do marido Janete, o policial militar Cláudio Brandão, onde vai descobrir que ele é autor de vários crimes onde sequestra e submete mulheres a rituais peculiares... ao passo que tenta também convencer Janete a denunciar o marido. 

A trama se desenrola de forma enigmática e diante de tanto mistério ainda é possível notar uma Verônica inteiramente enlaçada em dois casos perigosos onde um passo errado pode colocar até a sua vida em risco. 

Gostei da complexidade com a qual a personalidade dos criminosos é trabalhada. Os autores conseguiram em nuances diferentes, nos mostrar dois tipos de situações em que colocam, nós mulheres, à mercê do perigo... em duas circunstâncias, ora inescrupulosa, ora macabra, mas infelizmente, totalmente possíveis! 

Achei a atitude de Verônica na cena final corajosa e sem noção – na mesma proporção! A gente consegue entender e enxergar nas entrelinhas suas motivações, porém não era o que eu faria (hoho) ou esperaria de uma personagem numa situação daquelas. No meu livro ela teria um final diferente, porém, em nada achei que ficou ruim ou desnecessário, foi “aceitável”!

Um livro denso, de ritmo acelerado e escrita maravilhosa. A leitura se torna extremamente fluida ao passo que quanto mais você avança, mais você quer ler! Casoy & Montes construíram uma trama de carga emocional pesada e com temas que vão desde violência doméstica, abuso, corrupção à negligência policial e tudo colocado de uma forma bem dosada e que muito nos faz refletir sobre o quanto isso é – infelizmente – comum de acontecer nos dias de hoje, fazendo-nos sentir mais empáticos e sensibilizados ao imaginar as tantas mulheres que vivem isso na pele todos os dias! 

Que grata surpresa foi ler um livro de um gênero que eu curto muito e escrito por autores brasileiros. Fico sempre muito feliz quando vejo autores daqui nos dando o aconchego de nos sentirmos bem representados mundão afora. 

A narrativa combinada dos autores nos deixa perplexos e curiosos na mesma medida, num enredo que foge do convencional, onde o foco não está em enaltecer ou honrar a investigadora, mas nos passar, através de situações cruéis, a realidade nua e crua a que várias mulheres são submetidas e muitas vezes não tem com quem contar, porque a corrupção vinda de quem deveria ajudá-las é real e este é mais outro ponto forte do livro. 

No mais, o trabalho em conjunto de dois autores que - até então eu não conhecia o trabalho -, resultou numa obra genuinamente interessante e que eu mega recomendo!

[Resenha] Malorie - Josh Malerman!

Título: Malorie

Autor: Josh Malerman

Editora: Intrínseca

Resenha: Malorie é a sequencia do fenomenal ‘Caixa de Pássaros’, onde depois de 12 anos da travessia do rio, eles ainda tentam se adaptar à nova vida - no novo mundo. Tom e Olympia agora são adolescentes e com isso, mais curiosos e cheios de vontade de viver, mas eles têm de lidar com as regras, muitas vezes exageradas, que Malorie lhes impõe e entre as principais delas é nunca tirar a venda e nunca se arriscar... aliadas a novas regras como: usar luva, roupas compridas e capuz! 


Tom, criativo, inteligente e ousado que é, é quem mais se incomoda diante de tantas regras e várias vezes chegamos a nos incomodar com seu espírito curioso, teimoso e consequentemente, impulsivo. Ele é o retrato do típico adolescente rebelde e totalmente aberto ao novo. Olympia é mais cuidadosa e obediente, mesmo discordando das inúmeras regras da mãe. Também é super inteligente e ama ler. 

Por outro lado, Malorie, por ter presenciado por tanto tempo o caos e vivido de perto a grande mudança que aquele terror todo causou às pessoas no velho mundo... vive pela venda! Cada dia mais neurótica, ela não cogita sequer por um segundo tirar as vendas ou permitir que os filhos tirem. E para completar, ela agora tem novas hipóteses do que as criaturas podem fazer e isso acabou gerando muito mais regras! Mesmo em alguns momentos achando as atitudes dela bem exageradas, no fim das contas a gente entende seu cuidado excessivo, pois só quem viveu algo naquele nível, sabe o horror que é. Malorie já não sabe mais qual é a sensação de viver sem medo! 

A movimentação no enredo desse segundo volume começa quando, um certo dia, ao ir buscar água, Tom sente a presença de alguém e ao tentar correr de volta para casa é atraído pela conversa de um homem que diz ser do senso e quer conversar com eles. Ao voltar para dentro da casa, ele se junta a Malorie e Olympia que ainda escutam o homem dizer que só está colecionando histórias e fazendo uma relação dos sobreviventes. Depois de algumas insistências sem sucesso o homem parte, mas deixa para trás os papéis com suas anotações. 

Tom toma posse dos papéis em segredo e pede para que Olympia leia, é quando algo acontece: Eles encontram na lista de sobreviventes o nome de duas pessoas a quem sua mãe, instintivamente, poderia se interessar. 

Agora Malorie precisa fazer uma escolha: Abandona toda a segurança que levou anos para adquirir naquela cabana ou parte em busca de encontrar aqueles sobreviventes - numa viagem que pode ser a mais louca da sua vida? 

E é a partir dessa premissa que toda a jornada tem início. Malorie e os filhos embarcam numa nova aventura para resgatar seu passado e para isso tem de driblar os medos e aflorar ainda mais o seu senso de perigo, tão quanto aproveitar dos dons dos seus filhos que podem sentir a presença das criaturas e assim protegê-los das surpresas que, porventura, possam acontecer no caminho. 

Olympia para mim foi o grande destaque desse livro. Se tornou a mediadora do trio e trazia sempre calmaria para as situações turbulentas. Era o controle em meio ao caos que viviam e isso também diz respeito aos atritos que Malorie tinha com Tom. Malorie, por sua vez, também é uma personagem apreciável por ser destemida mesmo em meio a todo pavor que sente. Passou por cima dos seus fantasmas interiores para buscar esperança! Tom para mim foi intragável, não dá pra ter empatia por alguém que tinha a curiosidade à frente da responsabilidade que era temer um mal que acabou com a humanidade. Não dá! 

Uma aventura fascinante cheia de altos e baixos, de pessoas boas e velhos inimigos, de criaturas mais enigmáticas do que nunca e de reencontros! 

Amo finais que não são previsíveis! Amo ser surpreendida e ver que não imaginei nada do desfecho. Achei muito interessante o final com os pais de Malorie e ver o quanto o autor aproximou aquela situação à realidade, porque nem sempre a vida é feita de finais - totalmente - felizes!! Muito maior que isso, amei ver a cena em que Malorie, finalmente, se permite ver o que por tantos anos ela temeu. Bater de frente com seus fantasmas foi muito mais que encarar o bicho papão, mas olhar para dentro de si e resgatar sua coragem, confiar em seu potencial, ter a audácia de se abrir para o novo e assim, conseguir olhar para - literalmente - tudo que está à sua volta. Ficou bem bacana a última cena!

Gosto da escrita de Josh, flui extremamente bem e quanto mais você lê, mais quer saber onde aquilo vai dar e como aquilo tudo termina. Uma sequência bem amarrada e que em nada ficou a desejar em relação ao primeiro. 

“Malorie” é menos perturbador que “Caixa de Pássaros”, mas muito mais ousado. E muito mais do que horror psicológico, é uma história sobre amor, parceria, coragem, sobrevivência e principalmente, coragem! 

Um livro que eu recomendo – literalmente - de olhos fechados, haha

[Resenha] Nunca Saia Sozinho - Charlie Donlea!

Título: Nunca Saia Sozinho

Autor: Charlie Donlea

Editora: Faro Editorial

Resenha: (...) um jogo, uma missão, uma sociedade secreta, um massacre!

E é com essa premissa que a trama tem início.


A Escola Preparatória de Westmont é uma escola de elite, vista como um internato conceituado na cidade de Peppermill, Indiana. É um local cheio de rigores, disciplina, regras e com a principal proposta de orientar os alunos para os desafios do mundo, na vida fora da escola. Mas, por trás do muro do que parece ser o lugar perfeito, um crime chocante aconteceu no verão passado e mesmo com a condenação do principal suspeito, coisas estranhas continuam acontecendo.

É junho de 2019 e em uma escola onde já é de costume os jovens disputarem a liderança, quem é terceiranista e quartanista se sente superior aos demais e os submetem a desafios para que eles provem que também podem entrar para o time dos privilegiados, ou seja, entrar para a tão sonhada sociedade secreta. Isso consiste em vários testes, onde o maior deles é sobreviver ao solstício de verão, que é onde acontece o jogo sombrio chamado “O homem do espelho”, só para escolhidos, e o que era pra ser divertido acaba com a morte de dois jovens, Andrew e Tanner, e com um professor sendo o principal suspeito!

O local onde o famigerado jogo acontece é numa antiga pensão, agora abandonada, próxima a mata e a linha do trem e trata-se de um lugar que já fora a casa de hóspedes outrora utilizada pelos professores. E foi lá que, um grupo de seis jovens, destinados a cumprir a última etapa do desafio, tiveram como resolução da noite: dois alunos encontrados em cenas chocantes, um empalado em uma das lanças do portão de entrada e o outro dentro da casa, com o corpo embebido em seu próprio sangue.

Um ano depois, quando o caso parecia ter sido concluído, a notícia de que alunos sobreviventes continuam voltando à casa e cometendo suicídio na linha do trem, reabrem as lacunas que há um ano pareciam estar fechadas e a criação de um Podcast é quem dá o gás que o caso precisava para ser reaberto e investigado.

O desenrolar se constrói com capítulos intercalados entre o verão de 2019, onde vamos conhecendo mais dos envolvidos no massacre, vamos nos familiarizando com o jogo macabro e os trâmites e cotidiano da Escola e entre agosto de 2020, no calor da investigação, que fica por conta de Mark Carter que é quem está no comando de um podcast de sucesso intitulado de “A Casa dos Suicídios”, voltado unicamente para o crime, e que, com isso acaba também ofuscando os relatos da jornalista Ryder Hillier que acompanhou o caso desde o verão passado e posta tudo em seu blog e canal do youtube.

Diante desses dois curiosos, a atrativa história vai ganhando outras formas e o que parecia já ter um desfecho vai mostrando que a história de junho de 2019 estava muito mal contada. Para tanto, é aí que entra o casal - que é uma super dupla de investigadores - para se unir a investigação já em andamento: Lane Phillips, psicólogo forense e analista de perfis criminais e Rory Moore, que especialista em casos arquivados, tem uma mente brilhante ao ponto de descobrir o que para muitos passa despercebido. Juntos, embarcam para Peppermill atrás de pistas que possam evidenciar e condenar o verdadeiro assassino, uma vez que eles acreditam que o professor condenado pode não tem sido o responsável pelas mortes, já que ele também tentara tirar a própria vida se jogando na frente de um trem.

Super interessados em dar um desfecho para esse caso, o casal aliado ao paralelo da investigação de Ryder Hillier - que tenta recuperar sua credibilidade e fama na internet -, começam a montar o quebra-cabeça.

A investigação avança ao passo que eles vão descobrindo as histórias por trás dos membros da escola e também de pessoas de fora que tem algo a acrescentar sobre aquele dia fatídico... e o que eles vão encontrando, separadamente, é surpreendente. As pistas quando se convergem vão criando uma atmosfera eletrizante onde ninguém parece inocente demais ou culpado o bastante e o que vai parecendo descobertas bem aleatórias, se moldam e entrelaçam de uma forma que é genial de analisar depois que a vemos toda intrincada.


Uma trama envolvente, cheia de detalhes e lacunas que se você se distrair, perde o fio da meada e chega a duvidar que o autor vai conseguir fechar tudinho diante da trama tão emaranhada que vai se formando. Me surpreendi demais em como Charlie, de forma plausível, conseguiu unir todas as arestas de situações paralelas e sem nos fazer desconfiar do real assassino, dando um balde água fria em todas as nossas suspeitas, num plot twist de tirar o chapéu!

Não tem como não comentar o quanto sua genialidade em criar ganchos com personagens e situações de livros anteriores agregou de forma extremamente positiva e interessante ao enredo. Para quem já está familiarizado com o universo deles, foi uma grata surpresa encontrar personagens já vistos e relembrar casos antigos!

Livro repleto de personagens incríveis e que se torna impossível não se apegar a eles e torcer para continuar vendo-os em livros futuros (alô, Clarlie!!)

A cada novo livro de Charlie me sinto mais fã do grande autor que ele é e “Nunca saia sozinho” só veio para reafirmar isso! Donlea já é, para mim, o melhor escritor do gênero da atualidade e eu posso provar!

[Resenha] As mil partes do meu coração - Colleen Hoover!

Título: As mil partes do meu coração 

Autora: Colleen Hoover 

Editora: Galera 

Resenha: Merit é uma adolescente que faz parte de uma família muito peculiar, não bastasse todas as indiferenças dos integrantes da família, bem como seus segredos, ainda vivem no que já foi uma igreja – ideia do seu pai! Para resumir essa família bem atípica, ela composta por Honor, sua irmã gêmea que há tanto não são mais as melhores irmãs que já foram um dia; Seu irmão Utah, que mal se falam e ela claramente acha que ele prefere sua irmã; sua mãe que, curada de um câncer, vive no porão da casa; seu pai, casado com uma nova mulher e que essa, por sua vez, já foi enfermeira da mãe (pasmem!); Mobi, seu meio-irmão... e como se já não fosse o bastante, mais dois membros se agregam à família: Sagan, um rapaz lindo e que ama desenhar e Luck, irmão da sua madrasta. Como já é possível notar, a família Voss está longe de ser perfeita!

Merit é uma garota que se sente invisível dentro da sua própria casa, é como se não se encaixasse ali. Nunca se sentiu amada e como forma de se sentir melhor com sua própria solidão, ela coleciona troféus que nunca ganhou. Isso mesmo, cada vez que as coisas não vão bem, ela sai atrás de um troféu novo num brechó e a sensação dessa aquisição lhe traz conforto imediato, ela se sente merecedora de algo, mesmo sabendo que não é verdade. E é numa dessas saídas que ela conhece Sagan, que lhe proporciona um momento incrível e lhe desperta emoções que jamais havia sentido... até descobrir que ele a confundiu com Honor, mora na sua casa sem que ela ainda tenha visto e é o namorado da sua irmã! 

Sagan lhe encanta em todos os sentidos. Dono de uma arte incrível, ela não consegue não se envolver. Mas infelizmente não pode haver qualquer chance de relacionamento entre os dois, por motivos que ela acha saber tão bem! 

A garota se anima um pouco com a chegada de luck, que mesmo sendo um garoto extremamente excêntrico, se preocupa com ela e tem facilidade em animá-la... tudo poderia ser perfeito, se com a chegada dele, mais segredos não fossem postos em jogo. 

Com um tempo a garota vai percebendo que se torna insuportável carregar seus próprios pesos e os segredos da casa inteira. Merit decide parar de ir à escola e como sempre achou que sua ausência sequer seria um dia percebido por alguém, toma uma atitude mais drástica que essa, mas antes decide que vai fazer uma carta para cada membro da casa e expor todos os segredos que eles carregam! 

E depois do grande susto com sua atitude e de todos terem lido as cartas, o que já era uma bagunça, se tornou muito pior. Segredos que até então uns não sabiam sobre os outros são postos em questão e tudo vira de cabeça para baixo. Mas como se é possível tirar grandes lições de situações ruins, isso também trouxe alguns encaixes. Com os segredos revelados também veio o desejo de mudança, o perdão, o reconhecimento e a esperança de todos para que pudessem, enfim, viver como uma família normal vive – mesmo com todo os defeitos, pois não há família perfeita, é sabido! 

No meio de grandes revelações Merit também descobre fatos distorcidos que teve sobre Sagan e sua irmã e aquela chamazinha lá no fundo, aquela que traz traços de esperança, reacendeu, proporcionando ao casal novas possibilidades! 


Achei uma história excelente, uma das melhores da autora porque além de ter um enredo amplamente original, é real! A imperfeição dos personagens diz muito sobre as possibilidades da gente lidar com isso, no dia a dia, em qualquer âmbito da vida. A família Voss é um exemplo clássico do que se passa em milhares de famílias pelo mundo, por fora parecem perfeitas, mas é na realidade que podemos notar o quanto podem ser quebradas por dentro e cheios daqueles que estão juntos, mas separados ao mesmo tempo. Convivem, mas não se conhecem! 

Achei a história pesada em alguns momentos e cheia de alguns gatilhos - é interessante salientar! Mas ao mesmo tempo nos mostra o quanto a falta de contato e de uma boa conversa pode interferir na vida do outro. Pontua com virtuosidade a importância de se olhar mais para os lados e ter mais empatia, o problema do outro pode acabar sendo o seu amanhã! Hoje é ele quem precisa, nada garante que amanhã pode não ser você! 

No mais, CoHo veio com mais um livrão, numa história que fala de rancor, desprezo, depressão, mas também fala sobre busca de identidade, esperança, amor e principalmente perdão - principalmente aquele que diz que temos que perdoar a si mesmos, para poder perdoar o próximo, afinal nem todo erro merece uma consequência...

[Resenha] Dear Heart, Eu Odeio Você! - J. Sterling!

Título: Dear Heart, Eu Odeio Você!

Autora: J. Sterling

Editora: Faro Editorial

Resenha: Se você acha que não é possível cultivar um amor à distância, Jules e Cal estão aqui pra te provar que o amor é capaz de vencer qualquer barreira! 

Diante de um encontro por acaso, Jules e Cal se conhecem durante uma conferência de trabalho que a moça participa em Boston – onde ele vive! E foi na mesa ao lado, que ela notou aquele que roubou toda sua atenção, o dono dos lábios mais charmosos que ela já vira. 

A atração entre os dois foi imediata e depois de algumas investidas indiretas (ou diretas?!), os dois intensificam a conversa, o contato e acabam passando o final de semana todo juntos e é aí que descobrem o quanto eles têm em comum. Os dois são independentes, bem sucedidos, obcecados por trabalho e não pensam em relacionamento (ou acham que não, haha!). 

Jules e Cal estavam vivendo momentos maravilhosos e sequer imaginavam que duas pessoas que acabaram de se conhecer poderiam ter uma conexão tão rápida e boa, estava tudo inacreditável e perfeito demais para ser verdade... até a hora da partida!

Ao passo que ela entra no avião a dor de ambos é palpável. E o que era pra ter ficado apenas naquele fim de semana em Boston se estende ao longo de todos os próximos dias. Os dois começam a trocar mensagens e isso se torna algo tão rotineiro que nenhum deles consegue mais se enxergar acordando ou indo dormir sem saber se o outro está bem!

Partilhando momentos e experiências de trabalho, Jules e Cal sustentam uma relação onde os dois sabem que o que eles viveram em Boston já não mais significou algo somente casual. E cansados de manter esse contato apenas por mensagens, Cal sugere ir visitá-la. E é nessa decisão que tudo se intensifica, acabando com qualquer possibilidade de por um fim numa relação que prometia ser tão complicada pela distância e acabando com qualquer dúvida que ainda poderia existir sobre os seus sentimentos. Eles se davam bem e gostavam do que um causava no outro, estava mais que notável, estava escancarado!

O final de semana transcorreu muito melhor do que eles esperavam, mas a volta de Cal para Boston é que foi o problema. Preocupado com o rumo desses acontecimentos e temendo que os dois sofreriam por estarem tão envolvidos e morando tão distantes, Cal dá uma escorregada e toma uma decisão que abala por completo a relação dos dois. 

E agora? Valia a pena insistir?!

Com o passar do tempo, entre decisões erradas, afastamentos, pedidos de desculpas e perdão, o casal percebe que o amor pode, de fato, encurtar distâncias!


“Dear Heart, Eu Odeio Você” é um livro sobre amor, daqueles que não precisa nem ser um conto de fadas para que você suspire. É sobre um amor que nasce do acaso, se sustenta na incerteza e termina com a sensação de que vale sim, lutar por alguém que você ama, mesmo que isso tenha percalços no caminho e que você se questione se vai dar certo ou não.

Jules e Cal nos mostram que para dar certo, é preciso simplesmente querer e pra fazer acontecer é preciso ousadia. 

J. Sterling tem uma escrita muito gostosa de ler, te envolve facilmente. O enredo, além de cumprir o prometido e ser interessante e bem humorado, é fluido e a narrativa em primeira pessoa intercalando entre o ponto de vista dela e dele, nos conecta com os personagens de forma bem suave.

Recomendo!

[Resenha] Desgrávida - Jenni Hendriks e Ted Caplan!

Título: Desgrávida

Autores: Jenni Hendriks e Ted Caplan

Editora: Faro Editorial

Resenha: Veronica Clarke é o que chamamos de garota zero defeitos. Além de ser um grande exemplo para família, é um modelo quando o assunto é escola. Está no último ano - mais precisamente na época dos exames finais -, sempre teve ótimas notas, é popular, está concorrendo à oradora da turma e já tem sua vaga garantida na Universidade Brown, aquela que ela sempre sonhou! Para completar, tem três melhores amigas que também são bem populares e ela ainda namora o garoto mais cobiçado, o Kevin, que é completamente apaixonado por ela.
O que alguém mais poderia querer?


Nada poderia ser mais perfeito e não tinha o que dar errado (ou tinha?).

Como nem tudo são flores e dias ruins chegam para todos, Veronica percebe que sua menstruação está atrasada e mesmo sabendo das mínimas chances de uma possível gravidez - uma vez que ela e Kevin utilizam dos métodos contraceptivos -, ela faz um teste de farmácia para tirar a dúvida!

Então no banheiro da escola, ela decide acabar com aquilo e faz o teste ali mesmo. E para desespero da nossa protagonista, o teste dá positivo. Isso mesmo: PO SI TI VO. E como se já não bastasse, Bailey, sua ex-melhor amiga aparece no banheiro e descobre tudo. É aí que Verônica chega a conclusão que tem dois problemas pela frente - num momento típico daquelas situações em que a gente se dá conta de que nunca deveria ter saído da cama.

E agora? Sem chão, a garota de 17 anos não sabe por onde começar para resolver os problemas que tendem a colocar sua vida de cabeça pra baixo e destruir, além de sua imagem, seus planos de futuro.

Com base nisso, toda a jornada começa. Decidida a fazer um aborto e sabotar esse contratempo que ameaça seu futuro, ela liga para algumas clínicas que fazem o procedimento e a mais próxima fica em Albuquerque, no Novo México, à “APENAS” mil e seiscentos quilômetros dali. Iria ser uma jornada difícil? Iria! Mas o que ela não esperava era que contaria com a última pessoa no mundo que já se imaginou pedindo ajuda, ela mesma: Bailey Butler! A companhia mais doida que alguém pode ter!

Se tem como ficar pior? Tem! Veronica ainda descobre que seu namorado usou de uma técnica um tanto baixa e egoísta para engravidá-la de propósito e é o culpado por sua gravidez. O motivo? Para que ela não fosse embora cursar uma faculdade e assim ficasse sempre perto dele. Tem como defender? Jamais!

Com capítulos divididos em quilometragens, vamos acompanhar uma viagem recheada de muitas gargalhadas, confusões, carro roubado, fugas e principalmente... (re) descobertas. E ainda que a trama tenha o foco principal na tentativa incansável das garotas em chegar a tempo na clinica para realizar o procedimento, também nos traz muitas cenas que exploram a relação de amizade delas, tanto os problemas que fizeram com que elas se afastassem no passado, tanto o que elas são agora e tem de lidar - numa jornada interessante que estava muito além de ser só uma viagem por um objetivo único, mas que resultou numa jornada pelo autoconhecimento, busca de identidade, recomeços, perdão e o verdadeiro sentido da amizade.

E mesmo diante de muitas discussões e desentendimentos no caminho, a cada novo estresse podíamos conhecer mais das duas e entender o que estava por trás do afastamento e conflito delas. E melhor que isso, elas mesmas puderam se conhecer melhor, sendo notável o amadurecimento de ambas, em diálogos bem construídos.

Desgrávida aborda um assunto importante e um tanto polêmico, mas que os autores souberam tratar com humor e leveza, num livro que fala muito mais sobre amor, amizade, cumplicidade, sinceridade e por último, mas não menos importante: a busca pela felicidade e pelo direito de SER e FAZER o que quiser da própria vida!

Em breve haverá adaptação pela HBO!
Livro recomendadíssimo!

[Resenha] A guerra que me ensinou a viver - Kimberly Bradley!

Título: A guerra que me ensinou a viver

Autora: Kimberly Brubaker Bradley

Editora: Darkside Books


Resenha: 'A guerra que me ensinou a viver' faz parte de uma duologia e em seu primeiro volume "A guerra que salvou a minha vida" (resenha AQUI), conheceremos a história de Ada e James, duas crianças que após serem evacuadas devido a guerra, vão morar um Susan, uma mulher que de início se recusa a encarar aquela experiência, mas que com um tempo, ela, assim como as crianças, se entregam para o que o destino propôs e encontram naquela situação, muito mais do que esperavam. Encontram, uns nos outros, novos motivos para continuar vivendo e fechar as feridas!

No segundo volume, vamos encontrar uma Ada, mesmo ainda diante de muitas resistências, menos arredia e mais entregue ao que Susan a oferece. Encontraremos duas crianças que aprenderam, na dor, a se entregar ao novo. Neste volume a história tem início exatamente do ponto em que o primeiro parou e também é narrado pela perspectiva da pequena Ada.

Susan continua, de forma muito paciente, explicando aos irmãos tudo que eles desconhecem, que vão desde as coisas mais simples, às mais complexas, rendendo muitas vezes diálogos maravilhosos e muito divertidos.

“É possível saber um monte de coisas e mesmo 
assim não acreditar em nenhuma delas”

A guerra tem continuidade nesse volume e todos os dias parece ser mais um novo motivo para agradecer por estar vivo. Com a guerra, novas pessoas passam a fazer parte da vida de Susan e das crianças também, como a família de Lady Thorton - que é quem lhes dá um teto diante dos últimos acontecimentos no primeiro livro - e Ruth, uma garota alemã que chega muito assustada e mesmo gerando medo e curiosidade para uns e revolta para outros, com o passar do tempo passa a ser vista com melhores olhos.

E assim a história de Ada se desenrola. Com um tempo a garotinha vai dando o braço a torcer e começa a perceber que nem todo mundo é igual ou uma extensão do que a mãe dela foi para ela e o irmão. Seu coraçãozinho que, embora ainda assustado, estava fechado para novas perspectivas, começa amolecer e o que era medo, dia após dia, vai se transformando em lealdade a amor.

A guerra que me ensinou a viver é tão lindo quanto o primeiro. Kimberly conseguiu, mesmo diante da ótica de uma criança, nos ensinar lições valiosas de coragem e superação, é impossível não aprender alguma coisa com a Ada. Assim como conseguiu também nos envolver num tema forte e desastroso diante do cenário em que a história é ambientada, mas sem deixar o livro pesado ou devastante.

“É possível saber um monte de coisas e um 
dia, enfim, acreditar em todas elas.”

A edição beira a perfeição. Fiquei tão apaixonada pela diagramação desse, assim como fiquei do outro. A DarkSide sabe nos fazer amar um livro pelo conjunto, o trabalho inteiro está impecável, as fotos no final do livro nos aproximam ainda mais do enredo e nos dão um choque de realidade.

A escrita de Kimberly é majestosa e além de nos proporcionar uma leitura fluida e instigante, nos faz olhar para dentro. Ada encontrou o seu lugar no mundo e venceu a guerra que se travava dentro dela. Que possamos aprender nem que seja o mínimo com essa história que tanto abre nossos olhos da importância de pensar no outro e sermos melhores a cada dia - pensando no coletivo e também em nós mesmos.

Se o mínimo que esse livro tem para oferecer mudar uma coisinha que seja em cada um, quem sabe um dia ainda vivamos num mundo mais altruísta e de paz, onde travar nossa guerra interior seja simplesmente o maior dos problemas diante de todo o resto.

[Resenha] Verity - Colleen Hoover!

Título: Verity

Autora: Colleen Hoover

Editora: Galera


Resenha: Narrado em primeira pessoa por Lowen, uma escritora que mesmo sendo extremamente discreta quanto aos holofotes, resolve aceitar uma proposta irrecusável do marido de Verity - uma Best-seller famosa -, para continuar escrevendo uma série de sucesso da sua mulher.

O motivo é que depois do acidente que deixou Verity inválida, ela parou de publicar os livros e então seu marido, Jeremy, teve a ideia de contratar uma escritora para finalizar a série. Cotada como a melhor pessoa para tal privilégio, Lowen, que está cheia de dívidas, sem emprego e sendo ameaçada de despejo, não consegue recusar a proposta que irá lhe tirar do sufoco financeiramente falando.

Para isso, ela é convidada por ele para passar uns dias em sua casa e ter acesso ao escritório de Verity e assim conhecer mais da autora, se familiarizar com as ideias dela acerca de tudo e para que possa ler os primeiros livros da série a fim de que, conhecendo melhor a história, possa dar uma melhor continuidade ao trabalho inacabado da sua esposa.

Assim, Lowen o faz! E mesmo super desconfortável com aquela situação e insegura quanto a aquilo realmente dar certo, ela aceita o desafio. Mas, o que ela encontra vai muito além do que ela imaginava. Revirando o escritório da mulher que perdia os últimos anos da sua vida em cima de uma cama, ela encontra um manuscrito que Verity conta sobre a sua relação com Jeremy desde o primeiro encontro, até o momento do seu acidente. E o que vamos presenciar a partir daí é uma série de fatos que nos mostra que Verity não é tão perfeita quanto todos pensam e que ela esconde, não só segredos, mas uma personalidade de dar medo.

Atordoada e sem saber se conta ou não para Jeremy que sua mulher não é quem ele pensa, ela descobre também que os dias atuais da própria Verity escondem segredos que podem colocar todos naquela casa em risco. O desenrolar é eletrizante e quanto mais a leitura avança, mas queremos saber o que realmente está por trás de tudo e como aquilo vai acabar.

O final foi de cair o queixo. Colleen trouxe o que ninguém esperava e ainda lançou duas hipóteses para um desfecho que quando achávamos que tudo fora desvendado, uma carta aparece e muda todo o conceito que tínhamos criado. Foi como se ela tivesse nos dado mais uma peça para um quebra-cabeça que aparentemente estava montado. E agora, como encaixar mais aquela nova peça? Pois bem, eu embaralhei tudo e montei o meu final!
Uma cartada de mestre? Claro! A autora usou diferentes "armas" para criar dois finais extremamente possíveis e que no final coube a nós, meros leitores, decidirmos de que lado estávamos!
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A partir daqui vou deixar minha opinião e... CONTEM SPOILER!
Se você não leu o livro, sugiro que leia até o parágrafo acima!!

(...) bom, diante de um final onde a autora deixa duas hipóteses sobre a realidade da história, há quem tenha defendido a teoria do manuscrito e há quem tenha ficado do lado da teoria da carta! Eu faço parte do segundo time.
Por quê?

Bem, porque três situações ficaram permeando em minha cabeça, me levando a defender Verity e a veracidade da carta, são elas:

1. Acreditar no manuscrito seria subestimar a inteligência da própria autora e o poder dela de agregar surpresa à sua história, assim como também o poder que vai muito além de surpreender, mas de impactar! Se eu acreditasse na versão do manuscrito, em nada seria uma surpresa o desfecho do livro porque durante toda a trama, a autora pinta Verity como a pior pessoa do mundo, lemos o livro inteiro a odiando e desprezando suas atitudes e sua mente doentia. Qual a surpresa o final nos traria se o manuscrito fosse verdade? Apenas que Verity era mesmo tudo aquilo e fim! E não é essa sensação de desfecho que eu quero ter porque sei do potencial de Colleen e do quanto ela não queria que as coisas fossem tão óbvias. Então sim, eu prefiro acreditar na reviravolta e acreditar que a autora soube nos enganar, porque é em cima disso que o thriller funciona: além de envolver, brincar com o leitor e surpreender!

Sem falar que devemos estar sempre atento ao que está muito óbvio e ao que o autor está nos levando a acreditar, quem lê muito thriller sabe disso, muitos autores nos conduzem facilmente para o caminho que ELES querem que acreditemos e isso ficou bem claro aqui, o enredo nos levou a acreditar no pior lado de verity o tempo inteiro, então na minha cabeça acostumada a esse tipo de leitura (suspense/mistério), já estava aguardando a surpresa e reviravolta... E achar que Colleen nos presenteou com uma bela dose de impacto também contribui para minha defesa da versão da carta, haha

2. A incógnita chamada Jeremy! Fiquei com o pé atrás com esse personagem o livro inteiro e quando ele confessou que não foi a mulher que leu os livros de Lowen e sim ele, deixou bem claro que havia muito mais por trás do interesse dele na estadia de Lowen à casa deles. Na minha hipótese, Jeremy não era tão mocinho assim. E querem saber de mais?
Jeremy tinha o manuscrito nas mãos e com isso, tudo que ele precisava para fazer Verity pagar pelo que supostamente ele acreditava que ela havia feito. Com o manuscrito ele poderia usar o que ela mesma escreveu contra ela, então por que ele preferiu matá-la se poderia seguir por um caminho muito mais justo que seria colocá-la atrás das grades? Isso deixou bem claro a personalidade ruim do personagem. O manuscrito o colocava como vítima, ele tinha tudo nas mãos, por que escolheu o pior caminho? Na minha cabeça, porque ele sabia que ela poderia algum dia contar pessoalmente a polícia justamente tudo que estava na carta e todos saberiam que ele provocou o acidente dela, tornando indiferente e sem sentido a versão do manuscrito.

3. Acho que a capa já é um próprio spoiler e aquela cena reitera minha versão dos fatos kkkkkkkk. A cena faz parte da versão da carta e... paro por aqui pra não falar demais rs.

Resumindo, minha opinião é que Verity foi vítima da própria história!

Sou fã de Colleen assumidíssima e thriller é um gênero que eu amo. Então vocês podem imaginar o que eu senti unindo essas duas coisas num livro só. Gostei demais de Verity e gostaria de ver a autora em outros livros desse gênero, afinal ela nunca decepciona.