[Resenha] O ar que ele respira - Brittainy C, Cherry!

Título: O ar que ele respira

Autora: Brittainy C. Cherry

Editora: Record

Resenha: Elizabeth perdeu o seu marido em um trágico acidente e só depois de um ano consegue voltar para a cidade em que morava com ele. Ao lado de sua filha, Emma e cansada de viver no passado, ela deixa a casa da sua mãe onde ficou todo esse tempo e volta para tentar recomeçar sua vida.

Ao voltar, percebe que tudo continua como ela deixou, desde tudo que há na casa, como fora dela e assim também na cidade inteira, a mesma rotina, os mesmos vizinhos fofoqueiros... a não ser... seu novo vizinho.

Tristan é o assunto na cidade, morador recente do lugar, vai parar bem ao lado da sua casa. Mas o que ela não esperava era que ele fazia jus a todos os comentários maldosos da cidade, comentários esses de que ele era uma pessoa grosseira, triste, sempre de mau humor, sempre agressivo, sempre na defensiva.

Inevitavelmente o casal de vizinhos precisa promover algumas trocas, já que moram lado a lado e é nesses momentos raros em que eles mantém o mínimo de contato, que uma aproximação, mesmo sem que eles percebam, acontece.


Com o passar do tempo Elizabeth vai percebendo que ele tem feridas tão abertas quanto as dela e entende o seu jeito arredio e sua forma desesperada de evitar novas emoções. Assim como o leitor vai entendendo também que Tristan teu os seus motivos para ser tão recluso e antissocial, mesmo que para isso ele tenha alguns tipos de comportamento que pelo menos – no meu ponto de vista – eu não aceitaria. Entenderia, porém, não aceitaria.

Com capítulos intercalados entre o ponto de vista dos dois, vamos conhecendo suas dores, medos, a forma como cada um lida com suas emoções e o quanto ambos estão quebrados por dentro - e da sua forma particular. Mas vamos vendo também a tentativa deles para reconstruir cada pedacinho que foi quebrado e juntos, acabar com a dor que eles carregam e que é tão similar.

Livro com uma carga dramática bem intensa, mas sem deixar de ser leve. Os personagens secundários, inclusive a pequena Emma, dão um toque todo descontraído para uma trama que por si só já é carregada de dor... numa história que traz pontos importantes e que foram muito bem abordados como perdas, luto, recomeços, o julgamento por aparências e o amor que pode sim, nascer da dor.

O plot no final ficou bem bacana. Ver como às vezes o destino se encarrega de colocar as pessoas certas, na hora certa, foi bem legal de acompanhar. E constatar como o mundo é realmente pequeno, foi mais interessante ainda.

“O ar que ele respira” é o primeiro de uma série de quatro livros, onde cada um faz referência a um elemento da natureza, sendo eles: ar, fogo, água e terra. Embora se trate de uma série e intitulada de “Elementos”, os livros não se tratam de uma continuação e, portanto, podem ser lidos separadamente.

Recomendo!

[Quote] Tarde Demais - Colleen Hoover!

"O amor não deve ser mais um peso. Deve fazer você se sentir leve como o ar." 

"O amor encontra você nas tragédias. Certamente é onde Carter me encontrou."

"Ele me abraça com firmeza, sem dizer uma palavra, embora eu consiga sentir tudo o que ele está dizendo.”

"Acho que essa é a diferença entre ser amada do jeito certo e do jeito errado. Ou você se sente amarrada a uma âncora… ou sente que está voando"

"Ninguém deveria levar uma vida sem nunca se sentir verdadeiramente cuidado – nem mesmo pelos pais que o criaram. E, no entanto, vivi isso durante vinte anos. Até este momento.”

"O amor não é encontrado. O amor encontra. O amor o encontra no perdão após uma briga. O amor o encontra na empatia que você sente por outra pessoa. O amor o encontra no abraço que vem depois da tragédia. O amor o encontra na celebração depois de derrotar uma doença. O amor o encontra na devastação depois de se render a uma doença."

[Resenha] Mentiras Incendiárias - Jennifer Lynn Alvarez!

Título: Mentiras Incendiárias

Autora: Jennifer Lynn Alvarez

Editora: Faro Editorial

Resenha: Era para ser só mais um verão divertido para o grupo de amigos apelidados carinhosamente como “Monstros”: Hannah, Mo, Violet, Luke e Drummer, mas ao escolherem mergulhar no Lago Gap - que é rodeado por uma floresta -, naquele dia fatídico em que a temperatura batia quarenta graus numa cidade da Califórnia em que a seca causou uma temporada de incêndios naquele ano, exatamente tudo, não saiu como o esperado.


Num momento em que Luke, o mais desajustado do grupo resolve fumar seu cachimbo, uma discussão é travada e Hannah, que é a filha do xerife e quem mais entende dos riscos de se fazer tal coisa num lugar vulnerável à incêndios, parte para cima dele obrigando-o a apagar o cachimbo e é quando ele cai e brasas se espalham pela grama seca... E esse foi só o começo dos problemas, afinal “TUDO começou com uma chama”.

O grupo de amigos se desespera e nem tentando apagar a chama com a água que eles tinham levado ou criando um aceiro, deu certo... logo abandonam imediatamente o local.

Imaginando que aquele foco não traria danos maiores, os cinco resolvem mentir sobre nem terem estado lá e combinam a mesma versão dos fatos, pois sabem que mesmo sendo acidental, é um incêndio criminoso e os responsáveis precisam pagar, mas assumir a culpa seria arcar com as consequências de ter seus futuros comprometidos na faculdade, além de serem presos, o que seria muito pior.

Só que o que na cabeça deles parecia algo que logo, logo estaria controlado, toma proporções gigantescas e além de cidades atingidas e sendo evacuadas, inúmeros estragos, animais mortos e pessoas que também estavam morrendo... a situação estava completamente longe, tão quanto difícil, de chegar ao controle!

E é aí que as relações do grupo começam a se estremecer e uma luta interna em cada um é travada, o medo chega junto com os desentendimentos, com máscaras sendo caídas, quebra de juramento e ameaças, que quanto mais eles tentam manter a calma e suas versões em perspectiva, nem todos vão concordando com o desenrolar, enfiando o grupo de jovens numa teia de mentiras, que quanto mais eles buscam soluções de deixá-los livres das acusações, mais perto as investigações vão chegando neles.

Todas as atenções da cidade estão no incêndio, nas consequências e fatalidades, até que a atenção da mídia assustadoramente se volta para Violet, que do sótão da sua casa, desaparece um dia antes de dar seu depoimento à polícia, deixando poucas pistas e nenhum dos Monstros sabe explicar o que aconteceu ou onde ela foi parar.

O final é muito surpreendente e em momento nenhum chegamos nele sabendo o que de fato aconteceu, mesmo criando várias hipóteses, é fato que nenhuma se aproxima verdadeiramente da real. Preciso ressaltar que não consegui odiar Hannah, ela é uma personagem tão perfeitamente construída, que você vai criando apego por ela e mesmo diante de como tudo aconteceu e de muita gente até pintá-la de vilã, consegui entender todas as suas motivações – o que não quer dizer que aceito.

O enredo é MARAVILHOSO e quanto mais as investigações avançam, tanto do incêndio, quanto do desaparecimento de Violet, a trama vai ficando mais movimentada e atiçando a nossa curiosidade e tudo que o leitor quer é saber qual a relação entre os dois fatos, como e o porquê.

Questões como incêndios florestais, honestidade nas punições pelos órgãos responsáveis (achei genial Hannah ter a consciência de que sua barra não estaria limpa por ser filha do xerife, muito pelo contrário), além de questões sobre lealdade, amizade, mentiras, inveja, serem também muito bem abordadas.

Uma história que além de interessantíssima, é necessária! Eu não tenho palavras para grandeza dessa obra que é, de longe, uma das melhores publicações da Faro! Fiquei imensamente surpreendida de ver que é o livro de estreia da autora, pois ela tem a habilidade de quem escreve há anos, nasceu mesmo para isso, “Mentiras incendiárias” traz uma trama criativa, gostosa de ler, que te intriga e vicia!

Amei cada página e sou grata pelos encontros incríveis com esses livros maravilhosos que eu vou tendo ao longo do tempo que eu dedico a eles ♥️
Merecia demais ser adaptado, recomendo muito!!

[Resenha] Pequenos Incêndios por toda parte - Celeste NG!

Título: Pequenos incêndios por toda parte

Autora: Celeste NG

Editora: Intrínseca

Resenha: Shaker Heights é uma cidade extremamente organizada, tudo é planejado e o nível dos moradores é altíssimo. É nela que mora a família de Elena Richardson, jornalista, rica e que vive com seu marido e seus quatro filhos, Lexie, Trip, Moody e Izzy desde sempre inteiramente acostumados a seguir às regras da cidade, sendo até o maior exemplo de perfeita família para todos.


Mia Wallace é artista e vive da sua arte. Tem uma filha chamada Pearl e as duas, desde o nascimento da garota, não criam raízes em lugar nenhum. Mia e Pearl estão sempre se mudando e quase nunca criam laços por onde passam. É quando procurando o próximo lugar para morar, elas vão parar em Shaker Heights e se tornam inquilinas de Elena, que possui uma casa para aluguel. Mesmo não tendo muito dinheiro para alugar uma casa num lugar sofisticado daqueles, Elena baixa o preço quando conhece a história delas e fica ao mesmo tempo que compadecida, chocada com o estilo de vida que as duas levam.

Enfatizando um acontecimento importante no início da história, a premissa do livro parte de um incêndio intencional e o enredo conta a história das duas famílias desde a chegada de Mia e Pearl à Shaker Heights, até esse evento drástico. É quando a autora volta alguns meses e nos conta desde quando a relação entre as duas famílias tem início até o momento onde um dos filhos de Elena ateia fogo na própria casa.

A chegada de Pearl desperta muito interesse nos filhos de Elena, assim como a menina fica encantada com a grandiosidade e estilo de vida que o casal e os filho dos Richardsons leva. Izzi é a mais destemida dos quatro e é a que mais foge dos padrões da família, vive cansada de ser a excluída e sempre a decepção dos pais, a garota cria apego a Mia e encontra nela carinho e aconchego, coisas que nunca teve em sua casa, principalmente com a sua mãe.

Em paralelo a história dessas duas famílias, também vamos conhecer outros personagens, uma delas é Bebe Chow, uma chinesa que sem condições alguma de cuidar da própria filha, a deixa na frente do corpo de bombeiros da cidade na esperança de que ela sobreviva! Algum tempo depois, quando sua fase mais difícil passa e ela consegue um emprego, começa a procurar sua filha para tê-la de volta, mas a criança já foi adotada por Linda e Mark McCullough, também moradores de Shaker Heights e amigos dos Richardsons. Com isso, um caos é instalado!! A família se envolve no caso, uma vez que o Sr. Richardsons se torna o advogado dos McCullough.

O caso ganha a mídia e esse é o principal assunto dos telejornais. De um lado a mãe adotiva que não aceita devolver a bebê e do outro lado a mãe arrependida brigando pelo direito de ter sua filha de volta. A situação pode piorar? Pode! Para completar a confusão, Mia trabalha no mesmo lugar que Bebe e ao saber de toda a história também entra na confusão para tentar ajuda-la. É aqui que temos um confronto onde Elena Richardsons ao saber do envolvimento de Mia, tenta de todas as formas barrar a mulher, nem que para isso precise fuçar o seu passado e descobrir seus segredos!

Bom, quando a imagem da cidade parece estar ameaçada, os segredos sobre o passado de Mia também começam a correr o risco de virem à tona. Ao passo que há uma questão a ser resolvida e sendo bastante debatida na mídia envolvendo a bebê de Bebe, Mia luta para manter seus segredos onde deveriam estar. E assim também vamos descobrindo que Shaker Heights não é esse lugar perfeito que todos pintam, na sua aparência nota-se finesse, calmaria, mas o que muitos não sabem é que seus moradores escondem segredos pra lá de dramáticos.


Como nem tudo são flores, Elena para ajudar sua amiga a ganhar o processo no julgamento, descobre os segredos de Mia e a ameaça, tudo para que a mulher saia da cidade e não atrapalhe o caso. Só que a descoberta desse segredo, não só obriga mãe e filha a sair às pressas e sem rumo da casa, como também estremece a relação de mãe e filha, que só é resolvida quando Mia é obrigada a se abrir com Pearl e juntas deixam a cidade, deixando para trás as relações que a garota tanto gostou de construir pela primeira vez na vida, mas lhe dando a oportunidade de conhecer mais sobre alguém mais importante, seu pai.

Narrado em terceira pessoa e de uma narrativa muito boa, objetiva e com personagens muito bem construídos, o livro traz assuntos intensos como maternidade, estereótipos, quebra de regras, ruptura de convenções, autodescobertas, além de representatividade, independência e o poder da mulher de ser o que ela quiser.

Não é um suspense repleto de adrenalina, a história é muito mais interessante que frenética, mas é um enredo que nas suas particularidades nos ensina muito sobre relações e até recomeços, afinal, às vezes é através dos pequenos grandes incêndios que todos os contratempos têm uma chance de voltar à normalidade.

O livro foi adaptado e ganhou uma série que está disponível no Prime Vídeo. Já assisti e amei! Muita coisa, como sempre, ficou BEEEM diferente, porém, Reese Witherspoon como excelente produtora que é, deixou a série tão boa quanto o livro mesmo com as diferenças e inclusive, em alguns momentos ainda preferi a versão da série. Recomendo os dois, são ótimos!

Recomendo!

[Resenha] Um de nós é o próximo - Karen M. McManus

Título: Um de nós é o próximo

Autora: Karen M. McManus

Editora: Galera

Resenha: Quem leu “Um de nós está mentindo” vai gostar ainda mais desse livro aqui. Como bem sabemos, Simon morre no livro citado acima, mas o que muitos achavam é, que com ele, se fora todos os problemas do Colégio Bayview em termos de fofoca, afinal o aplicativo “Falando Nisso” deixara de funcionar.
Todo o grupo do livro anterior seguiu seu rumo, neste aqui teremos capítulos intercalados entre o ponto de vista de três protagonistas, Maeve (irmã de Bronwyn), Phoebe e Knox que serão os principais alvos de alguém muito determinado a continuar e zelar pelo legado de Simon, prometendo voltar a abalar as estruturas do Colégio. Agora não mais com um aplicativo de fofocas, mas um jogo: Verdade ou Consequência e as regras são claras: Se escolher consequência receberá um desafio, que deverá ser cumprido em 24 horas e se escolher Verdade, bom, já sabemos o que acontece, seus segredos serão expostos para a escola inteira.

No desenrolar do livro vamos vendo que quem está por trás desse jogo é alguém que quer muito se vingar pelo que aconteceu com Simon e com a chegada do desafio para os escolhidos, novas confusões vão sendo criadas, verdades escancaradas e só isso é suficiente para trazer o pavor de volta, aquele que todos queriam esquecer.

Tudo ia acontecendo perfeitamente como o ditador das regras planejara, até o momento em que a situação saiu do controle e ao passo que Knox resolveu não escolher nem Verdade e nem Consequência, todo o jogo começou a desandar... até uma morte acontecer.

O final foi incontestavelmente um dos melhores finais de suspense que já li, ficou interessante demais o que a autora conseguiu fazer: nos fazer riscar TODOS os nossos suspeitos da lista com aquele desfecho.

Foi muito interessante também os ganchos criados pra trazer de volta, em alguns momentos, os personagens do livro anterior, todas as referências a eles engradeceram e muito a história. Foi muito bacana principalmente acompanhar Maeve e Bronwyn juntas novamente.

A autora em nada ficou a desejar, muito pelo contrário, entregou além do que eu imaginava, todas as minhas suspeitas se tornaram ridículas perto do que foi aquele final, que em sua genialidade, nos trouxe o que todo leitor de suspense gosta: de ser surpreendido.

Achei um livro movimentadíssimo e ainda tenho dúvidas de qual gostei mais. Nesse aqui tem um plot twist inimaginável, o desfecho de “Um de nós é o próximo” vai deixar qualquer um de queixo caído. Nesse, Karen M. McManus segue o mesmo ritmo frenético do anterior e com os ingredientes certos de um bom suspense, daqueles que você não consegue parar de ler até unir todas as pontas.

Vale lembrar que esse mês sai, na Netflix, a série adaptada de “Um de nós está mentindo” e eu não vejo a hora de ver a minha turminha nas telinhas, estou com altas expectativas!

Livro Recomendadíssimo!

[Resenha] Antes que você saiba meu nome - Jacqueline Bublitz!

Título: Antes que você saiba meu nome

Autora: Jacqueline Bublitz

Editora: Faro Editorial

Resenha: Em “Antes que você saiba o meu nome” vamos conhecer e acompanhar a história de duas mulheres, que nunca sequer se viram na vida – mas que seus caminhos são cruzados para sempre. Tudo tem início quando Alice Lee, de apenas 18 anos, desamparada, chega a Nova York, buscando uma nova vida. E Ruby Jones, que também chega ao mesmo lugar, tentando se recuperar de uma relação com um homem comprometido e na qual já estava passando dos limites. É quando, coincidentemente – ou não – Ruby, num dos seus dias de corrida, encontra o corpo de Alice às margens de um rio e a vida da corredora nunca mais foi a mesma.


A partir daí o que temos é uma explicação minuciosa sobre a vida das duas, o modo em que viviam, com que se sentiam solitárias, cada uma a sua forma.

Alice que cresceu sem uma estrutura familiar e foi abandonada até pela sua cuidadora, sem muitos amigos, ainda foi alvo dos interesses sexuais de um professor mais velho, enfim, depois de ser até dispensada por ele, foi deixa à própria sorte.

Ruby tem um relacionamento em que sempre foi A outra e cansada de estar sempre em segundo plano, resolve ir para longe, deixando tudo para trás. Ela só não sabia que, ali naquele dia fatídico, além de encontrar o corpo da pequena Alice, ela iria encontrar o rumo para a sua vida também.

No desenrolar do livro, a conexão entre as duas mulheres vai se linkando de forma surpreendente, quando a gente vai entendendo porque o caminho delas tinham que se cruzar – mesmo que naquelas circunstâncias – a gente vai dando mais valor aos acasos e à mensagem que diz que tudo tem hora e lugar. Ruby foi a pessoa certa na hora certa na vida de Alice. Talvez elas pudessem ter se encontrado em outras condições, tudo poderia ter sido lindamente um encontro de almas findadas a serem amigas por toda uma vida, mas ninguém muda o destino e as coisas acontecem devidamente como deveriam. Não foi o encontro que nenhuma das duas gostaria de ter tido, mas o universo se encarregou de lhes mostrar por que uma tinha que inevitavelmente cruzar o caminho da outra. Ruby deu a liberdade e justiça que Alice precisava para seguir.


O que mais me chamou atenção foi como a autora construiu a narrativa. Achei excelente o enredo ser narrado pela visão de Alice, isso permitiu nos passar de forma palpável o drama e as emoções da personagem! A narrativa fala diretamente com você e isso nos coloca tão perto dos sentimentos de Alice, como por muitas vezes, até no lugar dela. Achei de uma ideia genial e original.

O livro é todo voltado para o mistério que envolve a morte da protagonista, mas sobretudo tem uma carga emocional gigante, uma vez que nos coloca dentro da cabeça dela e entendemos – e sentimos junto - perfeitamente os seus anseios, dores, sentimentos de perdas e injustiça, bem como desejo de justiça também, que permeiam sua cabeça. Enredo visceral e extremamente feminista, nos passa de forma realista como as mulheres são tratadas desde que o mundo é mundo, mas fica também a mensagem escancarada das consequências desse tratamento ainda não ter a devida atenção, o que nos faz querer ainda mais soltar àquele grito preso na garganta por liberdade de ir e vir quando e como quiser e ter respeito acima de tudo.

Ler esse livro vai te fazer colocar-se no lugar de tantas outras mulheres, que como Alice, foram tiradas o direito de viver e muitas vezes sem nem ter a oportunidade que ela teve: de mostrar quem foi em vida e partir em paz! Nos faz refletir sobre quantas Alices existem por aí, sem direito a desfrutar da própria vida e vítima de homens e/ou desconhecidos que acham que tem o poder de tirar-lhes o direito de viver como e quando desejam e ainda colocam a mulher como um ser vulnerável e incapaz de se defender. A trama ainda salienta de forma dura a angústia que se aflora diante de situações em que os corpos de vítimas não são identificados – para quem conheceu a vítima e (vai saber...) até para ela mesma... afinal, todos deveriam ter o direito de serem lembrados. No mais, uma crítica social indispensável.

Achei uma história com uma mensagem maravilhosa, real e antes de tudo, necessária. A escrita da autora é apaixonante, intensa e muito envolvente!

Livro recomendadíssimo!