[Resenha] A Última Carta de Amor - Jojo Moyes!

Título: A Última Carta de Amor

Autora: Jojo Moyes

Editora: Intrínseca

Resenha: Depois de sofrer um acidente, Jennifer Stirling não se lembra de nada da sua vida, não sabe quem é sua família, seus amigos e nem onde mora! Não possui sequer lembranças se tem um emprego, filhos e marido!

No hospital, depois de receber alta, um homem aparece dizendo ser seu marido e a leva pra casa. É quando revirando seu quarto, tentando encontrar algo que a faça se lembrar de quem ela é e da vida que ela levava, começa encontrar cartas escondidas endereçadas a ela que revelam que ela estava vivendo um romance fora do casamento. Todas as cartas eram assinadas por B. e traziam mensagens de amor e esperança de que o casal finalmente ficasse junto!


Paralelo a isso, 4 décadas depois, a jornalista Ellie Haworth, encontra nos arquivos do jornal em que trabalha um compilado de cartas endereçadas à Jennifer e ao abrir uma carta e ver do que se tratava, ela fica mexida, curiosa e decidida a tentar entender o que aconteceu aos protagonistas daquela história de amor – aparentemente proibida. Ellen vive uma situação parecida com a de Jennifer e isso a motiva ainda mais a dar um final feliz para aquela história.

Por outro lado, cada vez que a narrativa volta para 40 anos atrás vemos a história se desdobrar em dois tempos diferentes. Antes do acidente, para que entendamos o começo de tudo, como Jennifer e B se conheceram e para onde ela estava indo quando o acidente aconteceu. E após o acidente, mostrando uma Jennifer confusa e lutando para se adaptar ao passo que tenta descobrir porque ela traia o marido e se B é alguém do seu ciclo de amigos!

Curiosa para desvendar o que agora para ela é um mistério, a mulher vai descobrindo que o seu casamento com o seu marido não era mais um mar de rosas e ela estava apaixonada por quem assinava as cartas como B.! Agora ela só precisava saber como juntar todas as pontas soltas para chegar em quem, já ficou claro, é o amor da sua vida!

O final é surpreendente! Jojo conseguiu unir presente e passado de forma incrível e o que para Ellen aparentava ser somente a busca por um casal que se amava e que possivelmente lutava para ficar juntos, revelou mais que isso: Deu a jornalista a chance de olhar melhor para dentro e encontrar nessa história também o melhor desfecho para a sua.

Diante dessa passagem de tempo a autora nos presenteia com a visão dessas duas personagens que vivem realidades diferentes, em épocas diferentes e isso foi genial de comparar!


A última carta de amor é uma história sobre idas e vindas, sobre independência feminina e os avanços pelos quais a mulher passou para ter, sozinha, seu lugar ao sol. Uma história muito além de ser só sobre traição, mas de paixão, decisões, coragem e ousadia e que nos estimula a refletir sobre temas importantes, desde preconceito social à recomeços!

Essa história mexeu numa ferida muito particular minha. E embora tenha doído um pouco, me fez enxergar as coisas por uma outra ótica. Aquela que diz que: Não importa o tempo que passe, ninguém é capaz de mudar o destino. Isso renova as esperanças!

Esse foi meu primeiro contato com a escrita da autora. Eu já imaginava que gostaria, por tudo que a gente já ouviu falar e conhecia dela internet afora, mas não imaginava que gostaria nesse nível! A escrita de Jojo é maravilhosa e te envolve demais. Enquanto você não começa entender o enredo, você não sossega... e daí quando de fato começa juntar o quebra-cabeças, fica impossível não aflorar seu lado investigador! Quando o News of the world disse que é impossível largar, eles não estavam brincando, haha!

Um livro que vai fazer você vai repensar o significado de casamento e acreditar em amor que transcende décadas e rompe barreiras. Além de acreditar naquela frase clichê quando diz que: tudo tem seu tempo!

E tem mesmo!

Ps. O livro foi adaptado e logo, logo poderemos conferir como ficou!

Até lá!

[Resenha] Um Lugar Bem Longe Daqui - Delia Owens!

Título: Um Lugar Bem Longe Daqui 

Autora: Delia Owens 

Editora: Intrínseca 

Resenha: Kya é uma criança de 6 anos que desde muito cedo teve de lidar com o abandono e a aprender a se virar. Primeiro abandonada pela mãe, que sem olhar para trás, sequer disse adeus aos filhos e depois abandonada pelos irmãos e pelo pai alcoólatra - que um a um -, foram seguindo seus rumos sem se importar se a caçula ficaria sozinha - no barracão -, em um brejo. 


A criança cresce sem qualquer companhia, sem tecnologia, sem escola, tendo que se adaptar àquela vida para sobreviver, indo em busca do seu próprio alimento, tornando o brejo o seu único lar. E é maravilhoso notar que a partir dali ela consegue crescer criando uma conexão imensa com a natureza e com tudo acerca dela. 

“A natureza tinha cuidado dela, protegera-a e fora sua professora 
quando ninguém mais quisera fazê-lo.” 

Como em meio a qualquer tempestade, a gente sempre consegue tirar algo bom, algumas - boas - pessoas cruzam seu caminho e dois personagens ganham destaque junto com ela: Tate, um garoto que conheceu enquanto dava uma volta de barco e com quem cultivou uma bonita amizade. Tate lhe ensina a ler e lhe ajuda muito com alimentação. E Pulinho, dono de um posto. É um bom homem, lhe ajuda com gasolina e compra os frutos do mar que ela pesca para vender. 

Paralelo a isso: alguns anos depois, com Kya já bem crescida, a história nos apresenta um mistério! O corpo de um rapaz fora encontrado no mesmo lugar em que Kya vive e há a existência de um colar nele, o que sugere que esse rapaz morto tinha - ou já teve -, algum vínculo com ela. E várias hipóteses são levantadas acerca desse fato que, as autoridades sequer conseguem definir como acidente ou homicídio. Não há provas sobre o porquê e como aquilo aconteceu e tampouco, provas concretas que liguem Kya ao caso. Porém, é pra cima dela que as autoridades vão, com o objetivo e pressa em concluir o caso - uma vez que trata-se da morte de uma pessoa influente no vilarejo. 

Diante disso, vamos de um lado acompanhando as investigações do caso, o infeliz julgamento que as pessoas tinham com Kya e que, diante desse preconceito, só ofereciam maldade para quem era para eles somente a Menina do Brejo. E do outro vamos vendo o crescimento da personagem, que cresce não só como pessoa, mas como artista. Ninguém melhor que ela conhecia cada criaturinha que no brejo nascia e crescia, então ninguém melhor que ela para colocar aquilo no papel. Ela só precisou de alguém que notasse isso e a fizesse reconhecer o dom que ela tinha... e assim nasceu a Kya escritora. 

É impossível não sentir empatia pela personagem, principalmente porque acompanhamos de forma tão minuciosa o sofrimento, carência e batalha dela pra tocar a vida sozinha. Você se envolve – inevitavelmente – com sua história de vida e num nível que é impossível também não torcer, sob quaisquer circunstâncias, por ela! 

As revelações perto do final trouxeram um plot twist inacreditável. O desfecho do assassinato, aliado ao desfecho de Kya criou uma atmosfera genial e inigualável que só se estendeu com maestria até a última linha. 

Kya foi uma personagem que, definitivamente, foi uma das melhores que já conheci. Guerreira, inteligente, sagaz, corajosa e ousada! A autora soube desenvolver perfeitamente bem o crescimento e amadurecimento dela e quanto mais lembrarmos dessa personagem e da vida que ela levou, mais iremos amar a menina que teve que lidar desde muito criança com a solidão e se tornar parte da natureza para sobreviver. 

Delia Owens soube equilibrar bem o mistério e o drama e sua escrita foi um dos elementos que mais gostei nesse livro. Que autora gigante e maravilhosa! Um enredo surpreendente em que o drama em nada ficou forçado ou cansativo e o mistério em nada ficou a desejar - numa trama interessante, criativa, movimentada e até poética. As cenas em que presenciamos essa pegada mais intimista e reflexiva, só acrescentou à história. As descrições acerca da ambientação foram de uma feição incontestavelmente perfeita! 

Essa resenha é de uma leitura de 2020 e que, inclusive, foi uma das melhores do ano. Kya é uma personagem que ficará marcada para sempre na vida de quem conhecê-la, numa história que vai te fazer refletir por muito tempo - principalmente sobre empatia, possibilidades e sobre como coisas tão pequenas podem fazer uma diferença enorme na vida de alguém! 

Livro de mensagem maravilhosa. Para quem soube apreciar.

[Resenha] Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll!

Título: Alice no País das Maravilhas 

Autor: Lewis Carroll 

Editora: Faro Editorial 


Resenha: Escrito em 1865 e considerado um dos grandes clássicos da literatura, “Alice no País das Maravilhas” é de um sucesso atemporal e segue atravessando gerações, conquistando desde crianças à adultos! 

Tudo começa quando, sentada à beira de um rio com a irmã e entediada por não ter o que fazer, Alice se levanta para procurar algo mais atrativo e vê um coelho passar apressado. Curiosa, a garotinha o segue até uma toca e ao ver o coelho entrar, ela também entra e é aí que a aventura de Alice está só começando. 

O poço não parece ter fim e quando ela acha que já viu tudo de mais estranho que poderia ver, percebe que lá no subterrâneo nada faz sentido, tudo escapa da sua compreensão, num mundo em que parece desafiar as leis da física e da lógica! É o verdadeiro País das Maravilhas! De início ela se sente desconfortável e assustada, mas conforme Alice anda - procurando entender a estranheza do lugar - e se encontra com outros seres, mais ela se vê fascinada com tudo! 

Comidas e bebidas que a faz mudar de tamanho, animais que falam, gato que ri sem parar, cartas que falam e se movimentam, roseiras que se mexem como gente e muito mais... tudo bem trabalhado em personagens atrativamente muito bem criados, que vão desde a Lagarta, o Chapeleiro Maluco à terrível Rainha de Copas. 


Não vou entrar em muitos detalhes, pois nada que eu diga parecerá estranho ou nunca conhecido/visto por você que está lendo. Até quem nunca leu, já deve ter assistido ou ouvido falar na garotinha loira e entediada que vai parar num mundo fantástico e novo, onde nada parece ser real, mas que é extremamente interessante e divertido ao mesmo tempo! 


Abordando as mais diversas temáticas e com diálogos improváveis, aparições surpreendentes e muito humor, o autor construiu uma narrativa extraordinária, num universo criado para nos distrair e despertar – com maestria – a nossa imaginação.

A edição da Faro, como sempre, de tirar o chapéu e pra ninguém botar defeito

[Resenha] O Corvo - Edgar Allan Poe!

Título: O Corvo 

Autor: Edgar Allan Poe 

Editora: Faro Editorial | Clássicos 

Sinopse: “Escrito há quase duzentos anos, esse poema atravessa gerações e continua sendo um marco da literatura mundial. Imprescindível para todos os apaixonados por literatura, O Corvo é considerada a obra-prima de Edgar Allan Poe. Mesmo tendo escrito diversos livros e contos, nenhuma outra história atraiu tantos leitores e tamanho respeito pela crítica especializada. Um homem atormentado pela morte da amada é despertado pelo barulho incessante de um corvo e a trama que se desenrola no poema demonstra tanto a genialidade do autor quanto os demônios que ele carregava. Dizem que a vida imita a arte, mas nesse caso, a arte imitou a vida. O Corvo foi publicado dois anos após a morte precoce da esposa de Poe. E, como muitas vezes acontece, o autor não teve tempo para ver o sucesso de sua obra. Morreu na miséria e sem saber que seu corvo atormentaria muitas outras almas mesmo anos depois de sua morte.”


Resenha: O corvo trata-se de um poema carregado de melancolia, onde o Eu Lírico demonstra as suas emoções e sofrimento pela morte da sua amada e onde se encontra mergulhado numa camada de dor causada pela perda insuperável. Paralelo a isso, ele recebe a visita de um corvo bem peculiar que entra subitamente em sua casa, dando batidas na porta e assim eles passam a conversar. O corvo sempre repetindo a mesma frase, numa construção ritmada, lhe dá uma ideia de que veio trazer-lhe uma mensagem e isso transforma toda a atmosfera num clima tenso, amargurado, denso, desesperador e instigante. 

Uma obra completa para quem quer conhecer o autor e seu estilo de escrita. Para quem se permite sentir e compreender a mensagem! 

Um livro rápido, de 108 versos, divididos em 18 estrofes, mas é incrível o quanto a gente vai lendo ele bem devagarzinho pra conseguir captar tudo que existe por trás das palavras do autor que foi um dos maiores nomes da literatura mundial e de sucesso atemporal! 

Sempre tive vontade de ler algo do Poe e encontrei em ‘O corvo’ uma belíssima oportunidade, gostei muito da experiência! A edição, como todas da Faro, está linda demais. Capa dura, bilíngue e com tradução de Thereza Christina Rocque da Motta, a editora trouxe um visual gótico, com ilustrações primorosas que vão te deixar alguns bons segundos olhando para elas e isso foi de uma riqueza tão incrível que quanto mais você olha, muito mais você vê, é incrível a singularidade! Indiscutivelmente uma das melhores edições da Editora!

Recomendo!

[Resenha] Rio Vermelho - Amy Lloyd!

Título: Rio Vermelho

Autora: Amy Lloyd

Editora: Faro Editorial

Resenha: Red River é uma cidade pacata da Flórida e que agora é marcada pela trágica história de uma onda de assassinatos de garotas cuja maioria dos corpos, nunca foram encontrados. Dentre os corpos desaparecidos, um em específico foi o motivo pelo qual conseguiram culpar Dennis Danson e prendê-lo por assassinato! 


Isso aconteceu quando o rapaz tinha 18 anos e agora, anos depois, o caso não fora esquecido, isso porque Dennis é hoje a principal peça de um documentário sobre crimes reais que têm por objetivo lutar para reabrir casos e dar novas chances para quem eles acreditam ser inocentes! Assim, ele se torna o alvo de uma multidão que acha que ele foi preso injustamente e precisa ser solto! 

Paralelo a isso, vamos conhecer Samantha, que descontente com a sua vida e profissão, acabara de sair de um relacionamento onde diz não ter terminado de uma forma muito boa. Conheceu Dennis e seu caso através de fóruns na internet e se viu muito envolvida com a situação e disposta a se juntar ao grupo para tentar provar a inocência dele! Assim, a moça passa a se corresponder com ele por cartas e por algum motivo, como que por sintonia, ele é despertado para uma vontade muito grande de manter aquele contato com ela. Assim, eles vão sustentando essa troca e quando percebem, já estão apaixonados e é aí que ela decide largar tudo e ir para os Estados Unidos viver de mais perto essa história, que depois da primeira visita, a relação se intensifica e decidem se casar na cadeira mesmo! 

Durante o desenrolar do livro, com o documentário a todo vapor e Sam mais certa do que nunca de que seu marido é inocente, uma novidade acrescenta consideravelmente novas peças ao caso, evidenciando um novo suspeito e um possível culpado e Dennis é finalmente inocentado! 

Tentando se adaptar a nova vida, o rapaz precisa voltar à cidade onde tudo aconteceu e é aí que toda a loucura começa! Ao passo que o ex-presidiário é cobiçado pela imprensa o tempo inteiro - e que o mesmo se aproveita disso -, Samantha vai descobrindo que a presença física dele, ali diante dela, não era do jeito que ela esperava e a história do casal vai ganhando novas facetas! Fora da cadeia, Dennis é distante, desinteressado e rude e o lugar onde ele cresceu esconde mais mistérios do que o que se pode imaginar, fazendo a moça se questionar se ele é realmente inocente e se realmente sente algo por ela! 

Quatro personagens secundários tem destaque na história, Carrie que é a responsável pela produção do documentário, Lindsay que vive na cola de Dennis e desperta muito ciúme em Samantha, mas a moça afirma que são só amigos e Howard e o seu pai, Harries, um policial que tentou de todas as formas tachar Dennis de péssima influência pro seu filho, que já era bem obcecado e lunático por si só! 


Com a presença mais marcante desses três últimos personagens e uma casa que guarda mais segredos do que Sam poderia imaginar, a história se desenrola mais freneticamente da metade pro final e a cada nova descoberta Dennis era afastado mais um pouquinho do pedestal de mocinho amoroso e inocente. Sam, por sua vez, parecia estar inerte a tudo que estava acontecendo, não conseguia enxergar um palmo a frente do nariz, vivia como uma submissa implorando para ser aceita, amada e se submetendo a todo tipo de situação que foi impossível criar algum tipo apego por ela. Vivia pedindo desculpas por coisas que não deveria e sempre achava que ela era o problema. A personagem acordou nos últimos momentos do livro e mesmo sabendo que a moça estava numa posição de vítima, ainda assim foi impossível – para mim – torcer por ela, pois, nem de longe foi admirável! 

O final surpreendeu demais, pudemos ver com clareza até onde vão diversas situações em que o amor doentio é o protagonista. Em cada personagem pudemos notar pelo menos um tipo de personalidade que muito explica os diferentes tipos de loucura que uma pessoa obcecada por outra ou por uma determinada situação, é capaz de fazer. 

Uma história que vai te fazer refletir, temer certos tipos de comportamentos e te fazer criar alguns questionamentos principalmente acerca da condenação e sobre quem as pessoas que amamos são de verdade... num livro sobre obsessão, escolhas, busca pela liberdade, confiança e segredos. 

Amy Lloyd traz uma história original, muito bem escrita e envolvente, além de recheada com uma gama de assuntos que não são muito vistos em outros thrillers e deu todo um diferencial à história. Os momentos mais perturbadores te envolvem tanto que é impossível você não querer saber o desfecho, a curiosidade te move em um ritmo frenético! Para quem gosta de livros que exploram as diferentes nuances e o lado mais sombrio que o ser humano pode ter, eu mega recomendo!

[Resenha] O Diário de Nisha - Veera Hiranandani!

Título: O Diário de Nisha 

Autora: Veera Hiranandani 

Editora: Darkside Books 

Resenha: O Diário de Nisha, como o próprio nome sugere, narra pela própria Nisha - em forma de diário -, sua jornada junto à sua família, na busca pelos seus lugares no mundo e em meio a uma guerra gerada por um conflito político-religioso que após a Índia se tornar independente do governo da Inglaterra, foi dividida em duas repúblicas: Índia e Paquistão, provocando uma guerra terrível entre Hindus e Muçulmanos


Nisha vive com seu pai, sua avó paterna e seu irmão gêmeo, Amir! Sua mãe morreu ao dar a luz a eles e assim, ela e seu irmão vivem aos cuidados destes desde sempre. A casa ainda conta também com a presença de Kazi, ajudante da família e a quem Nisha tem uma ligação muito forte ao ponto de sentir que é a pessoa que mais lhe entende na casa. Kazi foi quem deu para a garota o diário, como forma de ajudá-la a se comunicar mais, uma vez que Nisha sempre foi uma garota tímida, que tem dificuldade de se relacionar, de se expressar e pouquíssimo fala. É em seu diário que a garotinha de 12 anos consegue conforto e lidar melhor com a ausência da mãe, além de se sentir mais perto dela, já que o diário é escrito como se estivesse escrevendo-a. 

A ideia era narrar para “a mãe” tudo que acontece no seu dia - mostrando como se sente como forma de desabafo - e narrando o seu cotidiano sem grandes novidades. Com a narração dela vamos conhecendo mais da família e da cultura deles e o que ela não esperava era que tão logo começaria transcrever os registros de um enorme conflito que mudaria para sempre a vida da sua família! 

Em meio ao caos que a partição da índia gerou, a família decide – por instinto de sobrevivência – atravessar a fronteira rumo à nova índia, onde eles estariam num lugar que, diante das imposições daquela sociedade, estariam onde deveriam estar. E assim a família parte deixando tudo: a casa, os amigos, seus pertences, sua história. 

Nisha não entende os desdobramentos político-religiosos diante de um momento tão decisivo da história e essa carga que ela tem de lidar, mesmo sem saber o porquê de estar fazendo, deixa tudo ainda mais dramático. Sua história nos comove por inteiro, porque ao passo que ela luta contra seus conflitos internos, o exterior lhe apresenta um conflito ainda maior para suportar. 


A jornada é mais dramática do que se previa. Os dramas que a família de Nisha vai encontrando pelo caminho nos dão uma ideia do quão difícil é abandonar suas raízes e fugir para um futuro até então, incerto. E para completar, em uma travessia onde passa a faltar absolutamente tudo e só a coragem, força e união os manterão vivos! 

Um tipo de leitura que facilmente te transporta para outro tempo, país e cultura. Amei saber um pouco sobre a Partição da Índia que é um fato histórico que matou pelo menos um milhão de pessoas durante a travessia e que eu não tinha absolutamente conhecimento algum. O coração apertou quando parei para pensar nas milhares de famílias que tiveram de deixar suas histórias para trás em busca de um novo lar num país dividido pela guerra! 

A autora retratou a dura realidade da Partição de forma majestosa e a sua mensagem sempre vai ficar impregnada na cabeça de quem a ler. Através da história de Nisha aprimoramos a empatia e nos despertamos ainda mais para o desejo de um mundo mais pacífico e igualitário... num livro que é um verdadeiro tesouro e que além disso, nos mostra também que a vida pode ser realmente dura e em todos os níveis e nuances, mas se você tem com quem contar, o fardo se torna só mais um detalhe.