[Resenha] Contra todas as probabilidades do amor - Rebekah Crane!


Título: Contra todas as probabilidades do amor

Autora: Rebekah Crane

Editora: Faro Editorial


Resenha: Narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista de Zander, Contra Todas as Probabilidades do Amor nos apresenta o dia a dia de jovens, que assim como nossa protagonista, foram enviados ao Acampamento Pádua, - um Retiro de Verão para adolescentes que possuem algum tipo de problema emocional - e lá contam com o auxílio de uma equipe preparada e interessada em ajudá-los.
São jovens com os mais diversos problemas e longe de ser só mais um drama de adolescentes com os hormônios aflorados, são pessoas em busca de reconhecer e superar as suas próprias fraquezas – onde, em grupo, são estimulados a assumir que estão perdidos com o intuito de se encontrar e ultrapassar seus medos.

Ao chegar ao acampamento, mesmo sem entender – ou sem querer assumir - porque foi mandada para lá, a garota ainda tem de lidar com todos os outros integrantes que notavelmente também carregam seus dramas. De início a adaptação é difícil, mas à medida que os dias se desenrolam e que várias atividades interativas são propostas, Zander acaba se aproximando de Cassie, Grover e Alex.

Após a aproximação, uma relação de cumplicidade entre os quatro é rapidamente estabelecida. Eles vão encontrando uns nos outros a válvula de escape que precisam para superar seus medos, revelar seus traumas e fraquezas, se redescobrir e seguir em frente. Histórias doloridas de adolescentes cruelmente marcados logo cedo pelas rasteiras da vida. Histórias doloridas de quem logo cedo teve de enfrentar sozinhos, os dramas da realidade e carregar cicatrizes profundas.

Acompanhar o amadurecimento dos personagens e a vontade de superação mesmo em meio à tantas resistências foi o mais atrativo no livro. Coisas simples como Conhecer a si mesmo. Trabalho em equipe. Lealdade. Coragem. Perseverança e Esperança foram pontos colocados com maestria para nos mostrar que muito longe se chega quem não está só. Nos mostra a importância de se estender uma mão e oferecer ajuda também, a importância de acreditar que todos merecem novas chances. E que a vida, por mais dura que possa parecer, sempre vai nos dar uma saída.

Um livro que todos deveriam ler. Uma leitura que se faz necessária. É genuíno. 

Uma obra para refletir e enxergar além de todas as limitações. Um start na arte de acreditar que todo fim é um recomeço e que nem todo problema leva ao fundo do poço. A autora trabalhou temas importantes de forma descomplicada e leve e fez com que personagens quebrados por dentro percebessem que é possível driblar os seus próprios fantasmas, num livro que fala de amor, superação, amizade, entrega, busca de identidade, família. Sobre apoiar e ser apoiado. Amar e ser amado. 

E no fim das contas, superar todas as probabilidades.
Não é preciso pedir que você deixe-se tocar. O livro faz isso por si só.

[Diversos] TOP: 5 autoras favoritas ♥

Hi everybody!!

Como vocês estão?
Pra quebrar o ritmo das postagens aqui que só tem ‘brotado’ resenhas, resolvi criar esse TOP, até pra servir de indicação pra quem não conhece nenhuma das autoras que eu vou citar, ou pra quem tá começando mesmo e quer conhecê-las.

Confesso que não foi uma tarefa fácil porque muitas belezinhas ficaram de fora, mas queria deixar claro que nem por isso eu goste menos. Todas aqui listadas são enormemente profissionais, talentosas e de posturas ímpares, tão quanto muitas outras. Confesso também que fiquei surpresa ao selecioná-las e perceber que coincidentemente entrou nesse top autoras de gêneros diferentes, cada uma representando o seu estilo e eu vou vender o peixe delas agora pra vocês, haha:



Colleen Hoover
SOBRE A AUTORA: Colleen Hoover nasceu dia 11 de dezembro de 1979, em Sulphur Springs, Texas. Ela cresceu em Saltillo, Texas, e formou-se a partir de Saltillo High School, em 1998. Em 2000, ela se casou com Heath Hoover, com quem ela já tem três filhos e um porco chamado Sailor. Colleen se formou na Texas A&M University-Commerce com uma licenciatura em Serviço Social. Ela trabalhou com vários projetos de ação social e de ensino, até começar sua carreira como escritora. 
Gênero: Romance/Jovem adulto.


Becca Fitzpatrick
SOBRE A AUTORA: Becca nasceu no dia 03 de fevereiro de 1979, no Colorado – EUA. O primeiro livro de Becca foi, Hush, Hush, estreou como New York Times bestseller. Ela se formou na faculdade com um diploma na área da saúde, o que prontamente abandonado para escrever.
Gênero: Romance/Suspence/Aventura/Ficção.


Jane Austen
SOBRE A AUTORA: Romancista britânica nascida em Steventon, Hampshire, Inglaterra, cuja obra literária deu ao romance inglês o primeiro impulso para a modernidade, ao tratar do cotidiano de pessoas comuns com aguda percepção psicológica e um estilo de uma ironia sutil, dissimulada pela leveza da narrativa. Filha de um pastor anglicano, toda a sua vida transcorreu no seio de um pequeno grupo social, formado pela aristocracia rural inglesa. Aos 17 anos, escreveu seu primeiro romance, Lady Susan, uma paródia do estilo sentimental de Samuel Richardson. Seu segundo livro, Pride and Prejudice (1797), tornou-se sua obra mais conhecida, embora, inicialmente, tenha sido malvisto pelos editores, o que levou por algum tempo ser descriminada no meio editorial. Depois conseguiu publicar o romance Sense and Sensibility (1811), cujo sucesso levou à publicação, ainda que sob pseudônimo, de obras anteriormente recusadas. Vieram ainda outros grandes sucessos como Mansfield Park (1814) e Emma (1816) em um estilo menos ágil e humorístico, porém ganhando em serenidade e sabedoria, sem perda de sua típica ironia. Morreu em Winchester, um ano antes de serem publicadas as obras Persuasion e Northanger Abbey, uma deliciosa sátira, escrita na juventude, ao gênero truculento da novela gótica. Seu poder de observação do cotidiano forneceu-lhe material suficiente para dar vida aos personagens de suas obras, e a crítica considerou-a a primeira romancista moderna da literatura inglesa.
Gênero: Romance


Carina Rissi
SOBRE A AUTORA: Carina Rissi, nascida em São Paulo, é uma leitora voraz, sempre lê a última página de um livro antes de comprá-lo e tem um fascínio inexplicável pelo tema “amores impossíveis”. Vê nas obras de Jane Austen uma fonte de inspiração.
Quando se desgruda dos livros – tanto dos que lê quanto dos que escreve –, Carina se diverte assistindo a comédias românticas ao lado da família e planejando viagens a lugares exóticos que não conhecerá tão cedo, devido ao seu pavor de avião. 
Gênero: Romance, Chick-lit.


Gillian Flynn
SOBRE A AUTORA: Gillian Flynn é jornalista e, antes de se dedicar integralmente à carreira de escritora, trabalhou por dez anos como crítica de cinema e TV para a Entertainment Weekly. Nascida na cidade de Kansas, no Missouri, e formada em jornalismo e inglês pela Universidade do Kansas, Gillian escreveu durante dois anos para uma revista de negócios na Califórnia e concluiu um mestrado em jornalismo na Northwestern University, em Chicago.
Além de Garota exemplar, é autora dos premiados Na Própria Carne e Dark Places. Seus livros foram publicados em vinte e oito países e tiveram os direitos de adaptação cinematográfica vendidos. Atualmente, Gillian mora em Chicago com o marido e o filho.
Gênero: Suspense.


Bom, entre tantas, escolhi essas 5!
Fica aí minha indicação pra vocês.
E vocês? Tem alguma dessas no seu TOP5?

[Resenha] Lute Como Uma Garota - 60 feministas que mudaram o mundo - Laura Barcella e Fernanda Lopes!



Título: Lute Como Uma Garota - 60 feministas que mudaram o mundo

Autoras: Laura Barcella e Fernanda Lopes 

Editora: Editora Cultrix / Grupo Editorial Pensamento

Resenha: O livro, que foi escrito por Laura Barcella e Fernanda Lopes, reúne sessenta feministas e grandes personalidades que nos mostrarão através dos seus legados, das suas histórias, realizações e frases empoderadas e inspiradoras a importância do papel na mulher na sociedade e o seu poder na busca por suas conquistas.

Uma seleção de nomes importantes que as autoras tiveram um inteiro cuidado em escolher. É possível através desse compilado, conhecer histórias de luta e força de mulheres de várias épocas diferentes. Muitos nomes com certeza já conhecidos, tão quanto atuais. Outros, se estendem além do tempo e perduram exaltando ainda mais a força que seus nomes carregam.

São 60 histórias de mulheres incríveis que carregam marcos em histórias ricas por seus feitos e efeitos. É um livro de muita representatividade, com personalidades que abrem caminho para novas gerações, instigando-os para a luta por seus ideais e deixando claro que qualquer um pode lutar por seu espaço, por seus direitos e pode sim, fazer a diferença. Estão entre os perfis, Madonna, Malala, Beyoncé, Alice Walker, Frida Kahlo, Simone de Beauvoir, etc.

Hoje o feminismo tem ganhado muito mais força, mas ainda há muito o que ser conquistado e o livro nos mostra exatamente isso, uma série de questões que ainda precisam ser atingidas e respeitadas, numa luta onde qualquer mulher, por mais simples que seja, precisa estar ciente de que também é capaz de fazer coisas grandiosas, numa batalha que ainda persiste, mas resiste.

Dentre as 60 mulheres escolhidas, as autoras enfatizaram 15 Perfis Biográficos para entender a História do Feminismo no Brasil, com nomes como: Clarice Lispector, Chiquinha Gonzaga, Leila Diniz, Maria da Penha, entre outras.

É um livro recomendadíssimo, que nos lembra do quanto somos fortes e do quanto ainda há a ser encaixado, mas que juntas, passinho por passinho, faremos até o pouco se tornar muito.


Quotes
Acredito na igualdade. Por que você precisa escolher qual tipo de mulher você é?
Beyoncé

Não me digam que eu não posso ser sexy e inteligente ao mesmo tempo.
Madonna

Feliz é uma palavra muito pobre para alguém que está tentando viver uma vida com todas as cores do arco-íris neste mundo em preto e branco.
Kate Bornstein

Bem sei que é assustador sair de si mesmo, mas tudo que é novo assusta.
Clarice Lispector

Para a mulher vencer na vida, ela tem que se atirar. Se erra uma vez, tem que tentar outras cem. É justamente a nova geração a responsável para levar avante a luta da mulher pela igualdade.
Bertha Lutz


[Resenha] Confesse - Colleen Hoover!

Título: Confesse

Autor: Colleen Hoover

Editora: Galera Record


Resenha: O livro é narrado em primeira pessoa e cada capítulo é intercalado entre os protagonistas Auburn e Owen. Logo de cara, o prólogo nos traz uma cena impactante em que a protagonista – com apenas 15 anos - se encontra em uma sala de hospital se despedindo do seu primeiro e grande amor que foi vítima de uma doença incurável, partindo precocemente.

Em tempo real já nos deparamos com uma Auburn mais madura, prestes a completar 21 anos, que se vê morando sozinha no Texas, tentando ajustar todas as peças que ficaram fora do lugar com a morte de Adam anos atrás.
Auburn é uma garota guerreira, que teve sua vida destroçada ainda muito cedo, mas que nunca permitiu que seus problemas ditassem as rédeas da sua vida. Longe da família e trabalhando em um salão de beleza do qual não se orgulha, vive sem muitas perspectivas, até que precisando de um segundo emprego - para pagar um advogado -, ela passa por um ateliê com um aviso de “Estamos Contratando”, que praticamente suplica para contratar alguém.

O dono do ateliê se chama Owen e é um pintor muito famoso por sua galeria de arte que reproduz nos quadros, confissões anônimas que são deixadas em sua porta, onde algumas ele usa de inspiração para sua arte. Ao vê-la, Owen fica balançado e já nos mostra que aquele não se trata de um primeiro encontro e sim de um reencontro, mas não explica o porquê. Tentando despistar o seu desconcerto em revê-la, rapidamente oferece o cargo e explica que é basicamente registrar as vendas. É um emprego de uma noite, pois o ateliê só abre uma vez no mês, mas ele paga super bem, afinal, sua obras são inéditas e em uma noite ele consegue a quantia que qualquer um tiraria em um mês inteiro. Auburn aceita a proposta.

Ela só não sabia que, mesmo sem ter procurado, iria ali encontrar também alguém que lhe ajudaria a colocar seu quebra-cabeça no lugar, depois do destino ter embaralhado todas as peças. O tempo vai passando e quanto mais ela convive com Owen, mais descobre que é possível abrir novamente o coração para alguém, mesmo ele ainda estando em frangalhos. O rapaz a faz ter sensações que há muito não sentia e que desde a morte de Adam, não achou que poderia voltar a sentir algum dia.
Ao passo que o casal vai se conhecendo, vamos conhecendo também mais deles e somos postos no calor dos segredos que rodeiam os dois e que quanto mais notamos que cada um deles tem algo a esconder, maior é a curiosidade e a percepção do quanto isso afeta e impede que o relacionamento deles possa progredir.

Assim, mesmo com todos os empecilhos que Auburn e Owen vão encontrando pelo caminho, eles não conseguem ficar afastados um do outro e quanto mais a trama se desenrola, mais torcemos pelo casal e para que seus segredos, quando revelados, não os afaste.

O segredo de Auburn é revelado perto do final do livro e embora não estivéssemos esperando pelo que é, foi menos impactante que o de Owen que, mesmo guardado até o epílogo, trouxe toda a carga emocional de volta à história, aumentando o conflito dramático que o leitor sequer imaginou ter relação com a primeira cena do livro.

Confesse é uma trama bem movimentada e os personagens secundários é que são os responsáveis por toda essa movimentação. Conforme vão aparecendo, situações vão surgindo para atrapalhar o casal - que já não sabe mais se deve ou não lutar para ficar juntos. Colleen construiu um enredo altamente sagaz, cheio de mistérios, luta, desavenças, drama familiar e entrega.

Admiravelmente, quando você termina o epílogo e acha que nada mais pode te surpreender, se depara com as próprias pinturas (algumas) estampadas nas últimas páginas e no verso, a confissão correspondente. Depois de algumas pesquisas, descobre também que todas as confissões dos livros foram baseadas em confissões reais, enviadas por seus leitores (pasmem!).   

                                                                                                                                                                   

Colleen segue sendo uma das minhas melhores autoras do gênero e Confesse segue sendo mais uma das suas brilhantes obras. A autora em nada foge da sua temática, trazendo uma trama que faz o mesmo estilo que já estamos acostumados a ver - o que pode ser precocemente já intitulado como mais uma história profunda, que não foge da realidade e que em algum momento te fará refletir sobre algo. Seja como a vida é cheia de segundas chances, seja como não importa o quanto o tempo passe, o amor sempre vence.

O livro é repleto do que a autora sabe fazer de melhor: o drama acerca de personagens quebrados por dentro e marcados por traumas, o que também segue sendo mais um ponto positivo das suas tantas cartadas certeiras.


Se dar ao desfrute de ler um livro da Colleen é saber que inevitavelmente você irá mergulhar num turbilhão de sensações e criar uma conexão com a trama de tal forma que por mais que você não tenha vivido nada daquilo, é possível absorver grandes lições.

Recomendadíssimo!

[Resenha] A garota do lago - Charlie Donlea!

Título: A garota do lago

Autor: Charlie Donlea

Editora: Faro Editorial

Resenha: A história é narrada sob duas perspectivas. Uma, em tempo real, apresentada por Kelsey, uma jornalista que após um recente período traumático, em seu eventual retorno é convocada pelo seu editor chefe a reportar um caso de assassinato em Summit Lake, uma pequena cidade situada nas montanhas Blue Ridge, onde há duas semanas, uma garota chamada Becca fora brutalmente assassinada na casa de férias dos seus pais. A outra narração nos apresenta fatos que aconteceram com a estudante morta, desde 14 meses antes da sua morte, até o dia fatídico em que fora vítima do crime brutal.


O prólogo nos apresenta o dia do assassinato e toda a trama parte dessa premissa. Becca está na casa à beira do lago para relaxar, estudar e colocar a cabeça no lugar, pois está diante de uma fase turbulenta de uma rotina apertada e segredos prestes a serem revelados. Aparentemente à espera de alguém, que para sua surpresa, supostamente antecipou sua chegada que estava prevista para dali a alguns dias, ela abre a porta ao final da terceira batida. Surpresa com o que encontrou, ela é arrastada até a cozinha e depois de uma luta incessante pela própria vida, é violentada, covardemente assassinada e não resiste.

Com uma narração em terceira pessoa, intercalada entre presente e passado vamos conhecendo mais sobre Becca, sua personalidade, seu cotidiano e todas as pessoas ligadas a ela e sobre as investigações da repórter Kelsey, conhecendo consequentemente os possíveis suspeitos, assim como o desvendamento do caso - a partir das pistas que surgem a todo momento.

Becca é uma garota no auge da sua vida, estudante exemplar de Direito, de família respeitosa, filha de um poderoso advogado e extremamente preocupada e atenciosa quanto ao seu futuro profissional. Aparentemente sem inimigos e sempre acompanhada de quatro amigos sinceros, Jack, Gail e Brad. No decorrer dessa jornada conhecemos sua relação com cada um deles e tomamos conhecimento de alguns segredos escondidos, que quando revelados, balança a amizade do grupo e revela o quanto nem tudo que parece, é.

Por outro lado, Kelsey, vista como a melhor jornalista da revista em que trabalha, não pensa duas vezes antes de aceitar a proposta de ir à Summit Lake investigar o caso e escrever seu artigo para a Events. Durante a sua estada na pequena cidade, conhece algumas pessoas e dentre elas, pessoas que acrescentaram e muito nas suas investigações. Três delas com presença forte como o delegado (que aceitou ajudá-la para diminuir sua frustração de ter sido afastado do caso pelas autoridades estaduais), um dos médicos do hospital que recebeu Becca no dia da sua morte (aceitando ajudá-la por curiosidade ao perceber junto com a mesma, alterações no laudo da garota) e Rae (que foi mais que uma ajudante, foi uma amiga. Rae trabalha no Café da Millie onde Becca esteve pela última vez antes de ter sido assassinada e contribui e muito para desvendar o caso). Kelsey, junto a esses personagens secundários altamente expressivos traça uma linha importantíssima para chegar ao assassino e descobrir as motivações daquele ataque cruel.

Conforme as investigações avançam, mais podemos ver um quebra-cabeça sendo formado. A jornalista se vê tão presa ao caso, que chegar ao seu desfecho estava muito além de apenas cumprir seu trabalho. Kelsey queria fazer aquilo tudo por Becca, que lhe despertou uma ligação muito além do profissional. Ela precisava daquilo para se manter viva consigo mesma, principalmente quando se dá conta de que tinham algo em comum, mas Becca não tivera a mesma sorte que ela. Descobrir o que aconteceu com aquela garota lhe daria forças para seguir em frente e enterrar os seus próprios fantasmas.  E agora Kelsey estava ali, disposta a seguir todas as pistas para concluir a história da menina que não teve a chance de viver e teve seu futuro ceifado pelas mãos de um lunático. E ela iria até o fim.

Um futuro interrompido covardemente, fatos que ao serem ocultados pelos envolvidos se tornaram pontos importantes que levaram àquela tragédia, onde nenhum dos envolvidos na descoberta imaginaria encontrar tanto mistério por trás de tudo aquilo... De tudo o que ficou ofuscado para não revelar ao público - que sequer imaginava que por trás de um crime aparentemente bem feito, existia muito mais do que as autoridades responsáveis queriam revelar.

O enredo é deslumbrante, um amontoado de detalhes que nos faz direcionar a culpa para várias pessoas ao mesmo tempo e conforme mais pessoas aparecem à história, as cartas que aparentemente estavam prestes a serem reveladas são embaralhadas novamente e aumenta a lista de suspeitos, num ‘vai e não vai’, e ‘é e não é’ interminável, que quanto mais se mexe, mais te distancia do real culpado.

O autor brinca com o leitor o tempo inteiro. A forma que ele usou para despistar o leitor do assassino foi ousada, típica de quem sabe envolver e enganar ao mesmo tempo. A sagacidade com que finalizava cada capítulo proporcionou uma leitura ágil, pois se tornava impossível finalizar um, sem querer imediatamente iniciar o outro. A forma que também encontrou para ocultar alguns detalhes e explorá-lo no momento adequado promoveu uma trama de tirar o fôlego.

Charlie Donlea além de trazer uma premissa altamente convidativa, cumpre sua proposta com maestria, com um thriler de alta qualidade onde nada no seu enredo foi desnecessário ou enrolado. De construção bem desenvolvida e elaborada, trouxe o que os fãs de suspense gostam de ver e tudo impecavelmente na medida certa, não ficando em nada atrás de Gillian Flynn ♥

A edição da Faro está pra ninguém colocar defeitos. Sempre me surpreendo a cada livro que eu leio e sei que isso não para por aqui. É um trabalho impecável que – junto à uma boa história – sabe como te agarrar.

[Resenha] Poemas Escolhidos - Emily Dickinson!

Título: Poemas Escolhidos

Autora: Emily Dickinson

Editora: Coleções Folha (Folha de São Paulo)


Resenha: Poemas Escolhidos faz parte da Coleção ‘Folha – Mulheres na Literatura’, composta de 30 livros que viraram clássicos e que, escritos por grandes autoras, revelam o olhar feminino no melhor da literatura mundial, afinal, "Por trás de grandes histórias, há mulheres maiores ainda".
O livro conta com cerca de 100 poemas, todos breves e leves, refletindo a respeito de pequenas e grandes coisas do dia a dia, nos permitindo uma jornada pela mente humana que tão facilmente nos leva a visualizar as impressões, ideias e pensamentos da autora.

Emily foi muito sagaz, é inegável seu pensamento crítico, sua afinidade com a escrita e sua sutileza com os pequenos detalhes da vida. É possível ver sentimento, ver plenitude e mesmo reconhecendo tamanha densidade poética, fiquei esperando uma maior sensibilidade. Não sou muito adepta aos poemas, talvez esse tenha sido o motivo de ter feito a leitura com um olhar mais exigente. Em suma, achei muito mais interessante a história da autora, do que seus escritos - que não me tocaram como eu esperava. Mas para os amantes de uma boa poesia, eu recomendo muito, é incontestável o talento da autora.

Gostei tanto da sua história, que resolvi trazer pra vocês, vale a pena ler.

Sobre a obra:
Em maio de 1886, após a morte de Emily Dickinson, sua irmã Lavínia encontra alguns cadernos, feitos de papel de carta, entre os pertences deixados pela poeta. Ali se achava a quase totalidade de sua obra, composta de 1.775 poemas, escritos entre 1850 e o ano de sua morte. Parte desse material achava-se organizado por Emily e a partir dele, foi possível estabelecer uma cronologia aproximada de sua criação.
Emily transitou por todos os grandes temas do gênero poético. Por isso, seus primeiros editores agruparam os poemas em blocos que receberam títulos definidores: “Vida”, “Amor”, “Natureza” e “Tempo e Eternidade”.
Embora nunca tenha sido publicada em vida, a não ser em colunas literárias de jornais e mesmo assim, rarissimamente, a entusiástica recepção à primeira antologia (1890) levou seus editores a lançarem duas novas edições, em 1891 e em 1896.
Fonte: Folha de S. Paulo.

Sobre a autora:
Emily passava suas tardes lendo, caminhando pelas colinas com seu cão ou na casa de algum de seus amigos e isso era tudo. Sua família era puritana, tendo sido ela criada segundo a doutrina do congregacionalismo Trinitário. Apesar de religiosa, nunca entrou para a Igreja.
Se tornou leitora apaixonada pelas obras de escritoras como Charlotte Brontë, da qual conhecera e se tornara entusiasta da obra Jane Eyre. Entre os clássicos, sua tinha particular apreço por Shakespeare.
Emily formou-se em 1847 na Academia de Amherst, e neste período trabalhava já como governanta em casas de famílias da cidade, uma das poucas profissões permitidas para as mulheres da época.
Durante estes anos, o que é significativo em sua biografia é a morte do acadêmico Leonard Humphrey, íntimo de Emily que aprofundou ainda mais a obsessão da garota pela morte, e a amizade como Susan Gilbert, sua maior confidente e a quem Emily enviou mais de trezentas cartas ao longo da vida. Muito mais tarde, depois da morte da escritora, a filha de Susan seria responsável por publicar uma coleção importante de poemas inéditos de Emily Dickinson, todos inclusos nestas correspondências.
Pouco se sabe sobre quando Emily teria começado a escrever poesia. Também muito poucos poemas de sua juventude sobreviveram à posteridade. O ano de 1958 foi, porém, um momento decisivo em sua vida, pois foi quando ela passou a organizar seu arquivo pessoal de poemas. Emily começou a fazer cópias manuais dos escritos e a unir as folhas costurando-as com linha, formando pequenos pacotes encadernados que ela então arquivava em um grande baú de madeira.
Fonte: https://literaturanorteamericana2012fe.wordpress.com/2012/11/15/52/


Um dos poemas:
"Moro na possibilidade,
Com muito mais janelas
E bem melhor, pelas portas

De aposentos inacessíveis,
Como são, para o olhar, os cedros,
E tendo por forro perene
Os telhados do céu.

Visitantes, só os melhores;
Por ocupação, só isto:
Abrir amplamente minhas mãos estreitas
Para agarrar o paraíso.