[Resenha] Mister O - Lauren Blakely!

Título: Mister O

Autor: Lauren Blakely

Editora: Faro Editorial

Resenha: Narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista de Nick Hammer, Mister O nos apresenta um enredo bastante divertido pela ótica do mocinho mais galanteador e sarcástico que Manhattan já viu.


Nick é um cara inteligente, talentoso, apaixonado por seu trabalho e bem sucedido em todos os aspectos. Faz sucesso entre a mulherada, é objeto de inveja dos outros homens e faz também sucesso no trabalho que escolheu seguir. Ele é cartunista e cada vez mais no auge, conquista seu espaço com o seu personagem Mister Orgasmo que nasceu das suas próprias vivências e da sua imaginação erótica - saindo dos gibis e conquistando espaço na tevê.

Muito comprometido com o que faz, tem tudo que sempre quis. Uma carreira de sucesso e várias mulheres aos seus pés. O que ele não esperava era que, através do seu próprio trabalho – que até então só lhe proporcionava diversão – ele se envolveria numa teia onde jamais imaginou estar: Harper Holiday – irmã do seu melhor amigo, Spencer - o faz um pedido inusitado de aderir à sua ajuda para aprender, com suas valiosas dicas, melhor sobre relacionamentos e sem pensar duas vezes, Nick mergulha nessa viagem - até então instigante – mas, que não sabe ele... perderia totalmente o rumo o propósito dela no caminho.

Harper, por sua vez, trabalha com festas infantis, é uma mágica talentosa e ama o que faz. Sabe lidar bem com pessoas, com surpresas, é desenvolta, sabe como chamar atenção, o que não sabe é como lidar com relacionamentos e conquistar quem deseja. E é aí que entra o nosso instrutor de relacionamentos. Assim, a moça, através desse pedido, não vê a hora de mostrar quem realmente ela quer fisgar.

Tudo poderia estar se saindo dentro dos conformes, não fosse o desejo dos dois que cada vez mais ia se escancarando a cada novo passo que davam e foi muito bacana acompanhar o crescimento da relação deles e ver que quanto mais avançavam, mais tudo aquilo transcendia para além de só desejo carnal.

O desenrolar é muito atrativo, eles se divertem muito juntos e conforme a trama se desenrola e vamos conhecendo mais do desejo e do envolvimento de ambos, mais você torce pelo casal. Tudo entre eles flui da melhor forma possível e ficava cada vez mais nítida a química desenfreada que pairava entre os dois, tornando a narrativa mais quente a cada novo encontro.

Quando a história começa a caminhar pro final, vamos vendo a mudança de comportamento dos dois e o amor que começa a aflorar é quase que palpável. Vemos um casal extremamente envolvido e sem encontrar maneiras de dizer isso um para o outro, ao passo que vemos obstáculos surgirem e atrapalharem ainda mais o jogo que eles lutam pra encaixar todas as peças.

Lauren sabe como mexer com nossas estruturas. Sua forma de criar personagens que nos cativam é sua marca registrada. Ela sabe como nos colocar numa montanha russa de emoções que fica impossível não se sentir angustiados, felizes ou ansiosos junto com seus personagens.
Eu já havia dito na resenha de Big Rock o quanto a escrita de Lauren é instigante e Mister O só me trouxe motivos para reforçar isso. Lauren tem uma escrita desenrolada, dinâmica e cheia de humor que facilmente nos prende, e aliada a uma trama recheada de momentos divertidos, nos conecta com a história sem esforço algum.

Com tiradas incríveis e diálogos bem colocados e de forma sagaz - que quem leu Big Rock conhece tão bem -, a autora nos conduz para uma zona de envolvimento majestosa e que ainda nos presenteia com antigos personagens do seu livro anterior, nos deixando tão familiarizados com o universo dos personagens, que seria impossível não se envolver.
Para quem procura um livro leve e descontraído, de enredo divertido e picante nas doses certas, fica aqui a indicação.

[Resenha] A Garota Alemã - Armando Lucas Correa!

Título: A Garota Alemã

Autor: Armando Lucas Correa

Editora: Jangada


Resenha: O livro é dividido em capítulos que intercalam entre passado – 1939 e anos posteriores e presente, 2014.

No passado, temos uma narrativa em primeira pessoa sob o ponto de vista de Hannah Rosenthal, que é uma criança de 11 anos, vive em Berlim e desde muito cedo conheceu o sofrimento, crueldade e as limitações de uma Alemanha nazista, comandada por Adolf Hitler - responsável por uma guerra prestes a ser declarada. Em 1939 Hannah conheceu a consequência daquele horror de perto!
Cercada de privilégios por ser filha de professor e de uma mulher bem vista da alta sociedade, tinham uma vida confortável num prédio residencial onde seus pais eram donos. Sua infância fora saudável e harmoniosa na companhia do seu melhor amigo, Léo Martin, que era sua companhia inseparável de brincadeiras, desabafos e aventuras. Mas tudo começa a desmoronar quando Berlim é invadida por nazistas e uma grande caça aos judeus é declarada. Como eram descendentes dessa raça e ainda em meio a todos os conflitos de uma perseguição que fora iniciada sem piedade, seus pais, que antes eram vistos com bons olhos, se veem sem muitas escolhas e obrigados a deixar as pressas o lugar que sempre viveram, deixando para trás tudo que suaram para construir e conquistar.

De antemão Hannah não entende porque precisam deixar o lugar que até então era o seu lar e não entende porque agora são tão desprezados até pelos moradores do seu prédio, que os insultam e os chamam de “impuros”. Ela não entende porque passaram a ser tão desvalorizados, mas começa a entender que Berlim já não os pertence mais e que precisam fugir para tentar sobreviver.
Com a situação se agravando a cada dia, Max, seu pai, com muito esforço e gastando todas as suas economias de anos, luta para conseguir passagens e vistos para que eles possam se juntar a outras centenas de refugiados que se preparam para partir para Cuba. Hannah tem todas essas informações através de Léo, que mesmo com tão pouca idade, é um garoto inteligente, inquieto e observador. Ouve com muita astúcia a conversa dos adultos e consegue os manter informados de coisas que seus pais preferem não dividir. E assim, todos passam a ter seus vistos e passagens para embarcar no St. Louis, o maior transatlântico da história, rumo à libertação.

A partida veio com todas as incertezas. Ali estavam centenas de famílias que adentravam o mar europeu em busca de sobrevivência, indo para um país onde não faziam a menor ideia se seria fácil se adaptar ou das surpresas que poderiam encontrar por lá. Mas diante de todas as adversidades, eles sabiam, naquele momento, que a única coisa que importava era sobreviver.
Pareciam estar vivendo um sonho, a esperança vivia em cada um, a orquestra tocava, as crianças animadas, corriam pelo convés. A cada novo jantar no luxuoso salão, a expectativa se renovava. Mas como imprevistos acontecem, antes de chegar à Cuba e mesmo possuindo as autorizações de desembarque, as mensagens começavam a chegar e não traziam boas novas: Havia tido uma alteração no decreto invalidando a maioria das autorizações, impedindo assim que o navio atracasse. Somente os refugiados que possuíam as autorizações pelo Departamento de Cuba poderiam desembarcar. E isso foi suficiente para mudar a atmosfera do lugar, desestruturando centenas de famílias que possuíam o sonho de se salvar juntos. A sensação era de estar indo de encontro ao próprio calvário, numa enxurrada de despedidas que eles mal poderiam deduzir se seriam as últimas.
Hannah e sua família estavam entre essas famílias que seriam desfeitas e em meio a decisões entristecedoras, viram naquele navio, que antes parecia ser o seu ponto de salvação, o começo de um pesadelo. Naquele ano a pequena Hannah descobria, da forma mais cruel, que a vida não tem nada de mar de rosas.


Por outro lado, no presente, também narrado em primeira pessoa, o livro nos apresenta Anna Rosen, que antes do seu nascimento perdeu seu pai na tragédia de 11 de setembro em Nova York. Depois do ocorrido, sua mãe perdeu a vontade de viver e Anna enfrentava uma luta interior árdua de não deixar a mãe se abater ainda mais pela tristeza da ausência e tampouco deixar-se se contagiar também. Tudo muda quando elas recebem uma carta que uma tia-avó de Anna. E quando elas achavam que estavam sozinhas no mundo e que nunca conheceriam a história da família da menina, partem para Havana-Cuba, para conhecer Hannah, a senhora de 87 anos que tem muito a lhes contar, num encontro de duas gerações que lutam pela paz interior.

Com o encontro desses dois mundos, vemos a história sendo contada pelos olhos da criança que agora, com seus 87 anos, nunca esqueceu do que a guerra causou à sua família, à sua vida. Ao passo que assim vamos conhecendo a história do pai que inevitavelmente teve sua vida tirada e jamais pôde saber da existência da sua própria filha. Conhecer a história dessas duas crianças e ver a forma com que estavam conectadas é revigorante.

Vemos duas histórias entrelaçadas por um dos cenários mais tristes da história! Conhecemos a história da menina que muito cedo teve de lidar com os conflitos da II Guerra e assim deixar sua cidade na esperança de uma nova vida, embarcando numa viagem dramática a bordo do St. Louis - o navio que saiu de Hamburgo para Havanna levando a expectativa de 937 refugiados. E a história da menina que sempre sofreu pela ausência do pai, por nunca ter tido contato com a história dele e ainda ter de sofrer a tristeza da mãe. Um paralelo fascinante de duas histórias igualmente emocionantes, narradas por duas crianças fortes e determinadas e que muito cedo tiveram que despertar o seu lado maduro e responsável e crescer além da idade que tinham.

Baseado em fatos reais, o livro é dividido em 4 partes que tão bem exploram a história do navio que partiu levando a esperança de um povo e de quebra, ainda nos presenteia com a história comovente dos Rosenthal.
De escrita ágil e prazerosa, dificilmente vemos livros dessa temática com essa facilidade de degustação. E embora seja uma história de enredo doloroso, que como consequência disso, nos deixa com aquela reação de perplexidade, aliada ao famoso nó na garganta e coração apertado, Armando conseguiu fazer com os pontos positivos da história – ainda que poucos -, nos fizesse apreciar também a beleza por trás de um enredo devastador. Acredito que porque presenciamos o tempo inteiro a força e luta dos personagens, que é impossível não torcer para que em algum momento as coisas melhores tanto para Hannah, quanto Ana e é impossível não abrir um sorriso a cada vez que a víamos menos tristes.

De narrativa tocante, intensa, sensível, o autor nos traz uma história dura, melancólica, mas que nos mostra força, determinação e principalmente coragem frente ao cenário da II Guerra Mundial - que nos elucida as dores emocionais que são capazes de ceifar vidas e transcender gerações. É uma história que fala de partidas e chegadas, de amizades e perdas, de laços intensos e despedidas. De horror e injustiça, mas também do amor que ultrapassa barreiras. Assim como, do destino e suas surpresas.
Um livro profundo. Uma história rica em detalhes históricos e com personagens que nos trouxeram dor e esperança ao mesmo tempo.

Para quem aprecia histórias nesse estilo, é uma leitura obrigatória! A garota Alemã é um dos melhores livros que eu já li com essa temática. Um livro que irá te causar inúmeras sensações. Armando nos presenteia com inúmeras reflexões, nos brinda com personagens que nos relembram o verdadeiro valor da amizade, lealdade, coragem, persistência, garra e esperança. Um livro que nos mostra o quanto muitas vezes os erros de uns, afetam todos. O quanto nossas escolhas enquanto sociedade podem influenciar o todo e marcar a vida de gerações. Uma história que nos traz a verdadeira expressão de “feridas na alma” e do quanto isso pode ser fruto dos seus antepassados, da mesma forma que pode transcender à gerações futuras. Um livro revigorante e que também nos faz refletir sobre os verdadeiros valores.

(Lista original dos 937 passageiros a bordo do St. Louis)

Escrita impecável e inteligente. É perceptível o cuidado que o autor teve de coletar informações sobre o que aconteceu àquele navio. Em nota ele explica que a tragédia do St. Louis é um tópico ignorado nas salas de aula e nos livros de história, que os documentos simplesmente "desapareceram" dos Arquivos de Cuba, com isso veio a vontade dele de mostrar para o mundo a realidade dos 937 passageiros a bordo de um navio em busca do final feliz que nunca veio.

Eu não tinha conhecimento da história do St. Louis até ler o livro e saber que o autor e sua obsessão por uma história que resolveram ocultar, me faz admirá-lo ainda mais. Ele traz de forma desnuda fatos inaceitáveis e cruéis que hoje infelizmente pintam a história da nossa humanidade - mesmo com as tentativas de camuflarem parte delas. Tive muita admiração também pelo Capitão Gustav Schroder, que tentou de todas as formas abrir as portas dos outros países para os refugiados. Sua luta, sua garra e empenho em salvar vidas - vidas de pessoas que ele mal conhecia -, me despertou para um apreço imenso.
A Garota Alemã é o tipo de livro para você que aprecia uma história bem construída, intensa, dramática e linda, um enredo sobre destinos ceifados pela guerra. Sobre realidades traçadas, mas também da força para lidar com elas.

Eis aqui uma das melhores histórias sobre a II guerra mundial que já tive o prazer de ler. E finalizo com as próprias palavras do autor: “Uma história que precisa ser contada, para que nunca se repita.”

[Diversos] TOP: 5 livros com professor no enredo ♥

Hi everybody!!!

Olha eu aqui mais uma vez com mais um TOP!!! 
Como hoje é comemorado o Dia do Professor, aproveito a data para trazer 5 livros que tenham - de alguma forma - professor no enredo, seja direta ou indiretamente.
São 5 livros BEM BACANAS e que vocês PRECISAM ler.
Segue um pouquinho sobre cada um 



Métrica - Colleen Hoover
Sinopse: Após a morte do pai, a ausência torna-se a maior companheira de Lake. A responsabilidade pela mãe e pelo irmão a congelam em um limbo de luto e dor. Por fora, ela parece corajosa e tenaz; por dentro, está perdendo as esperanças. E se mudar do único lar que conheceu não ajuda em nada. Agora em uma nova casa, em uma nova cidade, ela precisa achar seu caminho. E um rapaz apaixonado por poesia pode ser o guia perfeito. Quando conhece o novo vizinho, Layken imediatamente sente uma intensa conexão. Algo que finalmente parece desanuviar um pouco sua realidade. Mas o caminho da verdadeira felicidade não é feito de tijolos dourados, e logo uma revelação atordoante faz o novo relacionamento ser bruscamente interrompido. O dia a dia vai se tornando cada vez mais doloroso à medida que eles se esforçam para encontrar um equilíbrio entre os sentimentos que os aproximam e as forças que os separam.

 Apaixonada pelo garoto nerd - Mariana Mello Sgambato
Sinopse: Tudo o que Audrey Blackwell precisava fazer era convencer Noah Hartley a ajudá-la a passar de ano. Ela só não esperava se apaixonar pelo cara mais nerd da turma e de quebra, arriscar perder o status de Rainha. Amor no grau superlativo absoluto de sério. Você vai se apaixonar por ele também.

 Sr. Daniels - Britthainy C. Cherry
Sinopse: Depois de perder a irmã gêmea para a leucemia, Ashlyn Jennings vê sua vida mudar completamente. Além de ter de aprender a conviver sem parte de si mesma, ela precisa se adaptar a uma nova rotina. Enviada pela mãe para a casa do pai, com quem mal conviveu até então, ela viaja de trem para Edgewood, Wisconsin, carregando poucos pertences, muitas lembranças e uma caixa misteriosa deixada pela irmã. Na estação de trem Ashlyn conhece o músico Daniel, um rapaz lindo e gentil, e a atração é imediata. Os dois compartilham não só o amor pela música e por William Shakespeare mas também a dor provocada por perdas irreparáveis. Ao sentir-se esperançosa quanto a sua nova vida, Ashlyn começa o ano letivo na escola onde o pai é diretor. E não consegue acreditar quando descobre, no primeiro dia de aula, que Daniel, o belo músico de olhos azuis com quem já está completamente envolvida, é o Sr. Daniels, seu professor de inglês. Desorientados, eles precisam manter seu amor em segredo, e são forçados a se ver como dois desconhecidos na escola. E, como se isso já não fosse difícil o bastante, eles ainda precisam tentar de todas as formas superar os antigos problemas e sobreviver a novos e inesperados conflitos.

 Bem Mais Perto - Marina Colasanti
Sinopse: Quando Brooke descobre que o amor de sua vida, Scott Abrams, está se mudando do subúrbio de New Jersey para Nova York, ela decide segui-lo até lá. Viver com o pai ausente e se adaptar a uma escola totalmente nova são desafiantes para ela — e as coisas ficam ainda piores quando ela descobre que Scott já tem uma namorada. Mas como ela aprende a sobreviver na cidade grande, começa a descobrir todo um novo lado de si mesma e percebe que, às vezes, o amor pode te encontrar mesmo quando você não está olhando para ele.

 Extraordinário - R. J. Palacio
Sinopse: August Pullman, o Auggie, nasceu com uma sindrome genetica cuja sequela e uma severa deformidade facial, que lhe impos diversas cirurgias e complicacoes medicas. Por isso, ele nunca havia frequentado uma escola de verdade... ate agora. Todo mundo sabe que e dificil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tao diferente. Prestes a comecar o quinto ano em um colegio particular de Nova York, Auggie tem uma missao nada facil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparencia incomum, ele e um menino igual a todos os outros. R. J. Palacio criou uma historia edificante, repleta de amor e esperanca, em que um grupo de pessoas luta para espalhar compaixao, aceitacao e gentileza. Narrado da perspectiva de Auggie e tambem de seus familiares e amigos, com momentos comoventes e outros descontraidos, Extraordinario consegue captar o impacto que um menino pode causar na vida e no comportamento de todos, familia, amigos e comunidade um impacto forte, comovente e, sem duvida nenhuma, extraordinariamente positivo, que vai tocar todo o tipo de leitor.

E aí? Gostaram das dicas?
Já leram algum desses?

Até a próxima

[Resenha] O casal que mora ao lado - Shari Lapena!

Título: O casal que mora ao lado

Autora: Shari Lapena

Editora: Record


Resenha: Anne e Marco são convidados para um jantar na casa dos vizinhos, Graham e Cynthia – que não gosta de crianças e a pedido dela, eles deixam Cora, sua filha de seis meses, em casa. De antemão a ideia de Anne e Marco era que a criança ficasse com a babá, mas esta cancelou o compromisso de última hora. Assim, mesmo a contragosto de Anne, o casal resolve deixá-la em casa, levam a babá eletrônica e a cada meia hora eles reversam para dar uma olhada em Cora.

Tudo parecia estar saindo perfeitamente bem, não fosse a vizinha começar a flertar com Marco e incomodar Anne de tal forma que ela sugere que eles voltem para casa. Marco resiste um pouco, mas aceita e quando achavam que a noite não tinha como ficar pior, ao voltarem para casa, a porta da frente que a princípio eles tinham fechado, se encontrava aberta. E o pior, Cora não estava no berço.

Logo, o enredo parte dessa premissa e o pesadelo tem início. As investigações começam e sem nenhuma pista aparente do que pode ter acontecido com Cora, Anne e Marco passam a ser os principais suspeitos do detetive Rasbach - responsável pelo caso. Com isso, todo calor da investigação é motivado por uma trama cheia de mentiras, intrigas, revelações sobre o passado e presente do casal, segredos, erros e uma sucessão de novos depoimentos – que quanto mais novidades vão surgindo à trama, mais o casal parece estar encrencado – mesmo com todo apoio da família de Anne, que é uma família muito rica e disposta a tudo para encontrar a neta.

O desenrolar é surpreendente. Os envolvidos no desaparecimento de Cora, ainda que já revelados na metade do livro, é bem possível descobrir antes. Mas isso não tira a adrenalina da história, só faz o mistério mudar de direção. Se antes queríamos saber o que aconteceu com Cora, passamos a querer saber como tudo aconteceu e o desdobramento é incrível.

É um livro que te faz refletir, vemos como em uma situação dessas julgamos as pessoas – seja por status, por fraqueza - de forma errônea. Salienta questões como egoísmo, ambição, orgulho... O desejo de não dar o braço a torcer, ou de não assumir um erro e daí buscar das formas mais grotescas uma solução para muito além dos problemas reais, mas também dos seus fantasmas anteriores.

Vemos o quanto muitas vezes somos injustos em julgar alguém como culpado só por este demonstrar ser fraco e jogamos o título de inocente em quem aparentemente mostra ser o salvador da pátria, mas no entanto esconde muito mais do que deveria - omitindo questões consideráveis para uma possível solução.

Shari conseguiu criar uma trama envolvente e sagaz de tal forma que quando você acha que encontrou as respostas, outras novidades aparecem e mais uma reviravolta dá as caras. Um livro excelente e de final ousado. Me julguem, mas eu queria que aquele final tivesse sido muito mais esmagador do que foi (haha).

Recomendo.

[Quote] Confesse - Colleen Hoover!

“Altruísmo. Isso deve ser a base de qualquer relacionamento. Se uma pessoa realmente se importa com você, ela terá mais prazer com o que faz você sentir, do que com a maneira com que você o faz se sentir.”

“Existem pessoas que você encontra e começa a conhecer e existem pessoas que você encontra e já conhece”

"Alguns segredos nunca devem se transformar em confissões."

"Todos os dias da minha vida eu sinto como se estivesse tentando subir por uma escada que só anda para baixo. E não importa o quão rápido ou quanta força eu faça para correr e atingir o topo, eu continuo no mesmo lugar, correndo, sem chegar a lugar nenhum."

"Às vezes nós não temos uma segunda chance. Às vezes as coisas simplesmente acabam.”

"Não me perco nem um pouco com ele, porque é a primeira vez na vida que sinto que alguém verdadeiramente me encontrou."

***

Para quem ficou interessado, tem resenha AQUI!

[Resenha] Não Confie em Ninguém - Charlie Donlea!

Título: Não Confie em Ninguém

Autor: Charlie Donlea

Editora: Faro Editorial

(tentativa de montar a cena do crime, haha)

Resenha: O livro é narrado em terceira pessoa e logo de início nos apresenta Grace Sebold, estudante de medicina, que numa viagem à cidade de Santa Lúcia, no Caribe, para comemorar o casamento de um casal de amigos com seu namorado, outros amigos e suas respectivas famílias, vê tudo desandar quando  Julian, - seu namorado - é morto. E ela, a principal suspeita pelo assassinato.

A paradisíaca ilha chamada de Sugar Beach agora se tornara o palco de um assassinato que ganhou todas as mídias e que imediatamente foi cercada por policiais e detetives sedentos em descobrir quem fora o assassino. E que depois de longos depoimentos, Grace fora, mesmo jurando inocência, condenada pelo crime. Julian estava pronto para lhe pedir em casamento naquela noite - em um encontro que ela diz não ter ido e todas as evidências caem em suas costas.
Dez anos depois da sentença condenatória, o caso Sebold ainda ganhava a mídia e Grace continuava jurando sua inocência e mandando inúmeras cartas para Sidney.

Sidney Ryan é uma cineasta que carrega uma carreira reconhecida por seus trabalhos de sucesso. Sidney trabalha com produção de documentários telesivos que tem o intuito de revisar casos de crimes reais, em que os condenados alegam ter sido presos injustamente para assim mostrar a verdade por trás do caso e tentar provar a inocência de quem fora condenado. Ela já tem três produções de grande sucesso e que resultou em grandes resultados, assim inúmeras cartas de todos os tipos de crimes chegam por dia à sua mesa, cartas de muitos condenados tentando a sorte. É quando as de Grace começam chamar sua atenção – por toda repercussão que o caso teve na época. E sem pensar duas vezes decidiu que queria conhecer toda história por trás do que as investigações locais apenas resolveram mostrar.

Ela só não imaginava tudo que iria encontrar a partir do momento em que – no local onde o crime aconteceu – pediu aos ventos que Santa Lúcia lhe mostrasse a sua história.
Seu documentário ganhou o título de “A Garota de Sugar Beach” e era exibido em tempo simultâneo às suas descobertas. Com isso, grande foi a explosão de audiência, principalmente quando a cineasta começou mostrar que havia muito mais por trás de um crime que teve seu veredicto com base em inverdades, provas insustentáveis e péssima qualidade dos serviços das autoridades locais, dos detetives e até dos advogados – muito interessados na pressa em arquivar o caso para não prejudicar o turismo da Ilha.  Com isso, Sidney mergulha de cabeça nas investigações, sem se preocupar muito com o que poderá encontrar.
E o que encontra de fato, é um contexto que envolve traições, mentiras, intrigas, omissões e injustiças - diretamente ligadas à culpas, lealdade e amor obsessivo.

Os episódios fazem tanto sucesso e grande é a comoção geral que as autoridades resolvem reabrir o caso. E antes do fim das filmagens dos últimos episódios do documentário, Sidney recebe uma carta misteriosa do detetive Gus mostrando-a que ela pode estar cometendo um grande erro. Aí é que ela vê tudo desandar, todo seu sucesso entrar pelo ralo e mais do que nunca luta pelas respostas, principalmente as que poderão mostrar se Grace é realmente inocente, afinal, para todo caso pode haver várias versões e nem tudo que parece é. Ela só não esperava descobrir isso da pior maneira possível.

Grande foi o choque dela.
E o meu também.

Afinal, reviravoltas e principalmente a surpresa são ingredientes chaves nas histórias de Donlea e essa não poderia ser diferente.
Não poderia deixar de comentar da minha alegria em ele ter trazido uma personagem de um dos seus livros anteriores e mesmo sendo, agora, uma personagem secundária, a construiu mais uma vez de forma brilhante. É uma personagem que mereceu o  destaque que teve e eu adoraria vê-la mais vezes. Criei um apego imenso! Para quem leu Deixada para trás, revê-la com certeza foi um presente e tanto.

O final, como em todos os seus livros, foi surpreendente. Este é o terceiro livro que eu leio do autor e o primeiro que eu consegui descobrir quem estava por trás da crueldade. Ainda assim o enredo foi de tirar o fôlego, porque além de ver minha teoria se concretizando, o que foi realmente sinistro, descobrir quem era o assassino não era nada perto do que viria. E o que veio foi, de fato, irremediavelmente triste. Sinto que nunca superarei o desfecho da investigação. Ainda dói lembrar da maldade e do sangue frio de alguém que atrapalhou covardemente a vida de quem só queria ajudar.

Eu não poderia deixar de falar também no quanto até agora me sinto angustiada com desenlace. Eu sinto que o autor quis passar uma impressão mais realista e isso foi genial, eu só não estava preparada para sofrer tanto por uma personagem. Gostaria muito que tivesse sido de outro jeito, foi muito doloroso ver quem honestamente lutava em busca pelo seu lugar ao sol, perder – literalmente – tudo em fração de segundos. Confesso que ainda é angustiante pensar que o final dessa história poderia acontecer com qualquer um e que em nada aquilo foi irreal ou fantasioso. Ainda é angustiante lembrar que, às vezes o nosso erro está em não querer errar. Muitas vezes estamos tão cegos em busca do nosso objetivo que nos esquecemos de pesar e respeitar os percalços.
Achei uma brecha boa para um Spin Off - que ainda não sei se é a ideia do autor, mas eu adoraria saber o rumo que os novos acontecimentos tomaram... Mesmo sendo triste demais ter que continuar a história com o buraco que foi deixado lá, devido à ausência de quem mais me cativou na história toda. É, Charlie fez um verdadeiro estrago no meu coração!

Ele mais uma vez conseguiu criar uma história inteligentíssima e de todos os seus livros, achei que esse foi impecavelmente melhor construído, embora não tenha sido o que mais me agradou. Contudo, mesmo tendo ficado tão entristecida por causa do final, eu preciso dizer o quanto eu admiro a escrita desse autor. A escrita, a criatividade, a ousadia. E coloquem ousadia nisso! Ele foi sagaz, você vai se sentir admirado e decepcionado ao mesmo tempo. Acho Charlie inteligentíssimo e muito comprometido com o que decide escrever, é nítido o seu empenho, o seu trabalho minucioso com as pesquisas - o que sempre resulta em assuntos/temas/situações bem abordadas e tratadas geniosamente por quem se empenhou em falar do assunto com maestria, refletindo em um resultado sempre bem colocado e com muita propriedade.

O livro é vertiginoso, inquietante, voraz, instigante, denso, esmagador. O autor consegue nos pegar de jeito, invade o íntimo das nossas emoções e ao mesmo tempo que nos extasia, nos dilacera inteiros. Nos leva ao céu e ao inferno, eu senti vontade de matar Charlie por ter me deixado sem reação, embasbacada, inconformada e num frenesi absurdo e ao mesmo tempo senti vontade de abraça-lo por toda genialidade por trás de uma história que ele nos deu o prazer de conhecer. A história vai te provocar sensações absurdas, efeitos que você vai se questionar se está amando ou odiando. E na verdade acho mesmo que eu amei e odiei esse livro – e na mesma proporção. O que, acredito que signifique para o autor, que tudo deu certo, tudo segue como o esperado e que ele cumpriu sua proposta.

Sua escrita é um presente para mundo literário e TODOS deveriam conhecer!