[Resenha] As mil partes do meu coração - Colleen Hoover!

Título: As mil partes do meu coração 

Autora: Colleen Hoover 

Editora: Galera 

Resenha: Merit é uma adolescente que faz parte de uma família muito peculiar, não bastasse todas as indiferenças dos integrantes da família, bem como seus segredos, ainda vivem no que já foi uma igreja – ideia do seu pai! Para resumir essa família bem atípica, ela composta por Honor, sua irmã gêmea que há tanto não são mais as melhores irmãs que já foram um dia; Seu irmão Utah, que mal se falam e ela claramente acha que ele prefere sua irmã; sua mãe que, curada de um câncer, vive no porão da casa; seu pai, casado com uma nova mulher e que essa, por sua vez, já foi enfermeira da mãe (pasmem!); Mobi, seu meio-irmão... e como se já não fosse o bastante, mais dois membros se agregam à família: Sagan, um rapaz lindo e que ama desenhar e Luck, irmão da sua madrasta. Como já é possível notar, a família Voss está longe de ser perfeita!

Merit é uma garota que se sente invisível dentro da sua própria casa, é como se não se encaixasse ali. Nunca se sentiu amada e como forma de se sentir melhor com sua própria solidão, ela coleciona troféus que nunca ganhou. Isso mesmo, cada vez que as coisas não vão bem, ela sai atrás de um troféu novo num brechó e a sensação dessa aquisição lhe traz conforto imediato, ela se sente merecedora de algo, mesmo sabendo que não é verdade. E é numa dessas saídas que ela conhece Sagan, que lhe proporciona um momento incrível e lhe desperta emoções que jamais havia sentido... até descobrir que ele a confundiu com Honor, mora na sua casa sem que ela ainda tenha visto e é o namorado da sua irmã! 

Sagan lhe encanta em todos os sentidos. Dono de uma arte incrível, ela não consegue não se envolver. Mas infelizmente não pode haver qualquer chance de relacionamento entre os dois, por motivos que ela acha saber tão bem! 

A garota se anima um pouco com a chegada de luck, que mesmo sendo um garoto extremamente excêntrico, se preocupa com ela e tem facilidade em animá-la... tudo poderia ser perfeito, se com a chegada dele, mais segredos não fossem postos em jogo. 

Com um tempo a garota vai percebendo que se torna insuportável carregar seus próprios pesos e os segredos da casa inteira. Merit decide parar de ir à escola e como sempre achou que sua ausência sequer seria um dia percebido por alguém, toma uma atitude mais drástica que essa, mas antes decide que vai fazer uma carta para cada membro da casa e expor todos os segredos que eles carregam! 

E depois do grande susto com sua atitude e de todos terem lido as cartas, o que já era uma bagunça, se tornou muito pior. Segredos que até então uns não sabiam sobre os outros são postos em questão e tudo vira de cabeça para baixo. Mas como se é possível tirar grandes lições de situações ruins, isso também trouxe alguns encaixes. Com os segredos revelados também veio o desejo de mudança, o perdão, o reconhecimento e a esperança de todos para que pudessem, enfim, viver como uma família normal vive – mesmo com todo os defeitos, pois não há família perfeita, é sabido! 

No meio de grandes revelações Merit também descobre fatos distorcidos que teve sobre Sagan e sua irmã e aquela chamazinha lá no fundo, aquela que traz traços de esperança, reacendeu, proporcionando ao casal novas possibilidades! 


Achei uma história excelente, uma das melhores da autora porque além de ter um enredo amplamente original, é real! A imperfeição dos personagens diz muito sobre as possibilidades da gente lidar com isso, no dia a dia, em qualquer âmbito da vida. A família Voss é um exemplo clássico do que se passa em milhares de famílias pelo mundo, por fora parecem perfeitas, mas é na realidade que podemos notar o quanto podem ser quebradas por dentro e cheios daqueles que estão juntos, mas separados ao mesmo tempo. Convivem, mas não se conhecem! 

Achei a história pesada em alguns momentos e cheia de alguns gatilhos - é interessante salientar! Mas ao mesmo tempo nos mostra o quanto a falta de contato e de uma boa conversa pode interferir na vida do outro. Pontua com virtuosidade a importância de se olhar mais para os lados e ter mais empatia, o problema do outro pode acabar sendo o seu amanhã! Hoje é ele quem precisa, nada garante que amanhã pode não ser você! 

No mais, CoHo veio com mais um livrão, numa história que fala de rancor, desprezo, depressão, mas também fala sobre busca de identidade, esperança, amor e principalmente perdão - principalmente aquele que diz que temos que perdoar a si mesmos, para poder perdoar o próximo, afinal nem todo erro merece uma consequência...

[Resenha] Dear Heart, Eu Odeio Você! - J. Sterling!

Título: Dear Heart, Eu Odeio Você!

Autora: J. Sterling

Editora: Faro Editorial

Resenha: Se você acha que não é possível cultivar um amor à distância, Jules e Cal estão aqui pra te provar que o amor é capaz de vencer qualquer barreira! 

Diante de um encontro por acaso, Jules e Cal se conhecem durante uma conferência de trabalho que a moça participa em Boston – onde ele vive! E foi na mesa ao lado, que ela notou aquele que roubou toda sua atenção, o dono dos lábios mais charmosos que ela já vira. 

A atração entre os dois foi imediata e depois de algumas investidas indiretas (ou diretas?!), os dois intensificam a conversa, o contato e acabam passando o final de semana todo juntos e é aí que descobrem o quanto eles têm em comum. Os dois são independentes, bem sucedidos, obcecados por trabalho e não pensam em relacionamento (ou acham que não, haha!). 

Jules e Cal estavam vivendo momentos maravilhosos e sequer imaginavam que duas pessoas que acabaram de se conhecer poderiam ter uma conexão tão rápida e boa, estava tudo inacreditável e perfeito demais para ser verdade... até a hora da partida!

Ao passo que ela entra no avião a dor de ambos é palpável. E o que era pra ter ficado apenas naquele fim de semana em Boston se estende ao longo de todos os próximos dias. Os dois começam a trocar mensagens e isso se torna algo tão rotineiro que nenhum deles consegue mais se enxergar acordando ou indo dormir sem saber se o outro está bem!

Partilhando momentos e experiências de trabalho, Jules e Cal sustentam uma relação onde os dois sabem que o que eles viveram em Boston já não mais significou algo somente casual. E cansados de manter esse contato apenas por mensagens, Cal sugere ir visitá-la. E é nessa decisão que tudo se intensifica, acabando com qualquer possibilidade de por um fim numa relação que prometia ser tão complicada pela distância e acabando com qualquer dúvida que ainda poderia existir sobre os seus sentimentos. Eles se davam bem e gostavam do que um causava no outro, estava mais que notável, estava escancarado!

O final de semana transcorreu muito melhor do que eles esperavam, mas a volta de Cal para Boston é que foi o problema. Preocupado com o rumo desses acontecimentos e temendo que os dois sofreriam por estarem tão envolvidos e morando tão distantes, Cal dá uma escorregada e toma uma decisão que abala por completo a relação dos dois. 

E agora? Valia a pena insistir?!

Com o passar do tempo, entre decisões erradas, afastamentos, pedidos de desculpas e perdão, o casal percebe que o amor pode, de fato, encurtar distâncias!


“Dear Heart, Eu Odeio Você” é um livro sobre amor, daqueles que não precisa nem ser um conto de fadas para que você suspire. É sobre um amor que nasce do acaso, se sustenta na incerteza e termina com a sensação de que vale sim, lutar por alguém que você ama, mesmo que isso tenha percalços no caminho e que você se questione se vai dar certo ou não.

Jules e Cal nos mostram que para dar certo, é preciso simplesmente querer e pra fazer acontecer é preciso ousadia. 

J. Sterling tem uma escrita muito gostosa de ler, te envolve facilmente. O enredo, além de cumprir o prometido e ser interessante e bem humorado, é fluido e a narrativa em primeira pessoa intercalando entre o ponto de vista dela e dele, nos conecta com os personagens de forma bem suave.

Recomendo!

[Resenha] Desgrávida - Jenni Hendriks e Ted Caplan!

Título: Desgrávida

Autores: Jenni Hendriks e Ted Caplan

Editora: Faro Editorial

Resenha: Veronica Clarke é o que chamamos de garota zero defeitos. Além de ser um grande exemplo para família, é um modelo quando o assunto é escola. Está no último ano - mais precisamente na época dos exames finais -, sempre teve ótimas notas, é popular, está concorrendo à oradora da turma e já tem sua vaga garantida na Universidade Brown, aquela que ela sempre sonhou! Para completar, tem três melhores amigas que também são bem populares e ela ainda namora o garoto mais cobiçado, o Kevin, que é completamente apaixonado por ela.
O que alguém mais poderia querer?


Nada poderia ser mais perfeito e não tinha o que dar errado (ou tinha?).

Como nem tudo são flores e dias ruins chegam para todos, Veronica percebe que sua menstruação está atrasada e mesmo sabendo das mínimas chances de uma possível gravidez - uma vez que ela e Kevin utilizam dos métodos contraceptivos -, ela faz um teste de farmácia para tirar a dúvida!

Então no banheiro da escola, ela decide acabar com aquilo e faz o teste ali mesmo. E para desespero da nossa protagonista, o teste dá positivo. Isso mesmo: PO SI TI VO. E como se já não bastasse, Bailey, sua ex-melhor amiga aparece no banheiro e descobre tudo. É aí que Verônica chega a conclusão que tem dois problemas pela frente - num momento típico daquelas situações em que a gente se dá conta de que nunca deveria ter saído da cama.

E agora? Sem chão, a garota de 17 anos não sabe por onde começar para resolver os problemas que tendem a colocar sua vida de cabeça pra baixo e destruir, além de sua imagem, seus planos de futuro.

Com base nisso, toda a jornada começa. Decidida a fazer um aborto e sabotar esse contratempo que ameaça seu futuro, ela liga para algumas clínicas que fazem o procedimento e a mais próxima fica em Albuquerque, no Novo México, à “APENAS” mil e seiscentos quilômetros dali. Iria ser uma jornada difícil? Iria! Mas o que ela não esperava era que contaria com a última pessoa no mundo que já se imaginou pedindo ajuda, ela mesma: Bailey Butler! A companhia mais doida que alguém pode ter!

Se tem como ficar pior? Tem! Veronica ainda descobre que seu namorado usou de uma técnica um tanto baixa e egoísta para engravidá-la de propósito e é o culpado por sua gravidez. O motivo? Para que ela não fosse embora cursar uma faculdade e assim ficasse sempre perto dele. Tem como defender? Jamais!

Com capítulos divididos em quilometragens, vamos acompanhar uma viagem recheada de muitas gargalhadas, confusões, carro roubado, fugas e principalmente... (re) descobertas. E ainda que a trama tenha o foco principal na tentativa incansável das garotas em chegar a tempo na clinica para realizar o procedimento, também nos traz muitas cenas que exploram a relação de amizade delas, tanto os problemas que fizeram com que elas se afastassem no passado, tanto o que elas são agora e tem de lidar - numa jornada interessante que estava muito além de ser só uma viagem por um objetivo único, mas que resultou numa jornada pelo autoconhecimento, busca de identidade, recomeços, perdão e o verdadeiro sentido da amizade.

E mesmo diante de muitas discussões e desentendimentos no caminho, a cada novo estresse podíamos conhecer mais das duas e entender o que estava por trás do afastamento e conflito delas. E melhor que isso, elas mesmas puderam se conhecer melhor, sendo notável o amadurecimento de ambas, em diálogos bem construídos.

Desgrávida aborda um assunto importante e um tanto polêmico, mas que os autores souberam tratar com humor e leveza, num livro que fala muito mais sobre amor, amizade, cumplicidade, sinceridade e por último, mas não menos importante: a busca pela felicidade e pelo direito de SER e FAZER o que quiser da própria vida!

Em breve haverá adaptação pela HBO!
Livro recomendadíssimo!

[Resenha] A guerra que me ensinou a viver - Kimberly Bradley!

Título: A guerra que me ensinou a viver

Autora: Kimberly Brubaker Bradley

Editora: Darkside Books


Resenha: 'A guerra que me ensinou a viver' faz parte de uma duologia e em seu primeiro volume "A guerra que salvou a minha vida" (resenha AQUI), conheceremos a história de Ada e James, duas crianças que após serem evacuadas devido a guerra, vão morar um Susan, uma mulher que de início se recusa a encarar aquela experiência, mas que com um tempo, ela, assim como as crianças, se entregam para o que o destino propôs e encontram naquela situação, muito mais do que esperavam. Encontram, uns nos outros, novos motivos para continuar vivendo e fechar as feridas!

No segundo volume, vamos encontrar uma Ada, mesmo ainda diante de muitas resistências, menos arredia e mais entregue ao que Susan a oferece. Encontraremos duas crianças que aprenderam, na dor, a se entregar ao novo. Neste volume a história tem início exatamente do ponto em que o primeiro parou e também é narrado pela perspectiva da pequena Ada.

Susan continua, de forma muito paciente, explicando aos irmãos tudo que eles desconhecem, que vão desde as coisas mais simples, às mais complexas, rendendo muitas vezes diálogos maravilhosos e muito divertidos.

“É possível saber um monte de coisas e mesmo 
assim não acreditar em nenhuma delas”

A guerra tem continuidade nesse volume e todos os dias parece ser mais um novo motivo para agradecer por estar vivo. Com a guerra, novas pessoas passam a fazer parte da vida de Susan e das crianças também, como a família de Lady Thorton - que é quem lhes dá um teto diante dos últimos acontecimentos no primeiro livro - e Ruth, uma garota alemã que chega muito assustada e mesmo gerando medo e curiosidade para uns e revolta para outros, com o passar do tempo passa a ser vista com melhores olhos.

E assim a história de Ada se desenrola. Com um tempo a garotinha vai dando o braço a torcer e começa a perceber que nem todo mundo é igual ou uma extensão do que a mãe dela foi para ela e o irmão. Seu coraçãozinho que, embora ainda assustado, estava fechado para novas perspectivas, começa amolecer e o que era medo, dia após dia, vai se transformando em lealdade a amor.

A guerra que me ensinou a viver é tão lindo quanto o primeiro. Kimberly conseguiu, mesmo diante da ótica de uma criança, nos ensinar lições valiosas de coragem e superação, é impossível não aprender alguma coisa com a Ada. Assim como conseguiu também nos envolver num tema forte e desastroso diante do cenário em que a história é ambientada, mas sem deixar o livro pesado ou devastante.

“É possível saber um monte de coisas e um 
dia, enfim, acreditar em todas elas.”

A edição beira a perfeição. Fiquei tão apaixonada pela diagramação desse, assim como fiquei do outro. A DarkSide sabe nos fazer amar um livro pelo conjunto, o trabalho inteiro está impecável, as fotos no final do livro nos aproximam ainda mais do enredo e nos dão um choque de realidade.

A escrita de Kimberly é majestosa e além de nos proporcionar uma leitura fluida e instigante, nos faz olhar para dentro. Ada encontrou o seu lugar no mundo e venceu a guerra que se travava dentro dela. Que possamos aprender nem que seja o mínimo com essa história que tanto abre nossos olhos da importância de pensar no outro e sermos melhores a cada dia - pensando no coletivo e também em nós mesmos.

Se o mínimo que esse livro tem para oferecer mudar uma coisinha que seja em cada um, quem sabe um dia ainda vivamos num mundo mais altruísta e de paz, onde travar nossa guerra interior seja simplesmente o maior dos problemas diante de todo o resto.

[Resenha] Verity - Colleen Hoover!

Título: Verity

Autora: Colleen Hoover

Editora: Galera


Resenha: Narrado em primeira pessoa por Lowen, uma escritora que mesmo sendo extremamente discreta quanto aos holofotes, resolve aceitar uma proposta irrecusável do marido de Verity - uma Best-seller famosa -, para continuar escrevendo uma série de sucesso da sua mulher.

O motivo é que depois do acidente que deixou Verity inválida, ela parou de publicar os livros e então seu marido, Jeremy, teve a ideia de contratar uma escritora para finalizar a série. Cotada como a melhor pessoa para tal privilégio, Lowen, que está cheia de dívidas, sem emprego e sendo ameaçada de despejo, não consegue recusar a proposta que irá lhe tirar do sufoco financeiramente falando.

Para isso, ela é convidada por ele para passar uns dias em sua casa e ter acesso ao escritório de Verity e assim conhecer mais da autora, se familiarizar com as ideias dela acerca de tudo e para que possa ler os primeiros livros da série a fim de que, conhecendo melhor a história, possa dar uma melhor continuidade ao trabalho inacabado da sua esposa.

Assim, Lowen o faz! E mesmo super desconfortável com aquela situação e insegura quanto a aquilo realmente dar certo, ela aceita o desafio. Mas, o que ela encontra vai muito além do que ela imaginava. Revirando o escritório da mulher que perdia os últimos anos da sua vida em cima de uma cama, ela encontra um manuscrito que Verity conta sobre a sua relação com Jeremy desde o primeiro encontro, até o momento do seu acidente. E o que vamos presenciar a partir daí é uma série de fatos que nos mostra que Verity não é tão perfeita quanto todos pensam e que ela esconde, não só segredos, mas uma personalidade de dar medo.

Atordoada e sem saber se conta ou não para Jeremy que sua mulher não é quem ele pensa, ela descobre também que os dias atuais da própria Verity escondem segredos que podem colocar todos naquela casa em risco. O desenrolar é eletrizante e quanto mais a leitura avança, mas queremos saber o que realmente está por trás de tudo e como aquilo vai acabar.

O final foi de cair o queixo. Colleen trouxe o que ninguém esperava e ainda lançou duas hipóteses para um desfecho que quando achávamos que tudo fora desvendado, uma carta aparece e muda todo o conceito que tínhamos criado. Foi como se ela tivesse nos dado mais uma peça para um quebra-cabeça que aparentemente estava montado. E agora, como encaixar mais aquela nova peça? Pois bem, eu embaralhei tudo e montei o meu final!
Uma cartada de mestre? Claro! A autora usou diferentes "armas" para criar dois finais extremamente possíveis e que no final coube a nós, meros leitores, decidirmos de que lado estávamos!
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A partir daqui vou deixar minha opinião e... CONTEM SPOILER!
Se você não leu o livro, sugiro que leia até o parágrafo acima!!

(...) bom, diante de um final onde a autora deixa duas hipóteses sobre a realidade da história, há quem tenha defendido a teoria do manuscrito e há quem tenha ficado do lado da teoria da carta! Eu faço parte do segundo time.
Por quê?

Bem, porque três situações ficaram permeando em minha cabeça, me levando a defender Verity e a veracidade da carta, são elas:

1. Acreditar no manuscrito seria subestimar a inteligência da própria autora e o poder dela de agregar surpresa à sua história, assim como também o poder que vai muito além de surpreender, mas de impactar! Se eu acreditasse na versão do manuscrito, em nada seria uma surpresa o desfecho do livro porque durante toda a trama, a autora pinta Verity como a pior pessoa do mundo, lemos o livro inteiro a odiando e desprezando suas atitudes e sua mente doentia. Qual a surpresa o final nos traria se o manuscrito fosse verdade? Apenas que Verity era mesmo tudo aquilo e fim! E não é essa sensação de desfecho que eu quero ter porque sei do potencial de Colleen e do quanto ela não queria que as coisas fossem tão óbvias. Então sim, eu prefiro acreditar na reviravolta e acreditar que a autora soube nos enganar, porque é em cima disso que o thriller funciona: além de envolver, brincar com o leitor e surpreender!

Sem falar que devemos estar sempre atento ao que está muito óbvio e ao que o autor está nos levando a acreditar, quem lê muito thriller sabe disso, muitos autores nos conduzem facilmente para o caminho que ELES querem que acreditemos e isso ficou bem claro aqui, o enredo nos levou a acreditar no pior lado de verity o tempo inteiro, então na minha cabeça acostumada a esse tipo de leitura (suspense/mistério), já estava aguardando a surpresa e reviravolta... E achar que Colleen nos presenteou com uma bela dose de impacto também contribui para minha defesa da versão da carta, haha

2. A incógnita chamada Jeremy! Fiquei com o pé atrás com esse personagem o livro inteiro e quando ele confessou que não foi a mulher que leu os livros de Lowen e sim ele, deixou bem claro que havia muito mais por trás do interesse dele na estadia de Lowen à casa deles. Na minha hipótese, Jeremy não era tão mocinho assim. E querem saber de mais?
Jeremy tinha o manuscrito nas mãos e com isso, tudo que ele precisava para fazer Verity pagar pelo que supostamente ele acreditava que ela havia feito. Com o manuscrito ele poderia usar o que ela mesma escreveu contra ela, então por que ele preferiu matá-la se poderia seguir por um caminho muito mais justo que seria colocá-la atrás das grades? Isso deixou bem claro a personalidade ruim do personagem. O manuscrito o colocava como vítima, ele tinha tudo nas mãos, por que escolheu o pior caminho? Na minha cabeça, porque ele sabia que ela poderia algum dia contar pessoalmente a polícia justamente tudo que estava na carta e todos saberiam que ele provocou o acidente dela, tornando indiferente e sem sentido a versão do manuscrito.

3. Acho que a capa já é um próprio spoiler e aquela cena reitera minha versão dos fatos kkkkkkkk. A cena faz parte da versão da carta e... paro por aqui pra não falar demais rs.

Resumindo, minha opinião é que Verity foi vítima da própria história!

Sou fã de Colleen assumidíssima e thriller é um gênero que eu amo. Então vocês podem imaginar o que eu senti unindo essas duas coisas num livro só. Gostei demais de Verity e gostaria de ver a autora em outros livros desse gênero, afinal ela nunca decepciona.


[Resenha] Os Manuscritos Perdidos - Charlotte Bronte!

Titulo: Os Manuscritos Perdidos - Charlotte Brontë

Editora: Faro Editorial

Sinopse: “Resgatado de um naufrágio e perdido por quase dois séculos, este livro tem uma história tão incrível quanto as escritas pela família Brontë. Viajando por quase duzentos anos entre o Velho e o Novo Mundo, os manuscritos passaram por diversas mãos e sobreviveram até a um naufrágio. Mais do que os primeiros rascunhos do que viria a se tornar a obra de Charlotte, o material revela detalhes da vida de uma das famílias mais talentosas da literatura mundial. Tudo teve início em 1810, quando Maria Branwell, que se tornaria mãe das famosas irmãs Brontë, obteve um livro, em sua terra natal. Dois anos depois, ela se mudou e o exemplar estava entre seus bens que naufragaram em um navio. O livro foi recuperado intacto e tornou-se precioso para toda a Família Brontë, sendo não apenas uma fonte de leitura, mas também de anotação pelas irmãs Charlotte, Emily, Anne, seu irmão Branwell e seu pai, Patrick. Em 1861, o livro foi vendido em um leilão depois da morte de toda a família. E, nos anos seguintes, passou por diversos donos, eventualmente, viajando para a América, onde permaneceu em uma coleção particular até 2015. Comprado pela Brontë Society, descobriu-se joias literárias e históricas escondidas entre suas páginas. Isso inclui anotações, esboços e dois textos nunca publicados de Charlotte Brontë. Mas este trabalho vai além: especialistas foram convidados a examinar os documentos e apresentam muitas reflexões, incluindo uma sobre a inspiração de Emily Brontë para um dos maiores livros da história: O morro dos ventos uivantes.”


Resenha: “Descobrir manuscritos inéditos de Charlotte Bronte, uma das maiores e mais amadas escritoras inglesas, é um marco célebre – e a história por trás dessa descoberta é igualmente incrível.”

O livro é introduzido com esse trecho que tanto nos diz sobre o que esperar dele. Sim, o livro é um verdadeiro deleite para os admiradores da Família Brontë.

Tudo tem início a partir de um livro que Maria Branwell, matriarca da família, possuía e que - de forma intacta - sobreviveu a um naufrágio durante uma travessia. Depois de recuperado, ele foi entregue de volta à família que, depois de tudo que aconteceu ao livro e por tudo que ele representava para todos após a morte dela, ele foi tido com muito apreço por seus filhos Charlotte, Emily, Anne, Elizabeth, Maria, o irmão Bramwell e o pai Patrick, que utilizaram o estimado bem não só para leituras, mas também para anotações... no que era para eles, uma preciosa recordação de Maria! (...) e que posteriormente nos presentearia com textos maravilhosos (alguns nunca publicados) de Charlotte.

Após a morte de todos e depois de passar por vários lugares e pessoas, ele foi adquirido pela Brontë Society, uma sociedade que tem como presidente, Judi Dench, uma fã incondicional da família. O livro tem início com a apresentação dela, mostrando todo seu apreço pela família que marcou gerações.

A edição está – impecavelmente – maravilhosa. O livro é um transcrito de informações ricas e muito bem exploradas e colocadas. Fotos, fragmentos poéticos, pinturas, autorretratos e manuscritos reais e de uma riqueza de detalhes incrível, você se sente de fato conhecendo de perto as memórias da família. Que grande acerto da Faro. Somos todos gratos por isso 

Conheci um pouco das Irmãs Bronte quando li, há alguns anos atrás, o livro de Emily. Após a leitura desse livro - que se tornou um dos meus favoritos -, fui pesquisar mais um pouco sobre a família e fiquei encantada, além de seguir querendo ler todos os livros das irmãs. Minha admiração pela família Bronte perdura até hoje e esta foi a razão de ter solicitado esse livro com a Editora, já imaginava o quanto ele seria majestoso, rico e me acrescentaria. E como acrescentou! Foi maravilhoso conhecer um pouquinho mais dessa família, além de ver tantas reflexões acerca de – coincidentemente - o único livro da família que eu li até hoje, O morro dos ventos uivantes.