[Novidades] Novos na Estante - Dezembro/18 ♥

Hi everybody

Como vocês estão?!
Esse é o primeiro post do ano e já trago novidades <3
Novidades ainda de 2018, mas está valendo rs
Estamos chegando na metade do mês, eu sei... mas ainda dá tempo de mostrar pra vocês tudo que entrou para minha estante no último dia do mês.

Teve livro de parceria, teve presentinhos, cortesia do skoob (aleluia!), teve de tudo.
Sem delongas, esses foram os recebidos do mês de dezembro 📚
Só coisa boa


🔸Jane Eyre;
🔸Surpreendente;
🔸Coração de unicórnio;
🔸A garota no gelo;
🔸O cortiço;
🔸Não se enrola, não;
🔸O canalha do 610;
🔸Dois irmãos, uma guerra;
🔸Caixa de pássaros (não está na foto porque está emprestado).

Conta aí o que vocês acharam!
Já leram algum desses?
Por hoje é só!

Até a próxima

[Resenha] Coração de Unicórnio - Diego Wayne!

Título: Coração de Unicórnio

Autor: Diego Wayne

Editora: Rico Editora

Sinopse: “Poesias fazem mais que contar histórias. Conseguem captar em palavras sentimentos, sons, gestos, suspiros de amor e gritos de revolta… Deixam brotar do peito toda a paixão e revolta que nos rodeia, dando forma àquilo que nos dá sentido. Faz do verso a própria bandeira.
Com textos inéditos e alguns tirados do seu Instagram, Diego Wayne se despe dos trajes cinzentos nos quais a sociedade tenta vesti-lo – e a cada um dos leitores – e pinta a pele com as cores da imaginação. Mostra como o preconceito, a desigualdade e a homofobia podem ser discutidos e combatidos, com um pouco de riso, talvez uma dose dupla de rima… E te convencerá, que mesmo dentro das pessoas mais fechadas, cinzentas e frias existe algo mágico, intocável… Um coração de unicórnio, talvez.
Permita-se e descubra."


Resenha: Coração de Unicórnio nos traz uma coletânea de poesias que de forma envolvente nos mostra o verdadeiro valor das coisas, nos permitindo tão facilmente visualizar as impressões, ideias e pensamentos do autor, exaltando assim, com muita propriedade, sua afinidade com as palavras e amor pela vida e pelo que és. 

Com poesias marcantes e curtas, sua narrativa é perspicaz, reflexiva, sagaz, empoderada e altruísta ao mesmo tempo. Flui com muita naturalidade e prontamente você se encontra devorando o livro. 
Nos faz refletir sobre o atual cenário de tanto desamor e a respeito de pequenas e grandes coisas do dia a dia, nos permitindo a sensação de cada vez mais querer lutar, todos juntos, por um mundo com mais igualdade e amor. 



Sobre o autor:
Diego Wayne, é paraense, capricorniano e formado em Língua Inglesa, pós-graduado no ensino de artes .Tem poemas publicados no blog do Plástico bolha e em antologia paraense de jovens poetas.Ama literatura e arte,música é o seu combustível,é professor na rede estadual do estado do Pará e ama o que faz.

Recomendo!!

[Resenha] Caixa de Pássaros - Josh Malerman!

Título: Caixa de Pássaros

Autor: Josh Malerman

Editora: Intrínseca


Resenha: Narrado em terceira pessoa, o enredo intercala entre presente e passado e nele conheceremos Malorie. No presente veremos a moça tentando fugir da sua situação atual, da casa a qual estava abrigada e indo, por um rio, com duas crianças, para onde nos parece ser um lugar em que estarão a salvo. No passado conhecemos como tudo aquilo começou, o porquê da fuga de Malorie e de quem ou do quê ela está fugindo com os filhos.

Seguindo essas duas vertentes, os capítulos de 4 anos atrás nos mostram o início do surto. Os noticiários não falam de outra coisa, se espalham como um vírus. Há algo acontecendo em outros países, algo sem controle e sem explicação. Existe algo nas ruas, em toda parte, que faz com que quem olhe para aquilo tenha uma vontade avassaladora de se matar e matar quem estiver por perto. Com isso uma onda de suicídios é iniciada e embora muita gente ainda viva desacreditada que aquilo pode ser real, quando veem “a coisa” chegar mais perto deles é que percebem que realmente algo de muito errado e sério está acontecendo lá fora e que a única solução, no momento, é manter os olhos vendados.

Malorie, que descobre recentemente uma gravidez, agora precisa suportar essa onda de medo e mortes sozinha, porque sua única companhia, sua irmã, acabara de ser mais uma vítima do caos. Sem saber o que fazer, vê o anúncio de uma casa no jornal. Eles estão aceitando todas as pessoas que ainda estiverem vivas. Sem pensar duas vezes, e tentando proteger os olhos ao máximo, dirige até lá.
Lá, ela conhece um grupo que já está instalado e buscando uma forma de sobreviver com o estoque de comida que tem no porão - colocado lá pelo antigo dono da casa que já se preparava para o que estaria por vir -, com água de um poço próximo à casa e buscando uma solução e explicação para tudo aquilo. Várias são as hipóteses, uns acham que são alienígenas, outros, criaturas inidentificáveis. Há quem ache que é um vírus, uma maldição. Ninguém sabe exatamente o que está lá fora e que ninguém pode sequer olhar - algo que desafiava os limites da compreensão. Com isso a casa é mantida trancada e todas as janelas com proteção.

O desenrolar é surpreendente, desde saídas em busca de mais suprimentos e conflitos internos à novas situações apavorantes e visitas indesejáveis. Trancafiados e com os nervos e emoções à flor da pele, as relações também mudam – o que é natural. E quando menos se espera, vemos que o mal não estava só lá fora.

Em tempo real, Malorie, depois de 4 anos buscando coragem para sair de casa com as crianças e ir para um lugar seguro, finalmente adentra o rio. As crianças são inteligentíssimas e durante todo esse tempo, ela os preparou para esse momento. Chamados de Garoto e Menina, eles tem os ouvidos apurados, ela os preparou para que ouvissem perfeitamente bem, que identificassem qualquer tipo de barulho - era assim que eles a ajudariam na jornada que estaria por vir. A trajetória pelo objetivo nos deixa com o coração na mão, pelo caminho os três encontram vários tipos de contratempos, mas a sede de uma mãe para proteger os filhos falou muito mais alto.

Josh abusou do horror psicológico, numa trama de – literalmente – tirar o fôlego. É perturbador. Nos deixa inquietos, aflitos, desesperados, com medo. A todo momento novas perguntas surgem em nossa cabeça. A cada virada de página, um novo questionamento. E saber como tudo aquilo iria terminar e principalmente entender o porquê daquilo, é o que nos move e nos prende inteiramente a um livro que já tem uma premissa que nos fisga por si só e daí ainda nos deparamos com um desenrolar que quanto mais você avança, mais quer juntar as peças para o desfecho.

O autor tem uma escrita super fluida e aliado a uma trama curiosa, ousada e apavorante, contribui e muito para que todos façam uma leitura rápida e apreciável. Achei todos os personagens bem construídos, até quem ficou pouco tempo na história cumpriu seu papel. Amei a protagonista! Malorie consegue nos cativar pela mulher de força que és. Uma mulher incrível que sabia lidar com todas as situações e depois - sozinha – ainda conseguiu desempenhar o papel de mãe mesmo em meio ao medo instalado, o horror sempre presente... Numa trama que vai te dar calafrios e ainda assim você não vai conseguir parar de ler.

Um livro perturbador. Caixa de pássaros fala da luta pela sobrevivência em meio ao caos. De um grupo de pessoas que para tentar a sorte tiveram que se trancar em uma casa e abolir qualquer contato com o mundo exterior, num lugar onde o mal poderia estar por toda parte, até dentro da própria casa.

  •   Sobre o filme (Já disponível na Netflix)

Embora eu tenha achado um ‘filmão do caramba’, achei que teve o enredo muito alterado. Fugiu um pouco da proposta de adaptação. Eu faço parte do time dos que valorizam uma adaptação fiel e ver que a produção praticamente construiu outras cenas que nem existiam no livro me deixou sentindo falta de uma presença maior do enredo. Acredito que deveria ter sido intitulado como apenas filme INSPIRADO no livro porque a única coisa que eles levaram de lá foi a premissa, todo o desenrolar – ainda que com alguns traços da história do livro – foi praticamente independente, pra não dizer NOVO. Mas não foi um filme ruim, pra quem não leu, acredito que definiram como uma das melhores produções (porque foi uma baita produção mesmo!), mas para quem leu, tentem não assistir pela ótica do livro, apreciarão mais. Preciso falar do elenco, preciso falar de Sandra Bullock! E não é porque é uma das minhas atrizes favoritas, mas precisava dizer o quanto ela está impecavelmente extraordinária... Juntamente com aquelas duas crianças que o que a gente mais quer é tirar da TV e abraçar. Todos os prêmios do mundo para eles. No mais, eu recomendo e MUITO, o filme também.

[Resenha] Stalker - Tarryn Fisher!

Título: Stalker

Autora: Tarryn Fisher

Editora: Faro Editorial

Resenha: Stalker é um livro dividido em três partes, todas narradas em primeira pessoa e por pontos de vista diferentes. Isso nos faz conhecer melhor o íntimo dos personagens que através de perspectivas diferentes vamos entendendo os medos, desejos e comportamentos de cada um deles.


A primeira parte é narrada pela ótica de Fig Coxbury, intitulada de “A psicopata”. Fig é uma mulher aparentemente normal, mas que esconde uma personalidade assustadora. Depois de perder seu bebê, ela passou a querer encontrar a filha dela em outras crianças. Cansada da sua vida que julga ser pior que a dos outros e onde tudo sempre dá errado, ela se sente injustiçada ao ponto de achar que ninguém merece ter as coisas que ela não pôde ter. E aí que na família Avery ela encontra - o que na sua cabeça -, tinha que ser seu. Aliás, sempre foi seu. A família é composta por Jolene, Darius e a filhinha deles, Mercy. Fig vê em Mercy, a criança que ela perdera e passa a ter uma obsessão tão grande pela família que se muda para uma casa ao lado da deles.

Com muita facilidade Fig aborda a família e para sua felicidade, recebe abertura para se aproximar. Darius e Jolene são pessoas muito receptivas e logo a intrusa já se vê sendo amiga deles e adentrando até nos seus círculos de amizades e sem que qualquer um desconfie das suas reais intenções.
Com o desenrolar da primeira parte do livro vamos vendo o quanto Fig é uma mulher sem escrúpulos, infeliz, invejosa, dissimulada, corajosa e de mente doentia e desvairada. É uma pessoa obcecada pelo que é dos outros. Com um tempo vamos reconhecendo que ela desejava não só a Mercy, para suprir a falta de uma filha que ela sequer teve... Ela estava mais interessada em ser como Jolene. Ela a odiava. Jolene tinha tudo o que ela não tinha. Um marido, uma filha, uma casa, uma família. Ela queria a Mercy, queria o Darius - porque eles eram dela. E ela queria absolutamente tudo que fosse dessa mulher -  que ela achava não merecer tudo que tinha. Ela que merecia.

Na segunda parte temos a narrativa pela ótica do Darius e é intitulada de “O sociopata”. Essa parte me deixou bem apreensiva e decepcionada. A gente já tem uma noção sobre a personalidade do Darius na primeira parte, mas aqui tudo se concretiza. Ao olhar de Fig, Darius e Jolene são ‘O casal dos sonhos’. O amor que um tem – notavelmente – pelo outro é o que mais a incomoda. Presenciar as trocas de carinho deles é um martírio para ela que deseja incansavelmente o marido da vizinha. Darius inicialmente mostra-se o marido apaixonado e fiel... até não resistir às investidas de Fig cada vez mais insistentes. E aí passamos a ter outra imagem do mocinho que se torna tão vilão quanto a própria vilã. Vemos um Darius que conseguiu perceber o problema na vizinha, foi o primeiro a tentar alertar a esposa quanto à obsessão da mulher que cada dia mais mostrava estar enlouquecida por se tornar igual – ou melhor – que a própria Jolene. Imitando suas roupas, perfumes, gosto para vinhos, cigarros, decoração e tudo o mais que se dá pra copiar de outra pessoa. Mas que em contrapartida não fez coisa alguma para proteger a mulher e a filha. Enxergou o problema, mas não foi homem o suficiente para resolver. Percebeu também que Fig não estava apaixonado por ele, ela só o queria porque ele era da Jolene. Mas, além de algumas vezes ter tentado mostrar a mulher quem era a vizinha, pouco fez. Estava ocupado demais. Ora cedendo às investidas da psicopata, ora ocupado demais culpando a esposa pelos seus ciúmes doentios por um ex-colega de faculdade dela, quando ela nunca tivera nada com ele.

Darius encontrava nessas suspeitas sobre Jolene, o motivo suficiente para querer mostrá-la que ela era pior que ele. Porque trair sua esposa com outras mulheres pode. O que não pode é ver sua esposa conversar com um antigo colega.
Nessa parte temos a ideia concreta de quem realmente é o Darius e vemos assim que ele faz jus incontestavelmente ao título dessa parte. Nos mostra a realidade. Acredito que foi a parte que mais me fez refletir. Sobre como não sabemos e nunca saberemos tudo sobre até quem anda lado a lado conosco.

Já finalizando temos a terceira parte. Essa parte é intitulada de ‘A Escritora’ e traz a narrativa pela ótica de Jolene, a mulher que Fig resolveu chamar de ‘Desnaturada’ e que não era boa o suficiente para a filha e o marido. Jolene, por sua vez, é uma mulher altruísta, dedicada, ama escrever e ajudar quem quer que seja. Uma pessoa boa demais para ver a maldade dos outros.
Fig vê nela uma vítima fácil e tão logo ganhou sua confiança com seus dramas de pessoa solitária, injustiçada e de pensamentos suicidas. Seu poder de persuasão caiu como uma luva principalmente na fase em que Jolene se encontrava fragilizada.

Foi nessa parte que o livro ganhou uma adrenalina a mais, pois Jolene começou a juntar as peças e deu mais atenção ao que o marido já tinha falado sobre a nova vizinha. Unindo tudo o que tinha, conseguiu se certificar – sozinha – o que ela mesma havia feito com a própria vida. O erro que tinha cometido em abrir as portas da sua casa e da sua vida para uma estranha.

O final é totalmente imprevisível e foi tão apavorante a situação em que a protagonista se encontrava que você se recusa a acreditar que aquilo pode mesmo acontecer na vida real. O final eu achei que deixou um pouco a desejar. Acredito que após a leitura todo mundo ficou um pouco curioso pra saber os rumos da história depois daquela última cena. Foi sinistro demais se dar conta que aquela situação havia se transformado num círculo vicioso.

Stalker é um livro que mexe com nossas emoções. Eu gostei da forma como Tarryn construiu o enredo. Ter nos mostrado a história por três óticas diferentes nos deu espaço para refletir não só sobre a trama central, mas também sobre os conflitos e estranhezas que podem existir num casamento e, no entanto, nem todos conseguem enxergar. A autora nos mostrou da forma mais dura que a vida não tem nada de mar de flores e te fará repensar sobre a forma como você se abre para as coisas novas e para as amizades repentinas.

Tarryn soube mesclar nas doses certas, muito do que um bom suspense exige. Você vai se sentir curioso, perturbado, incrédulo e o pior, em choque. E tudo isso culmina para um desenrolar tão surreal que chega a incomodar. O leitor vai se sentir facilmente envolvido, mas se preparem para as paranoias... Você vai acabar de ler tendo mais certeza do que nunca que as aparências podem enganar muito mais do que ousamos imaginar!

Recomendo!

[Resenha] Eu e esse meu coração - C. C Hunter!

Título: Eu e esse meu coração

Autora: C. C. Hunter

Editora: Jangada/Pensamento


Resenha: O livro nos apresenta Leah McKenzie, uma garota de 17 anos, que após ter contraído um vírus, foi obrigada a viver com um coração artificial para sobreviver. Sabe que tem pouco de vida e embora seja uma garota forte, determinada e corajosa, todos os percalços após a descoberta da doença, não a deixam criar perspectivas e ela vive achando que vai morrer. Um desses percalços é que ela espera por um transplante. Um percalço maior: Seu tipo de sangue é raro e ela vê nisso poucas chances de que se faça a tempo.

Sua situação a obriga a andar com um coração artificial dentro de uma mochila e este coração é anexado a um tubo que entra em sua cavidade torácica e é o que a mantém viva. Leah vê como uma bomba. E o pior, com prazo de validade para estourar. Com isso, a garota vive conformada com seu destino trágico.

Como viver com uma mochila para cima e para baixo é constrangedor para ela, ela se recusa a ir à escola e passou a ter aulas em casa, cortando também relações com todos à sua volta. Até aí tudo se desenrolava na mesma mesmice e dentro dos conformes, até que a responsável pelas aulas um certo dia não pôde comparecer e quem vai em seu lugar é nada mais, nada menos que Matt Kenner, sua antiga paixonite desde o sétimo ano.

Matt é um dos gêmeos mais populares da escola e junto com seu irmão, Eric, são a sensação da escola. Eric é mais extrovertido, tem pinta de sarado e adora tirar vantagem. Por sua vez, Matt, mesmo sendo igualmente popular, é mais recluso e discreto. Os gêmeos tem uma relação muito intensa, é como se fossem dois corpos, mas só uma alma. Eles podiam sentir facilmente a dor, um do outro. Sempre foi assim.

Durante a aula eles conversam, Leah explica o seu problema, conversam de coisas triviais e com isso o que se têm é uma tarde proveitosa. Na despedida, Leah, sem pensar duas vezes, conta que tem vontade de beijá-lo e após um diálogo curto e convidativo dos dois, o beijo acontece. Matt sai da casa da garota com seu número e a ideia é que eles continuassem mantendo contato.

Por outro lado, Matt e Eric perderam o pai recentemente e ainda em luto, lutam para reerguer a mãe que entrou em tristeza profunda depois do ocorrido. Frente a isso, e sabendo do beijo do irmão, Eric sugere que ele não veja mais Leah, alegando ser o melhor a se fazer porque a garota está doente, eles ainda enfrentam um luto, não mereciam outra perda e seu lema é: chega de mortes!
Infelizmente Matt se afasta e um mês se passa. Leah sente sua ausência, mas não o procura. Até que mais um fato destrói as estruturas da família Kenner. Eric, após uma saída, não volta mais para casa. O garoto é encontrado morto com um tiro e com a arma do seu pai na mão. A polícia acredita em suicídio. Matt não.


Assim, mais uma tristeza para essa família é declarada e mesmo em meio à angústia, Matt não acredita que Eric possa ter feito algo assim. Ele pode afirmar com clareza que não é isso que ele sente, devido a grande conexão que os dois têm. Para completar, ele sentiu a morte do irmão e após o ocorrido começa ter sonhos que apresentam flashs do que ele diz ter sido o último momento de Eric – o que mostra, com um pouco de distorção, Eric fugindo de alguém. Mas simplesmente o detetive fecha o caso e alega não ter mais o que ser investigado, uma vez que o garoto estava com a arma do pai nas mãos.

Matt não desiste de tentar provar que Eric não seria capaz de tal coisa e isso fica mais claro ao saber que ele estava com problemas com sua ex-namorada Cassie Chambers – que se recusa a vê-lo. O garoto, sem muitas alternativas, começa a investigação por conta própria.

No dia em que Eric é morto, a tristeza invade a casa do garoto e em contrapartida uma ligação importante chega à casa de Leah: Foi encontrado um doador! Tem o mesmo tipo sanguíneo dela. Para a garota que não tinha mais esperanças na vida, era o destino lhe dando uma nova chance.

Algum tempo depois, Matt procura Léa para pedir desculpas e depois de se darem uma nova chance e de tentar apagar o contratempo que tanto fez para o mal começo entre os dois, eles começam uma relação intensa. E a partir de evidências, constatam, sozinhos, que  Leah está com o coração de Eric.
Com capítulos intercalados entre primeira e terceira pessoa, que mostram o ponto de vista de Leah com uma narrativa mais intensa e de Matt, respectivamente, temos um desenrolar fabuloso. A busca pela verdade do que possa ter acontecido com Eric e a redescoberta do amor que existe entre Leah e Matt e que já existia há muito tempo é o que movimenta o enredo. E isso não é tudo: Depois do transplante a garota passa a ter sonhos estranhos, bem parecidos com visões onde ela se vê na cena de Eric no dia em que ele foi morto. De início ela não entende o porquê daquilo estar acontecendo, mas depois se dá conta que é o coração dele, que agora é dela, o responsável por essa conexão. Assim como entende que Matt pode estar certo sobre o que acontecera com o irmão porque ela sabe e sente que o que Eric deseja é lhe passar uma mensagem.

Sabendo assim, que os dois estão tendo os mesmos sonhos com Eric, começam uma investigação e juntos tentam desvendar um mistério que os policiais e o detetive achavam não precisar mais.
Durante o desenrolar e movidos pelo mistério na morte do irmão de Matt, vai surgindo na mesma proporção da curiosidade, o amor entre o casal. Leah e Matt, agora mais que amigos, sabem que o que têm os unido é muito mais que o desejo de desvendar o caso, mas o desejo de permanecer unidos e deixar aflorar o sentimento que por tanto tempo os dois guardaram.
O desfecho, para mim, foi um pouco previsível. Eu descobri bem antes da revelação, o que aconteceu a Eric, mas mesmo assim não roubou o encanto da história, que consegue te prender desde a primeira página.

Eu e esse meu coração é um livro que tem muito a ensinar sobre amor, recomeços, lutos, perdas, aceitação, amor próprio, confiança, amizade, justiça e principalmente solidariedade. Facilmente você se verá apaixonado por todos os personagens. É o tipo de livro que você cria um apego até pelos personagens secundários, a prova de que a autora soube construí-los perfeitamente bem e conduzir a história dando o destaque que cada personagem mereceu.

Com uma narração impecável, é possível sentir todas as dores dos personagens e perceber um amadurecimento gradativo em cada um deles. Seja pela dor, seja pela superação, seja pelas conquistas, numa história que fala de vida e morte na mesma proporção e ainda assim continua sendo linda, porque até as partes em que você se sente triste por alguma situação, a autora consegue te mostrar o lado positivo daquilo, afinal, até as piores dores nos ensinam algo e todas as experiências nos transformam de alguma forma. Acrescentam-nos alguma coisa.

Um livro arrebatador que nos faz refletir sobre a vida com uma inspiração quase que palpável, uma história sobre o poder de se ter esperança mesmo diante das situações e conflitos que tentam nos distanciar dela. O enredo traz temas importantíssimos como luto, aceitação, depressão e doação de órgãos - todos bem abordados e sutilmente colocados a ponto de não deixar a leitura pesada. Vale e muito comentar também que a autora descreveu divinamente o trabalho de um médico responsável por esse procedimento, tão quanto, da rotina de uma pessoa que passou por um transplante. Achei geniosamente necessário e isso enriqueceu ainda mais o livro – que já é rico por si só.

Não poderia deixar de comentar a nota da autora no final do livro onde ela explica que a inspiração para escrevê-lo veio de uma situação bastante parecida dela e do marido e salienta a importância da doação de órgãos. No mais, um livro que não só merece ser lido, mas uma leitura que se faz necessária.

Recomendadíssimo.

[Quote] A poção secreta - Amy Alward!

"Não posso continuar reprimindo esses sonhos, sem, pelo menos, tentar torná-los realidade."

"Você precisa se virar com o que tem. Nunca conclua que está diante de um caso perdido."
"Ouvi dizer que, quanto mais antiga a receita, mais difícil é destruí-la."
"Imagine nunca ter feito nada de errado sua vida inteira. Como você lida com isso quando as coisas começam a desmoronar?"
"Eu sou apenas eu. Então, ou você gosta de mim pelo que eu sou ou você precisa me deixar em paz."

Tem resenha desse livro AQUI.