[Resenha] Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll!

Título: Alice no País das Maravilhas 

Autor: Lewis Carroll 

Editora: Faro Editorial 


Resenha: Escrito em 1865 e considerado um dos grandes clássicos da literatura, “Alice no País das Maravilhas” é de um sucesso atemporal e segue atravessando gerações, conquistando desde crianças à adultos! 

Tudo começa quando, sentada à beira de um rio com a irmã e entediada por não ter o que fazer, Alice se levanta para procurar algo mais atrativo e vê um coelho passar apressado. Curiosa, a garotinha o segue até uma toca e ao ver o coelho entrar, ela também entra e é aí que a aventura de Alice está só começando. 

O poço não parece ter fim e quando ela acha que já viu tudo de mais estranho que poderia ver, percebe que lá no subterrâneo nada faz sentido, tudo escapa da sua compreensão, num mundo em que parece desafiar as leis da física e da lógica! É o verdadeiro País das Maravilhas! De início ela se sente desconfortável e assustada, mas conforme Alice anda - procurando entender a estranheza do lugar - e se encontra com outros seres, mais ela se vê fascinada com tudo! 

Comidas e bebidas que a faz mudar de tamanho, animais que falam, gato que ri sem parar, cartas que falam e se movimentam, roseiras que se mexem como gente e muito mais... tudo bem trabalhado em personagens atrativamente muito bem criados, que vão desde a Lagarta, o Chapeleiro Maluco à terrível Rainha de Copas. 


Não vou entrar em muitos detalhes, pois nada que eu diga parecerá estranho ou nunca conhecido/visto por você que está lendo. Até quem nunca leu, já deve ter assistido ou ouvido falar na garotinha loira e entediada que vai parar num mundo fantástico e novo, onde nada parece ser real, mas que é extremamente interessante e divertido ao mesmo tempo! 


Abordando as mais diversas temáticas e com diálogos improváveis, aparições surpreendentes e muito humor, o autor construiu uma narrativa extraordinária, num universo criado para nos distrair e despertar – com maestria – a nossa imaginação.

A edição da Faro, como sempre, de tirar o chapéu e pra ninguém botar defeito

[Resenha] O Corvo - Edgar Allan Poe!

Título: O Corvo 

Autor: Edgar Allan Poe 

Editora: Faro Editorial | Clássicos 

Sinopse: “Escrito há quase duzentos anos, esse poema atravessa gerações e continua sendo um marco da literatura mundial. Imprescindível para todos os apaixonados por literatura, O Corvo é considerada a obra-prima de Edgar Allan Poe. Mesmo tendo escrito diversos livros e contos, nenhuma outra história atraiu tantos leitores e tamanho respeito pela crítica especializada. Um homem atormentado pela morte da amada é despertado pelo barulho incessante de um corvo e a trama que se desenrola no poema demonstra tanto a genialidade do autor quanto os demônios que ele carregava. Dizem que a vida imita a arte, mas nesse caso, a arte imitou a vida. O Corvo foi publicado dois anos após a morte precoce da esposa de Poe. E, como muitas vezes acontece, o autor não teve tempo para ver o sucesso de sua obra. Morreu na miséria e sem saber que seu corvo atormentaria muitas outras almas mesmo anos depois de sua morte.”


Resenha: O corvo trata-se de um poema carregado de melancolia, onde o Eu Lírico demonstra as suas emoções e sofrimento pela morte da sua amada e onde se encontra mergulhado numa camada de dor causada pela perda insuperável. Paralelo a isso, ele recebe a visita de um corvo bem peculiar que entra subitamente em sua casa, dando batidas na porta e assim eles passam a conversar. O corvo sempre repetindo a mesma frase, numa construção ritmada, lhe dá uma ideia de que veio trazer-lhe uma mensagem e isso transforma toda a atmosfera num clima tenso, amargurado, denso, desesperador e instigante. 

Uma obra completa para quem quer conhecer o autor e seu estilo de escrita. Para quem se permite sentir e compreender a mensagem! 

Um livro rápido, de 108 versos, divididos em 18 estrofes, mas é incrível o quanto a gente vai lendo ele bem devagarzinho pra conseguir captar tudo que existe por trás das palavras do autor que foi um dos maiores nomes da literatura mundial e de sucesso atemporal! 

Sempre tive vontade de ler algo do Poe e encontrei em ‘O corvo’ uma belíssima oportunidade, gostei muito da experiência! A edição, como todas da Faro, está linda demais. Capa dura, bilíngue e com tradução de Thereza Christina Rocque da Motta, a editora trouxe um visual gótico, com ilustrações primorosas que vão te deixar alguns bons segundos olhando para elas e isso foi de uma riqueza tão incrível que quanto mais você olha, muito mais você vê, é incrível a singularidade! Indiscutivelmente uma das melhores edições da Editora!

Recomendo!

[Resenha] Rio Vermelho - Amy Lloyd!

Título: Rio Vermelho

Autora: Amy Lloyd

Editora: Faro Editorial

Resenha: Red River é uma cidade pacata da Flórida e que agora é marcada pela trágica história de uma onda de assassinatos de garotas cuja maioria dos corpos, nunca foram encontrados. Dentre os corpos desaparecidos, um em específico foi o motivo pelo qual conseguiram culpar Dennis Danson e prendê-lo por assassinato! 


Isso aconteceu quando o rapaz tinha 18 anos e agora, anos depois, o caso não fora esquecido, isso porque Dennis é hoje a principal peça de um documentário sobre crimes reais que têm por objetivo lutar para reabrir casos e dar novas chances para quem eles acreditam ser inocentes! Assim, ele se torna o alvo de uma multidão que acha que ele foi preso injustamente e precisa ser solto! 

Paralelo a isso, vamos conhecer Samantha, que descontente com a sua vida e profissão, acabara de sair de um relacionamento onde diz não ter terminado de uma forma muito boa. Conheceu Dennis e seu caso através de fóruns na internet e se viu muito envolvida com a situação e disposta a se juntar ao grupo para tentar provar a inocência dele! Assim, a moça passa a se corresponder com ele por cartas e por algum motivo, como que por sintonia, ele é despertado para uma vontade muito grande de manter aquele contato com ela. Assim, eles vão sustentando essa troca e quando percebem, já estão apaixonados e é aí que ela decide largar tudo e ir para os Estados Unidos viver de mais perto essa história, que depois da primeira visita, a relação se intensifica e decidem se casar na cadeira mesmo! 

Durante o desenrolar do livro, com o documentário a todo vapor e Sam mais certa do que nunca de que seu marido é inocente, uma novidade acrescenta consideravelmente novas peças ao caso, evidenciando um novo suspeito e um possível culpado e Dennis é finalmente inocentado! 

Tentando se adaptar a nova vida, o rapaz precisa voltar à cidade onde tudo aconteceu e é aí que toda a loucura começa! Ao passo que o ex-presidiário é cobiçado pela imprensa o tempo inteiro - e que o mesmo se aproveita disso -, Samantha vai descobrindo que a presença física dele, ali diante dela, não era do jeito que ela esperava e a história do casal vai ganhando novas facetas! Fora da cadeia, Dennis é distante, desinteressado e rude e o lugar onde ele cresceu esconde mais mistérios do que o que se pode imaginar, fazendo a moça se questionar se ele é realmente inocente e se realmente sente algo por ela! 

Quatro personagens secundários tem destaque na história, Carrie que é a responsável pela produção do documentário, Lindsay que vive na cola de Dennis e desperta muito ciúme em Samantha, mas a moça afirma que são só amigos e Howard e o seu pai, Harries, um policial que tentou de todas as formas tachar Dennis de péssima influência pro seu filho, que já era bem obcecado e lunático por si só! 


Com a presença mais marcante desses três últimos personagens e uma casa que guarda mais segredos do que Sam poderia imaginar, a história se desenrola mais freneticamente da metade pro final e a cada nova descoberta Dennis era afastado mais um pouquinho do pedestal de mocinho amoroso e inocente. Sam, por sua vez, parecia estar inerte a tudo que estava acontecendo, não conseguia enxergar um palmo a frente do nariz, vivia como uma submissa implorando para ser aceita, amada e se submetendo a todo tipo de situação que foi impossível criar algum tipo apego por ela. Vivia pedindo desculpas por coisas que não deveria e sempre achava que ela era o problema. A personagem acordou nos últimos momentos do livro e mesmo sabendo que a moça estava numa posição de vítima, ainda assim foi impossível – para mim – torcer por ela, pois, nem de longe foi admirável! 

O final surpreendeu demais, pudemos ver com clareza até onde vão diversas situações em que o amor doentio é o protagonista. Em cada personagem pudemos notar pelo menos um tipo de personalidade que muito explica os diferentes tipos de loucura que uma pessoa obcecada por outra ou por uma determinada situação, é capaz de fazer. 

Uma história que vai te fazer refletir, temer certos tipos de comportamentos e te fazer criar alguns questionamentos principalmente acerca da condenação e sobre quem as pessoas que amamos são de verdade... num livro sobre obsessão, escolhas, busca pela liberdade, confiança e segredos. 

Amy Lloyd traz uma história original, muito bem escrita e envolvente, além de recheada com uma gama de assuntos que não são muito vistos em outros thrillers e deu todo um diferencial à história. Os momentos mais perturbadores te envolvem tanto que é impossível você não querer saber o desfecho, a curiosidade te move em um ritmo frenético! Para quem gosta de livros que exploram as diferentes nuances e o lado mais sombrio que o ser humano pode ter, eu mega recomendo!

[Resenha] O Diário de Nisha - Veera Hiranandani!

Título: O Diário de Nisha 

Autora: Veera Hiranandani 

Editora: Darkside Books 

Resenha: O Diário de Nisha, como o próprio nome sugere, narra pela própria Nisha - em forma de diário -, sua jornada junto à sua família, na busca pelos seus lugares no mundo e em meio a uma guerra gerada por um conflito político-religioso que após a Índia se tornar independente do governo da Inglaterra, foi dividida em duas repúblicas: Índia e Paquistão, provocando uma guerra terrível entre Hindus e Muçulmanos


Nisha vive com seu pai, sua avó paterna e seu irmão gêmeo, Amir! Sua mãe morreu ao dar a luz a eles e assim, ela e seu irmão vivem aos cuidados destes desde sempre. A casa ainda conta também com a presença de Kazi, ajudante da família e a quem Nisha tem uma ligação muito forte ao ponto de sentir que é a pessoa que mais lhe entende na casa. Kazi foi quem deu para a garota o diário, como forma de ajudá-la a se comunicar mais, uma vez que Nisha sempre foi uma garota tímida, que tem dificuldade de se relacionar, de se expressar e pouquíssimo fala. É em seu diário que a garotinha de 12 anos consegue conforto e lidar melhor com a ausência da mãe, além de se sentir mais perto dela, já que o diário é escrito como se estivesse escrevendo-a. 

A ideia era narrar para “a mãe” tudo que acontece no seu dia - mostrando como se sente como forma de desabafo - e narrando o seu cotidiano sem grandes novidades. Com a narração dela vamos conhecendo mais da família e da cultura deles e o que ela não esperava era que tão logo começaria transcrever os registros de um enorme conflito que mudaria para sempre a vida da sua família! 

Em meio ao caos que a partição da índia gerou, a família decide – por instinto de sobrevivência – atravessar a fronteira rumo à nova índia, onde eles estariam num lugar que, diante das imposições daquela sociedade, estariam onde deveriam estar. E assim a família parte deixando tudo: a casa, os amigos, seus pertences, sua história. 

Nisha não entende os desdobramentos político-religiosos diante de um momento tão decisivo da história e essa carga que ela tem de lidar, mesmo sem saber o porquê de estar fazendo, deixa tudo ainda mais dramático. Sua história nos comove por inteiro, porque ao passo que ela luta contra seus conflitos internos, o exterior lhe apresenta um conflito ainda maior para suportar. 


A jornada é mais dramática do que se previa. Os dramas que a família de Nisha vai encontrando pelo caminho nos dão uma ideia do quão difícil é abandonar suas raízes e fugir para um futuro até então, incerto. E para completar, em uma travessia onde passa a faltar absolutamente tudo e só a coragem, força e união os manterão vivos! 

Um tipo de leitura que facilmente te transporta para outro tempo, país e cultura. Amei saber um pouco sobre a Partição da Índia que é um fato histórico que matou pelo menos um milhão de pessoas durante a travessia e que eu não tinha absolutamente conhecimento algum. O coração apertou quando parei para pensar nas milhares de famílias que tiveram de deixar suas histórias para trás em busca de um novo lar num país dividido pela guerra! 

A autora retratou a dura realidade da Partição de forma majestosa e a sua mensagem sempre vai ficar impregnada na cabeça de quem a ler. Através da história de Nisha aprimoramos a empatia e nos despertamos ainda mais para o desejo de um mundo mais pacífico e igualitário... num livro que é um verdadeiro tesouro e que além disso, nos mostra também que a vida pode ser realmente dura e em todos os níveis e nuances, mas se você tem com quem contar, o fardo se torna só mais um detalhe. 

[Resenha] Bom Dia, Verônica - Raphael Montes & Ilana Casoy!

Título: Bom Dia, Verônica

Autores: Raphael Montes & Ilana Casoy

Editora: Darkside Books

Resenha: Verônica Torres é escrivã da polícia civil de São Paulo e em um dia pacato como qualquer outro, ela presencia uma mulher sair transtornada da sala do delegado Wilson Carvana e se atirar pela janela - sem conseguir fazer nada pela moça. Mexida e indignada com o que acabara de ver, ela exige que o delegado dê uma maior atenção ao caso, mas sem sucesso. E é aí que, vendo que o seu chefe tratou a tragédia com indiferença e ainda pretende engavetar o caso, ela decide investigar por conta própria o que aconteceu a Marta Campos e o que motivou o seu suicídio!


Paralelo a isso, algum tempo após Verônica dar uma entrevista falando sobre caso Marta Campos, ela recebe a ligação de Janete, uma mulher ingênua, desesperada e pedindo por socorro. Janete alega que seu marido a maltrata, que pode matá-la e maltrata também outras mulheres. E é com essa premissa que a saga de Verônica em busca de justiça tem início! 

De um lado vamos acompanhando a investigação da escrivã para tentar descobrir quem é o homem que engana, atrai, droga e rouba mulheres, escondido através de um fake em um site de relacionamentos - ao qual Marta fora vítima. E do outro, começa a sondar a casa e investigar a vida do marido Janete, o policial militar Cláudio Brandão, onde vai descobrir que ele é autor de vários crimes onde sequestra e submete mulheres a rituais peculiares... ao passo que tenta também convencer Janete a denunciar o marido. 

A trama se desenrola de forma enigmática e diante de tanto mistério ainda é possível notar uma Verônica inteiramente enlaçada em dois casos perigosos onde um passo errado pode colocar até a sua vida em risco. 

Gostei da complexidade com a qual a personalidade dos criminosos é trabalhada. Os autores conseguiram em nuances diferentes, nos mostrar dois tipos de situações em que colocam, nós mulheres, à mercê do perigo... em duas circunstâncias, ora inescrupulosa, ora macabra, mas infelizmente, totalmente possíveis! 

Achei a atitude de Verônica na cena final corajosa e sem noção – na mesma proporção! A gente consegue entender e enxergar nas entrelinhas suas motivações, porém não era o que eu faria (hoho) ou esperaria de uma personagem numa situação daquelas. No meu livro ela teria um final diferente, porém, em nada achei que ficou ruim ou desnecessário, foi “aceitável”!

Um livro denso, de ritmo acelerado e escrita maravilhosa. A leitura se torna extremamente fluida ao passo que quanto mais você avança, mais você quer ler! Casoy & Montes construíram uma trama de carga emocional pesada e com temas que vão desde violência doméstica, abuso, corrupção à negligência policial e tudo colocado de uma forma bem dosada e que muito nos faz refletir sobre o quanto isso é – infelizmente – comum de acontecer nos dias de hoje, fazendo-nos sentir mais empáticos e sensibilizados ao imaginar as tantas mulheres que vivem isso na pele todos os dias! 

Que grata surpresa foi ler um livro de um gênero que eu curto muito e escrito por autores brasileiros. Fico sempre muito feliz quando vejo autores daqui nos dando o aconchego de nos sentirmos bem representados mundão afora. 

A narrativa combinada dos autores nos deixa perplexos e curiosos na mesma medida, num enredo que foge do convencional, onde o foco não está em enaltecer ou honrar a investigadora, mas nos passar, através de situações cruéis, a realidade nua e crua a que várias mulheres são submetidas e muitas vezes não tem com quem contar, porque a corrupção vinda de quem deveria ajudá-las é real e este é mais outro ponto forte do livro. 

No mais, o trabalho em conjunto de dois autores que - até então eu não conhecia o trabalho -, resultou numa obra genuinamente interessante e que eu mega recomendo!

[Resenha] Malorie - Josh Malerman!

Título: Malorie

Autor: Josh Malerman

Editora: Intrínseca

Resenha: Malorie é a sequencia do fenomenal ‘Caixa de Pássaros’, onde depois de 12 anos da travessia do rio, eles ainda tentam se adaptar à nova vida - no novo mundo. Tom e Olympia agora são adolescentes e com isso, mais curiosos e cheios de vontade de viver, mas eles têm de lidar com as regras, muitas vezes exageradas, que Malorie lhes impõe e entre as principais delas é nunca tirar a venda e nunca se arriscar... aliadas a novas regras como: usar luva, roupas compridas e capuz! 


Tom, criativo, inteligente e ousado que é, é quem mais se incomoda diante de tantas regras e várias vezes chegamos a nos incomodar com seu espírito curioso, teimoso e consequentemente, impulsivo. Ele é o retrato do típico adolescente rebelde e totalmente aberto ao novo. Olympia é mais cuidadosa e obediente, mesmo discordando das inúmeras regras da mãe. Também é super inteligente e ama ler. 

Por outro lado, Malorie, por ter presenciado por tanto tempo o caos e vivido de perto a grande mudança que aquele terror todo causou às pessoas no velho mundo... vive pela venda! Cada dia mais neurótica, ela não cogita sequer por um segundo tirar as vendas ou permitir que os filhos tirem. E para completar, ela agora tem novas hipóteses do que as criaturas podem fazer e isso acabou gerando muito mais regras! Mesmo em alguns momentos achando as atitudes dela bem exageradas, no fim das contas a gente entende seu cuidado excessivo, pois só quem viveu algo naquele nível, sabe o horror que é. Malorie já não sabe mais qual é a sensação de viver sem medo! 

A movimentação no enredo desse segundo volume começa quando, um certo dia, ao ir buscar água, Tom sente a presença de alguém e ao tentar correr de volta para casa é atraído pela conversa de um homem que diz ser do senso e quer conversar com eles. Ao voltar para dentro da casa, ele se junta a Malorie e Olympia que ainda escutam o homem dizer que só está colecionando histórias e fazendo uma relação dos sobreviventes. Depois de algumas insistências sem sucesso o homem parte, mas deixa para trás os papéis com suas anotações. 

Tom toma posse dos papéis em segredo e pede para que Olympia leia, é quando algo acontece: Eles encontram na lista de sobreviventes o nome de duas pessoas a quem sua mãe, instintivamente, poderia se interessar. 

Agora Malorie precisa fazer uma escolha: Abandona toda a segurança que levou anos para adquirir naquela cabana ou parte em busca de encontrar aqueles sobreviventes - numa viagem que pode ser a mais louca da sua vida? 

E é a partir dessa premissa que toda a jornada tem início. Malorie e os filhos embarcam numa nova aventura para resgatar seu passado e para isso tem de driblar os medos e aflorar ainda mais o seu senso de perigo, tão quanto aproveitar dos dons dos seus filhos que podem sentir a presença das criaturas e assim protegê-los das surpresas que, porventura, possam acontecer no caminho. 

Olympia para mim foi o grande destaque desse livro. Se tornou a mediadora do trio e trazia sempre calmaria para as situações turbulentas. Era o controle em meio ao caos que viviam e isso também diz respeito aos atritos que Malorie tinha com Tom. Malorie, por sua vez, também é uma personagem apreciável por ser destemida mesmo em meio a todo pavor que sente. Passou por cima dos seus fantasmas interiores para buscar esperança! Tom para mim foi intragável, não dá pra ter empatia por alguém que tinha a curiosidade à frente da responsabilidade que era temer um mal que acabou com a humanidade. Não dá! 

Uma aventura fascinante cheia de altos e baixos, de pessoas boas e velhos inimigos, de criaturas mais enigmáticas do que nunca e de reencontros! 

Amo finais que não são previsíveis! Amo ser surpreendida e ver que não imaginei nada do desfecho. Achei muito interessante o final com os pais de Malorie e ver o quanto o autor aproximou aquela situação à realidade, porque nem sempre a vida é feita de finais - totalmente - felizes!! Muito maior que isso, amei ver a cena em que Malorie, finalmente, se permite ver o que por tantos anos ela temeu. Bater de frente com seus fantasmas foi muito mais que encarar o bicho papão, mas olhar para dentro de si e resgatar sua coragem, confiar em seu potencial, ter a audácia de se abrir para o novo e assim, conseguir olhar para - literalmente - tudo que está à sua volta. Ficou bem bacana a última cena!

Gosto da escrita de Josh, flui extremamente bem e quanto mais você lê, mais quer saber onde aquilo vai dar e como aquilo tudo termina. Uma sequência bem amarrada e que em nada ficou a desejar em relação ao primeiro. 

“Malorie” é menos perturbador que “Caixa de Pássaros”, mas muito mais ousado. E muito mais do que horror psicológico, é uma história sobre amor, parceria, coragem, sobrevivência e principalmente, coragem! 

Um livro que eu recomendo – literalmente - de olhos fechados, haha