[Resenha] Os Últimos Jovens da Terra - 4 Contra o Apocalipse - Max Brallier!

Título: Os Últimos Jovens da Terra - 4 Contra o Apocalipse

Autor: Max Brallier
Ilustrador: Douglas Holgate

Editora: Faro Editorial – Selo MilkShakespeare


Resenha: Nosso protagonista se chama Jack Sullivan e é, notavelmente, um simples garoto de 13 anos. Vive na cidade de Wakefield, mas já percorreu vários lugares, pois é órfão e infelizmente vive passando por vários lares adotivos... Até que finalmente consegue se fixar em um lar, o da família Robinson, que mesmo não fazendo tanto questão em tê-lo por perto, é lá onde tudo começa (ou termina).

Wakefield e o mundo inteiro está uma loucura, tudo está de cabeça para baixo há um pouco mais de 40 dias e o garoto se vê sozinho no Apocalipse dos Monstros, porque até os Robinson fugiram sem ele. Com o apocalipse, a cidade esta quase vazia, muito gente fugiu, outros morreram e o que restou foram monstros e zumbis para enfrentar! Mas nosso protagonista não se dá por vencido e encontra nesse horror todo, uma forma de ser um herói e mostrar seu potencial, criando até desafios e traçando metas para chegar à sua vitória.


Decidido a não enfrentar tudo sozinho, ele tenta encontrar seu melhor amigo, Quint, que juntos - e sem esperar -, encontram também com Dirk, o valentão da escola (mas que depois baixa a guarda e se une aos garotos) e esse trio embarca numa super aventura para salvar June, sua crush e a que ele garante ainda estar viva. No caminho vão encontrando vários obstáculos, mas também encontram formas de driblar todos eles e ao passo que correm os mais terríveis riscos, também se divertem. Afinal, o fim do mundo é melhor com os amigos.


O desenrolar é bem movimentado e dinâmico. Com uma trama repleta de aventuras, o autor conseguiu criar cenários fantásticos - mesmo que ilustrando o “horror” do fim do mundo -, diálogos divertidos, batalhas inusitadas, criaturas enormes, zumbis assustadores e jovens corajosos - que facilmente cativa o leitor, numa escrita fluida e muito bem humorada.

Mesmo sabendo que tem continuação, achei que o final em nada ficou a desejar, ele termina de forma bem bacana e ainda assim consegue deixar no leitor a expectativa de querer saber como vai continuar.
 

O livro é o primeiro lançamento da Faro Editorial com o novo selo “Milk+Shakespeare” voltado para o público mais jovem e a edição - como já era de se esperar – está pra ninguém colocar defeito, a Faro mais uma vez caprichou... E com ilustrações de Douglas Holgate, que complementam o enredo, o livro se tornou ainda mais atrativo. 

Para ficar mais legal ainda, o livro foi adaptado para Netflix, que já disponibilizou o primeira parte. Então se você é fã de adaptações de livros, corre pra conferir.

No mais... Fica aí a recomendação de um livro divertido e mesmo sendo voltado para o público jovem, tem uma proposta que agrada todas as idades.

[Quote] O amor nas 4 estações - Victor Degasperi!

"Então entendo que realmente seremos sempre muito mais do que pensamos, porque, por dentro, sentimos sempre que somos muito mais do que imaginamos."

"Há universos que se pertencem. E quando eles se encontram, eles se reconhecem." 

"A vida me ensinou que os abraços são necessários e que quando dado com sorrisos algo precioso está acontecendo." 

"E devagar a nossa vida vai sendo contada em tom de quem realmente viveu o que era pra ser seu e não há sensação melhor do que olhar pro seu céu e ver as constelações de sorrisos que você viveu." 

Porque não podemos deixar que aquilo que nos faz o coração arrepiar não seja vivido por qualquer medo de não acertar. Nós sentimos para ser muito." 

"Voltar pra trás, muitas vezes, é mais perigoso do que o risco de ir. Os grandes momentos das nossas vidas partem de mergulhos corajosos." 

"O novo sempre chega para os corações abertos.”

[Resenha] A Devolvida - Donatella Di Pietrantonio!

Título: A Devolvida

Autora: Donatella Di Pietrantonio

Editora: Faro Editorial

ResenhaÉ 1975 e nossa protagonista é uma criança de apenas 13 anos. Narrado em primeira pessoa e sem conhecer seu nome, vamos nos familiarizando com a história da menina que, sem explicação alguma, um certo dia, é devolvida para os seus pais biológicos depois de ter sido por tanto tempo criada, sob ótimas condições, por parentes da família - os quais ela sempre achou que fossem seus verdadeiros pais.


Na casa dos seus pais adotivos a menina tinha - além de uma vida linda e confortável perto da praia e com todas as regalias que uma criança pode ter - amor, atenção, educação de qualidade, lazer. Mas tudo isso se transforma em outro cenário, de repente, quando se vê sendo devolvida – sem sequer poder se despedir daqueles em que sempre acreditou ser sua verdadeira família - aos seus pais biológicos e sem ao menos entender o que estaria motivando tudo aquilo e de forma tão brusca. A pobre criança que em um dia tinha tudo, no outro passou a não ter nada, num lar que faltava - literalmente - tudo.
No seu novo lar, ela conhece de perto a pobreza extrema, num ambiente precário, de família numerosa e onde todos pareciam desprovidos de afeto. Nitidamente vemos como o sofrimento e a luta os tornou insensíveis diante de tudo, numa família onde não existia diálogo, trocas e sequer uma relação de irmãos, tampouco de pais e filhos. A única que, logo de início, mostra que se importa com a recém-chegada é a sua irmã, Adriana.

Diante de tudo isso, ela não se sente em casa, não se sente parte daquela família e ninguém parece se importar muito em tentar fazê-la se sentir inserida. A única coisa que a fazia ter forças para encarar a nova situação era a esperança acesa de que seus pais voltariam para lhe buscar, uma vez que ela presenciou alguns momentos indispostos da sua mãe adotiva e deduziu que ela estivesse doente e provavelmente não queria lhe preocupar. Então ela sobrevivia naquele lar em que se sentia como uma intrusa pensando que quando sua mãe melhorasse, ela voltaria para sua casa.

No desenrolar da história vamos vendo o peso que tudo aquilo causa à protagonista que em todo lugar que vai é conhecida como “A devolvida” e devido a isso, como se já não fosse o bastante, ainda passa a sofrer bullying na escola. Decepcionada, incrédula e confusa, ela se vê sendo obrigada a crescer para além da idade que tinha e com toda rejeição, ordem e ausência de vínculo, naquela dura realidade.

Dentro do que é possível, ela vai tentando se adaptar... e com a ajuda da irmã, vai encontrando, mesmo com todo sufoco, se encaixar naquela nova condição e conquistar um espaço no seu novo lar. Mesmo sem aceitar ou até mesmo entender aquela reviravolta, ela não deixa de lembrar e sentir saudade da sua antiga vida e é nítido o quanto seu coração não sossega e vive destroçado dia após dia.

Chegando pertinho do final do livro conhecemos o que motivou tudo aquilo e seu coração é despedaçado ainda mais. Vemos o quanto foi injusto, cruel e insensível tudo que aconteceu e a situação a qual foi submetida, aliada ao fardo que ela vai ter que carregar pro resto da vida, numa realidade triste e egoísta.

Também podemos ver o quanto a vida é uma caixinha de surpresas e mesmo não sendo sempre surpresas tão boas, traz lições valiosas. Encontrar sentido na vida em meio à dor foi uma característica muito forte da personagem que mesmo nos apresentando uma história difícil de digerir, estava carregada de esperança e de sentimentos, num livro de carga emocional extremamente intensa.

Esse foi o meu primeiro contato com a escrita da autora e me agradou totalmente. Escrita fluída e emocionante. A narrativa é empolgante, desenrolada e mesmo sendo atribuída a uma realidade dura de encarar, é inspiradora.

A Devolvida é um livro que tem muito a nos ensinar sobre força, amadurecimento, busca de identidade. Não ficamos sabendo muito sobre o que aconteceu depois daquilo tudo, mas a proposta do livro é resumida a nos apresentar o impacto que surgiu na vida da personagem ao ser devolvida para seus pais biológicos e a adaptação na nova casa... E isso a autora cumpriu com maestria e em nada decepciona! O final foi extremamente plausível, Adriana foi uma personagem que merece total destaque por toda sua desenvoltura com tão pouca idade e por tudo que agregou na vida da nossa protagonista e não esperava menos de um final em que a autora aproveitou bastante disso e valorizou a personagem, numa cena – de total irmandade - que não vai sair da minha cabeça nunca mais.

Recomendadíssimo!

Uma Estranha em Casa - Shari Lapena!

Título: Uma estranha em casa

Autora: Shari Lapena

Editora: Record

Resenha: Aqui conheceremos Karen Krupp, a protagonista que é uma dona de casa exemplar, ótima esposa, amiga e dotada das melhores qualidades. Sua vida é posta de cabeça para baixo quando vai parar num hospital depois de ter sofrido um acidente ao dirigir em alta velocidade, colidindo num poste... e o mais intrigante: em uma zona perigosa da cidade!
Mas o que ela estava fazendo lá e o que a fez dirigir tão rápido? Estava fugindo de algo?


Sem saber o quê e como aconteceu, Karen acorda num hospital, sem memória. Tom, seu marido, diz que ao voltar para casa, o carro da esposa não estava na garagem, a porta estava destrancada e a cozinha lhe apresentava o preparo de um jantar que, obviamente, não deu tempo finalizar. Ao vasculhar a casa e não a encontrando, além de não entender o que possa ter acontecido para que sua mulher saísse de casa tão às pressas e sem levar os documentos - sequer o celular - ele resolve ligar para a polícia.
Rapidamente a polícia bate a sua porta. Mas não pelo seu chamado, eles já estavam ali para comunicar-lhe do acidente. No hospital, Karen insiste em não se lembrar do que aconteceu ou do porquê de ter estado lá. De acordo às informações do médico, isso é uma consequência normal para uma concussão como a dela.

Em paralelo a isso, há outra investigação aberta. Um assassinato foi descoberto nas proximidades de onde Karen fora encontrada. Um homem de meia idade fora encontrado com 3 tiros e a polícia especula um assalto seguido de morte... O que instiga a polícia a se questionar e querer investigar mais a fundo se o acidente da moça que se encontra no hospital tem a ver com o assassinato em questão. E se há... o que motivou.

Depois que Karen recebe alta, recebe em casa a visita do detetive Rasbach e descobre que o problema que está caindo sobre si é mais do que uma infração de trânsito. Na cena do assassinato foi descoberto um par de luvas rosas que lhe pertence e vestígios do seu carro no estacionamento. Mas a moça não sabe explicar absolutamente nada.

Tom começa a se sentir intrigado. Por que há vestígios da Karen no local onde houve um assassinato? Isso o deixa frustrado e se perguntando se conhece mesmo a esposa. Assim, imediatamente lembra que Karen sempre fora muito reservada quando o assunto era falar sobre si e o seu passado. Então o que sua mulher pode estar escondendo?

O livro se desenrola entre alguns pontos de vista. Temos o ponto de vista da própria Karen que desesperada, não sabe como resolver e se livrar de uma situação que ela insiste em dizer não lembrar. De Tom que começa viver um dilema sem sequer conseguir se decidir em quem acreditar. Temos o ponto de vista do detetive no calor das investigações - que quanto mais se avançam, mais ele acredita que os dois acontecimentos tem relação, e de Brigid, vizinha do casal e melhor amiga de Karen que por ser tão obcecada em observar a vida deles, presenciou tudo o que aconteceu e sem esperar, estava tão envolvida no acontecido, tão quanto a própria Karen.

Diante disso tudo, Karen é culpada ou testemunha? Com o desenrolar dos fatos e conforme a investigação avança, vamos descobrindo novas pistas que nos levam a vislumbrar o que de fato aconteceu na noite de 13 de agosto, assim como também novas descobertas vão surgindo sobre o passado da protagonista, que começamos a nos questionar quem de fato é o vilão e quem é o protagonista na história!

Esse foi o meu segundo contato com a Shari, li ‘O casal que mora ao lado’ e foi uma experiência tão boa que o livro me deixou um convite para que eu lesse suas próximas histórias. ‘Uma estranha em casa’ veio para reafirmar a ideia que eu tive lá em ‘O casal que mora ao lado’: Shari é uma das grandes escritoras do gênero.

Sua grande e principal característica é, além das grandes reviravoltas, nos confundir em relação aos seus protagonistas. Suas tramas são recheadas de tantas descobertas e surpresas que seus personagens e ambientações nos deixam sem entender se a pessoa que estamos torcendo é o vilão ou o mocinho - em desdobramentos que sempre caminham para nos mostrar que ninguém é inocente demais, ou culpado o bastante.

Sua escrita é viciante, flui facilmente e ela sabe desenvolver a trama perfeitamente dentro do contexto, achei que em nada ficou devendo. Um desfecho totalmente inesperado - admiro quem conseguiu juntar todas as peças, porque eu cumpri mais um papel de trouxa -, o que foi um dos grandes motivos para eu ter gostado tanto do livro. Vi muitas resenhas negativas sobre ele, mas para mim, Shari simplesmente cumpriu tudo que prometeu!

Recomendadíssimo!

[Resenha] Um Corpo na Biblioteca - Agatha Christie!

Título: Um Corpo na Biblioteca

Autora: Agatha Christie

Editora: Harper Collins


Resenha: Tudo tem início quando um corpo é encontrado na biblioteca dos Bantry, a moça é uma completa desconhecida. Chocados, o casal chama as autoridades para investigar o caso. A sra Bantry, afoita, também decide convocar sua amiga - investigadora amadora da região -, Miss Marple, julgando ser a melhor pessoa para solucionar o caso, uma vez que nada escapa aos olhos da mulher que tem uma forma bem peculiar de analisar os fatos. E é a partir dessa premissa que todo o desenrolar para desvendar o crime tem início.

Conforme a investigação avança, uma lista de suspeitos é criada, que vão desde os próprios Bantry à família de onde a vítima herdaria uma boa quantia em dinheiro e assim um quebra-cabeça começa a ser montado. De um lado os detetives a todo vapor fazendo interrogatórios e tentando encontrar pistas. Do outro, Miss Marple avaliando a situação com outros olhos e assim mostrando para grandes profissionais que desvendar um mistério está muito além do que os suspeitos têm a dizer ou do que a região e a cena do crime sugerem, mas sim, que envolve um olhar mais atento aos interesses e comportamentos das pessoas envolvidas.

O desfecho foi um tanto previsível, não exatamente sobre como aconteceu, mas sobre quem estava por trás. Achei um amontoado de suspeitos e de interrogatórios desnecessários e confusos. Se a ideia era nos despistar, acabou sendo cansativo e em nada acrescentou.

Esse foi o meu primeiro contato com a escrita de Agatha, confesso que considerando toda fama que ela tem e do título de Rainha do Crime, eu esperava um pouquinho mais. Talvez por ler tantos suspenses atuais e já ser adepta à livros policiais, eu tenha ido com muita sede ao pote também rs Mas incontestavelmente senti falta de uma história mais movimentada, com mais adrenalina. De início aparenta ser uma trama e tanto, mas no decorrer da leitura comecei a sentir falta de alguns ingredientes que, para mim, são essenciais para esse tipo de temática.

Achei a trama extremamente engenhosa, é notável a habilidade que ela tem para construir os personagens, achei que só pecou mesmo na emoção, faltou um desenrolar mais envolvente. Talvez eu tenha começado por um livro mais morno também, uma vez que, fazendo uma pesquisa na internet, eu vi que ele pouco se encaixa na opinião do público para os melhores livros da autora. Eu esperava mais, muito mais, mas ainda assim, isso não ameaça a vontade que eu tenho de conhecer melhor a autora e eu darei sim, em breve, outra oportunidade para ela.

Se alguém gostar muito das suas histórias, inclusive, aceito sugestões.


[Resenha] Meu Lado Serial Killer - Uma Antologia de Ceiça Carvalho!

Titulo: Meu Lado Serial Killer

Autores: Adriane Saltli; Alexandra Lazari; Artur Laizo; Christian Fonseca; Debora MM; Debrittus; Eduardo Silva Francisco; Elza Helena; Francisco José Pinheiro de Souza; Humberto Lima; John K; Julius Caesar; Márcia Pavanello Pires; Mariani Balland Christóvão; Nanda Scarllat; Natália Lopes; Onivid Silva; Paz Guerreiro; Renato Neres; Tamar Facchinetti; Vi Portalli; Vinicius Ribeiro; Vitor Machado; Wellington L. Barbosa Jr; Willianice Soares Maia.

Editora: Rico Editora

Sinopse: São seres humanos loucos ou cruéis?
Serial killer é a denominação de uma pessoa criminosa com perfil psicopatológico que comete assassinatos com uma certa frequência, seguindo o modus operandi, e não raramente, deixando sua “assinatura”. Boa parte destes criminosos tem um bom perfil social: respeitáveis, bem-sucedidos, aparentemente afáveis. Alguns foram descobertos e presos pelos seus crimes. E muitos ainda estão camuflados na sociedade. Nesta antologia os autores irão discorrer seus contos a partir de histórias reais de Serial Killers, levando como base o modus operandi 
(por: Fernando Mello).


Resenha: "Meu Lado Serial Killer" é uma antologia promovida pela campanha 'Eu leio Brasil', em parceria com a Rico Editora. A Antologia é constituída por contos cuja narrativa aborda crimes praticados por Serial Killer e tem a organização de Ceiça Carvalho.

Mas o que é um Serial Killer?
Como o nome já sugere, é um Assassino em Série, ou seja, é um tipo de criminoso com desvio psicológico que comete vários assassinatos com um determinado intervalo de tempo durante os homicídios, podendo ser dias, meses, anos... e geralmente seguindo um modus operandi, que significa ‘modo de operação’, logo seguem o mesmo tipo de assassinato em crimes da mesma espécie, em outras palavras, executam suas vítimas seguindo o mesmo padrão. Em muitos casos, eles deixam sua própria assinatura, o que foi possível ver em alguns contos desse livro.

Composto necessariamente por 26 contos, o livro vai nos trazer, nos mais variados contextos, esses assassinos em série na ativa, nos apresentando os mais diversos perfis onde é possível ver e - assustadoramente - perceber o quanto eles podem estar em toda parte, camuflados na sociedade na pele do bom moço de família, do açougueiro, da terapeuta, do humorista, do pintor, do policial e por aí vai...

Muitas vezes apresentam comportamento satisfatório, são admirados por algo e é um exemplo em sociedade - quando intimamente são terrivelmente perturbados. Em muitos contos tivemos até uma abordagem psicológica das motivações que levavam essas pessoas a cometer esses crimes brutais. Os autores conseguiram traçar perfeitamente o perfil de um assassino em série, mostrando a necessidade que eles tem de possuir o controle sobre suas vítimas, tornando-as submissas e em uma posição onde se encontram encurraladas diante de quem tem plenamente o controle de uma situação que foi meticulosamente bem arquitetada.

Tortura, situações de humilhação, estrangulamento, fúria e sexo abusivo são só alguns elementos de um livro que vai te fazer temer a aproximação até da pessoa - aparentemente - mais perfeita do mundo e preparar melhor nossos olhos a estar atentos a tudo que está ao nosso redor. É um livro pesado, mas que ao mesmo tempo nos deixa com aquela sensação de alerta e cientes de que tem muito louco à solta, matando cruelmente muita gente e muitas vezes pelos motivos mais banais do mundo. Um ponto bem bacana do livro foi que pudemos ver a mulher como uma assassina também. Estamos tão acostumados a achar que só o homem comete esse tipo de atrocidade que quando vemos uma mulher na pele de uma assassina em série, é difícil acreditar que consigam ser tão cruéis quanto. Renato Neres trouxe um desses contos, o conto ‘Crime da Calcinha’, que eu achei genial e - infelizmente - totalmente possível.

É presumível - o que já é evidente - gostar mais de uns contos que outros. A maioria eu finalizei com satisfação em ter lido, acompanhado da expressão ‘caramba, que criativo’. A seleção para a antologia no geral ficou incrível e foi uma grata surpresa ver tanta gente bacana, produzindo um conteúdo mais bacana ainda. Recomendo!